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As mulheres e o chocolate no Brasil

Sensibilidade, inovação e profissionalismo abrem novos caminhos

 Juliana Ustra
O chocolate vem a ser um protagonista neste nosso espaço do Projeto Chocolate do Brasil, um elemento em holofote, que recebe nossa atenção e nosso reconhecimento ao longo do ano. No entanto, neste Dia Internacional da Mulher, 8 de março, minha evidência vai para as mulheres que fazem o chocolate existir de forma primorosa em nosso país.
Empresárias, produtoras de cacau, palestrantes, consumidoras, jornalistas, pesquisadoras, lojistas, chefs e todos personagens que nós mulheres assumimos estão aqui representadas neste texto. Meu reconhecimento é diário, não dependo somente de uma data comemorativa a parabenizar uma mulher, pois nossa ação é continua, irrestrita ao calendário e ao papel que exercemos, ou onde estamos…
Acredito que no mundo contemporâneo, nós mulheres estamos tomando espaços onde sempre desejamos estar, independente de gênero, do credo e de escolhas particulares, as vitórias vem sendo crescentes, há dissabores e desigualdade sim, e ainda há espaço para muito mais crescimento…A propósito, quando vemos um ser humano que se “encontrou no mundo”, este passa a ser uma referência, uma inspiração para quem ainda não chegou lá…e meu propósito aqui é poder acenar com esta inspiração para outras mulheres.
Faço parte de um grupo chamado Mulheres no Chocolate do Brasil, organizado com cerca de 100 mulheres de todo país, voltadas a promoção de conhecimento conjunto, trocas de experiências e conteúdo, parcerias comerciais, fornecimentos, eventos, entre outras ações conduzidas por mulheres que são uma potência juntas. O foco deste grupo: Chocolate tree to bar e bean to bar do Brasil.
Encontro das Mulheres do Chocolate do Brasil, em SP
Observo que hoje as mulheres brasileiras do mundo do cacau e do chocolate, traduzem na sua rotina, nos seus gestos e nas suas palavras toda a força e a sensibilidade simultâneas nas ações que desenvolvem com toda a sua alma. Vemos o engajamento real e forte em causas globais como a da sustentabilidade, em todos seus pilares (social, ambiental e econômico). Inúmeros exemplos de mulheres protagonistas neste cenário vêm à tona.

É evidente a preocupação com qualidade do trabalho na fazenda e com a educação do mercado consumidor para frear o consumo de chocolate originário de trabalho escravo. Fazendas que organizam escolas para que as novas gerações tenham acesso à educação formal também são exemplos de ações fundamentais para desenvolvimento de comunidades próximas à mata de cacau.

Produção orgânica, saúde, rede de negócios, desenvolvimento regional, fair trade, inovação…vários são os temas e atos, onde mulheres estão a frente.

Busque saber mais, pois muitas vezes as ações são discretas mas os efeitos positivos vem em cascata e são muito valiosos. E, asseguro que muitas vezes podemos dar força a determinados movimentos com valores nos quais acreditamos, basta nos posicionarmos melhor enquanto consumidores.

Historicamente tínhamos no mundo o ambiente do agronegócios e de indústria, predominantemente masculinos, mas esta nossa geração de empresários vem se mostrando parceira e atuante, independentemente de gênero. Casais, famílias inteiras, estão juntas, trabalhando duro e tomando decisões importantes. Mulheres e homens, atuando em consonância, trazem cada vez mais impulso ao mundo do cacau, com cenário original da agrofloresta, onde além de estarem a frente de sua produção, gestão, ainda conseguem tempo para apontar ao mercado a poesia presente nos mil tons de verde da mata e dos seus frutos. Conduzem juntos equipes com a sintonia de uma orquestra sinfônica.
Trago aqui um exemplo de uma marca bean to bar conduzida por uma família que pratica o respeito à terra e às pessoas, o da marca baiana Baiani, conduzida por Juliana Aquino e Tuta Aquino. Eles além de produzirem um chocolate excelente, tem impresso em suas embalagens o respeito à equipe que produz seu cacau e seu chocolate. Todos estão nomeados ali! Incrível e simples gesto!
Temos também exemplo de Luisa Abram, que ilustra a profissional e empresária de produção bean to bar, que vai à Floresta Amazônica, selecionar as próprias amêndoas de cacau selvagem. Sim, esta jovem empresária paulista vai pessoalmente ao ambiente selvagem para buscar seu ingrediente principal. Desempenhando um papel importante junto a comunidades ribeirinhas, identificando a origem geográfica de seu cacau na embalagem, conforme o rio mais próximo, ela é um case de sucesso no mundo do chocolate bean to bar brasileiro.
Juliana Ustra, Juliana Aquino e Luisa Abram
Além destes exemplos, temos mais um grande conjunto de histórias e de atos muito positivos conduzidos por mulheres do chocolate do Brasil.
Busque saber! …e mais, procure provar seus chocolates, pois o sabor não vem somente do terroir e da excelência das amêndoas, mas sim do legado e da “impressão digital” destas ricas mulheres brasileiras!
Meus parabéns a todas nós!
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Juliana Ustra é pesquisadora independente sobre cacau e chocolate, com ênfase em inovações no mercado do chocolate no Brasil e no mundo, em constante atualização sobre este mercado. Eng.Química (Furg), MSC em Eng. Oceânica (Furg), MBA em Gerenciamento de Projetos (FGV). Diretora da USTRA CONSULTORIA
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