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Coletivo Mulheres Pretas do Chocolate fortalece economia solidária

Cacau é fonte de inspiração para projeto que valoriza tradição, cultura e história sulbaiana

O coletivo Mulheres Pretas do Chocolate, que conta com 23 associadas, nasceu da ideia de unir forças por uma economia local entre mulheres que são pouco visibilizadas, a proposta acontece de forma independente, sem esperar parcerias de outras esferas.

São mulheres que vêm de histórias cacaueiras diferentes das tradicionais – que herdam heranças – mas tem nas mãos e no coração o manejo do cacau, com técnicas ancestrais, passadas de família para família, sendo essas cativas da região cacaueira do Sul da Bahia.

Patricia Nicolau

“Pesquisando sobre vários aspectos das roças de cacau de outrora e depois de uma bate papo com três amigas que são pesquisadoras alimentares – Rute Costa, Juliana Venturelli e Paloma Naziazeno – me veio a ideia de reforçar um trabalho que já estava em minhas mãos, e que vinha tentando sozinha, a memória cacaueira bateu mais forte e encontrei parceiras com os mesmos propósitos”, explica a idealizadora, Patrícia Nicolau membra do CONSEA – Rio e integrante do Slow Food, que iniciou essa rede junto com Mailan Santos, da Maillard Chocolates, de Itajuípe.

“Nessa mesma época, estava no Recôncavo, pesquisando quilombos e povos tradicionais, mas alguns ainda estavam fechados em função da pandemia. Resolvi visitar para o sul baiano, visitei algumas produtoras, me conectei com as histórias e retomei a minha caminhada com essas potências que são pouco visibilizadas, principalmente se fosse para esperar de outras esferas”, explica.

“São mulheres que se vêm mais lindas em torno do fruto de ouro. Daquele momento para a criação do coletivo foi um estalo.

Estamos abertas a receber e criar esse vínculo de cooperação para gerar economia que possibilite a auto suficiência financeira de todas nós”, destaca.

“O coletivo respeita o trabalho de qualquer pessoa da lida do cacau, porque sabe o quanto é árduo esse caminho e fazemos parte do mesmo contexto, queremos apenas ver o nosso esforço fluir, sem bater de frente com ninguém. Há possibilidades para todos e a caminhada em união, torna-se mais frutífera”, diz Patrícia.

Imersão nas fazendas de cacau

As mulheres estão presentes em grande parte das fazendas de cacau, pelo cuidado que elas têm com a roça e a trajetória da memória afetiva, enquanto ajudavam as mães a produzirem em casa iguarias com o que os pais colhiam do cacau.
A vivência com a lida na roça vem de berço, de fantasias por esperar a safra e ganhar um sapato novo, por levar a comida para o pai, no hora do almoço, por ajudar nos processos do cacau até a torrefação e moagem ou para ensacar.

Nesse contexto se estabelece a  memória cacaueira sem o glamour que é passado fora desse universo, com   lembranças de vivências puras que começavam as 5 horas  da manhã e, que mesmo assumindo outras posturas na vida, o cacau continua na veia familiar e dessa possibilidade de estar perto nascem olhares mais apurados para produzir um chocolate com requinte, mas que preserva o originalidade de ser.

A visita ao Sul da Bahia

Patrícia é natural de Campinas – SP, mas se considera baiana de coração, até mesmo porque tem ancestralidade por parte dos avós maternos. Recentemente o grupo visitou fazendas de cacau no Sul da Bahia.

“Eu não vivenciei o que essas mulheres têm na veia, nascer na roça é completamente diferente de ler artigos e livros e tirar conclusões. A vida real não cabe em artigos, ela é mais que ampla que isso”, afirma.


Segundo ela, “estar na Bahia e fazer parte desse modo cacau de vida, me retoma muitas questões que a academia não traz. Os autores que li me informaram as técnicas a partir do ponto de vista deles, mas o cotidiano lindo e aplicável na roça tem valores que só o olho humano com verdade e respeito à terra consegue ver”.

“O que se aprende em uma semana de vivência, com qualquer uma dessas mulheres do coletivo ou, de fora do coletivo, não se compara com cadeira, leitura e anotações. É apenas chegar, colocar uma bota, e seguir.”

O Sul da Bahia é muito rico em vários aspectos e as mulheres que estão no coletivo, sabem mostrar esse potencial com total exatidão.

Paixão pelo chocolate

O coletivo tem mulheres que são  farmacêuticas, professora de inglês, ambientalista, cozinheira e intelectual, mas todas com um propósito em comum, o amor ao chocolate e o respeito à terra e com qualquer alimento proveniente dela.

As descobertas em torno dos processos chocolateiros são as incríveis fantasias da produção de cada uma e, com essas informações, há um troca das novidades encontradas que possibilitam sanar as dúvidas de outras mulheres.

Elas dividem processos, modos de fazer, memórias e ainda têm a intenção de fechar um cronograma para um grupo de estudos sobre cacau e chocolate: dos Astecas à Europa: o caminho do cacau.

O cacau e os projetos do coletivo

Cada mulher do coletivo realiza um projeto social sobre o ensino do cacau e chocolate, voltado para crianças e adolescentes.

A ideia é levar o conhecimento históricos, culturais e nutricionais sobre o fruto, sobre o que é o verdadeiro chocolate e também para preservar a memória cacaueira da região

“O chocolate é alimento e direito de todos. Vamos fazer valer um pedido para o Slow Cacau acontecer o mais rápido possível”, diz o coletivo.

Onde encontrar uma mulher preta do chocolate

A concentração do coletivo Mulheres Pretas do Chocolate se dá no Sul da Bahia com Nara – Mimos da Mata, Laura – Fazenda Taboquinhas, Mailan Santos e July – Maillard Chocolates, Luciene Motta da Chocomar, Aline da Choco69, além de  Patrícia Nicolau – Nicolau Chocolates, no Rio de Janeiro.

O grupo está crescendo, mas a ideia é deixar as portas abertas para quem quiser chegar e se integrar ao projeto.

Contato

 

 

Patricia Nicolau (21) 96988 8536

@mulherespretasdochocolate

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