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O ´Mosaico do Cacaueiro` e a crônica de uma tragédia anunciada

Omissão e descaso podem disseminar vírus devastador no Sul da Bahia

 

 

A maneira que os produtores rurais Henrique Almeida e Guilherme Galvão, verdadeira obra do acaso, descobriram a existência do vírus Mosaico do Cacaueiro, que se não for controlado de forma rigorosa tem potencial para provocar uma devastação na lavoura, dá bem a dimensão da tragédia anunciada que pode abater, no sentido literal a região cacaueira.

 

No dia 10 de agosto, Henrique e Guilherme se dirigiam ao Centro de Pesquisas do Cacau-CEPEC, na sede regional da CEPLAC, às margens da rodovia Ilhéus-Itabuna, para uma reunião com o pesquisador Dr. José Luís Pires, quando ao passarem ao lado do jardim clonal/viveiro de mudas, se deparam com plantas extremamente desgastadas

 

 

Henrique e Guilherme iriam conversar  com o pesquisador sobre um projeto de patogênese que está sendo discutido há  alguns anos e que a CEPLAC nunca deu muita importância, até que José Luis abraçou a demanda de diversos produtores que estão dispostos a testar essas patogênese em suas propriedades.

 

O motivo principal desse projeto é há  25 anos se trabalha com as enxertias e ou mudas clonais enraizadas pela Biofábrica  e não se  resolveu questão da produtividade da Bahia nas regiões de cabruca onde se encontra mais de 350 mil hectares de plantação de cacau.

 

A  CEPLAC chegou a lançar um patogênese que ficou conhecida coma Theobahia, mas  esse material que era excelente em precocidade, produtividade e resistência à vassoura de bruxa se mostrou altamente frágil a uma outra doença que não existia na Bahia, a ceratocystis, conhecida como “mal do facão”.

Na passagem pelo jardim clonal eles observaram que as plantas estavam altamente debilitadas mostrando um “emponteramento” anormal, mas acreditaram que o fato   se devia a falta de tratos culturais, já que ao longo dos últimos anos a CEPLAC  tem passado cada vez mais por restrições orçamentárias.

Após tratar do assunto da patogênese com O pesquisador José Luis, os produtores abordaram a situação no jardim clonal e chegaram a  indagar se era  um  ataque do ácaros.

José Luis então os orientou que procurassem a superintendência do CEPEC,  dirigida pelo pesquisador e professor Dr. José Marques. Foi durande esse conversa que José Marques  revelou da hipótese da causa ser de plantas infectadas pelo vírus do mosaico do cacaueiro e  informou que seis plantas que estão no quarentenario do Centro xde Estudos Genéticos e Biotecnologia-CENARGEN da EMBRAPA em Brasília tinham confirmado em testes de laboratório na Califórnia nos Estados Unidos  como infecção positiva do vírus do mosaico.

Essas plantas fazem parte de um grupo de material genético, 600 plantas, que está a três anos no CENARGEN para serem enviadas para países onde existe a monilíase  para testes de resistência a essa doença. Todas as plantas enviadas a Brasília são oriundas do CEPEC.

O temor dos produtores é que o vírus Mosaico do Cacaueiro já tenha rompido a área da CEPLAC e chegado a fazendas, inclusive em outros estados como o Pará.

 

 

A forma de transmissão está associada a insetos como cochonilhas e, mas também pode ser disseminado através de material infectado durante a enxertia.

 

 

A CEPLAC só admitiu publicamente a existência do vírus após denuncia feita por Henrique Almeida e Guilherme Galvão, em reportagem na TV Santa Cruz, e só depois anunciou a proibição da entrada e saída de mudas de cacaueiros da sede regional no Sul da Bahia, medida ratificada dias depois. O temor  de Henrique Almeida e dos demais produtores é que a omissão e a morosidade da CEPLAC em tomar medidas para evitar a circulação do vírus sejam ineficazes e/ou, podem ter chegado tarde demais.

 

Henrique Almeida, que é Presidente da Cooperativa Industrial de Cacau e Chocolate-COOPERAPC, enviou o oficio abaixo a Superintendência Federal de Agricultura- SFA/BA, alertando para os riscos do vírus para a lavoura cacaueira do Sul da Bahia

Henrique Almeida

Veja:

 

Ao chefe da

UTRAITA-BA SFA/BA

Antônio Zózimo

Na qualidade de produtor de cacau no sul da Bahia e Presidente da Cooperativa Agroindustrial de Cacau e Chocolate COOPERAPC, venho através desde, solicitar dessa UTRAITA-BA SFA/BA ação de verificação e contingenciamento de plantas do cacaueiro com claros sintomas da VIROSE DO MOSAICO que se encontram dentro do campus da CEPLAC/CEPEC e adjacências.

Faz-se  necessário ação em toda região cacaueira do Sul Da Bahia onde experimentos coordenados pela CEPLAC/CEPEC com mudas e ou material clonal oriundos da CEPLAC/CEPEC foram instalados em diversas propriedades.

Vale informar que essas suspeitas foram levantadas por mim e pelo produtor e membro do conselho da COOPERAPC Guilherme Galvão de Oliveira Pinto e nos colocamos a disposição para maiores informações.

Certo que ações serão tomadas aguardamos manifestação.

Atenciosamente

Henrique de Almeida

Presidente da COOPERAPC

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3 Comentários

    1. Exatamente Marco!
      Aproveito e pergunto ao produtor o que ele sabe do vírus já que só no visual ele conseguiu identificar, algo que foi necessário investigação molecular?!

  1. Gostaria de saber se o produtor sabe identificar a virose assim só de olhar? E já que sabe tanto sobre o assunto o que mais o produtor sabe a mais que o DSV mapa ?

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