{"id":10109,"date":"2025-01-31T14:30:52","date_gmt":"2025-01-31T17:30:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/?p=10109"},"modified":"2025-02-03T09:28:47","modified_gmt":"2025-02-03T12:28:47","slug":"setor-produtivo-alerta-para-risco-fitossanitario-em-cacau-importado-da-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/2025\/01\/31\/setor-produtivo-alerta-para-risco-fitossanitario-em-cacau-importado-da-africa\/","title":{"rendered":"Setor produtivo alerta para risco fitossanit\u00e1rio em cacau importado da \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p>Em janeiro, o Brasil recebeu um navio com 250 mil sacas de cacau no porto de Ilh\u00e9us, na Bahia. Apesar de j\u00e1 ter sido o maior produtor mundial da fruta, o pa\u00eds passou a depender da importa\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a d\u00e9cada de 1980, quando a doen\u00e7a vassoura-de-bruxa devastou os cacaueiros, reduzindo a produ\u00e7\u00e3o nacional de 449 mil toneladas para apenas 96 mil. At\u00e9 hoje, o setor luta para se recuperar, com impactos econ\u00f4micos e sociais ainda vis\u00edveis em diversas cidades baianas.<\/p>\n<div class=\"google-auto-placed ap_container\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"aswift_1_host\"><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>Parte dessa recupera\u00e7\u00e3o vem sendo impulsionada por projetos e iniciativas que promovem uma divis\u00e3o mais justa de lucros ao longo da cadeia produtiva. Como resultado, a produ\u00e7\u00e3o nacional tem avan\u00e7ado gradualmente, atingindo atualmente uma m\u00e9dia de 200 mil toneladas por safra. No entanto, esse crescimento ocorre em meio a grandes desafios fitossanit\u00e1rios. Al\u00e9m da vassoura-de-bruxa, doen\u00e7as como monil\u00edase e podrid\u00e3o parda preocupam os produtores, que tamb\u00e9m alertam para os riscos representados por pragas e doen\u00e7as trazidas por carregamentos internacionais, especialmente da \u00c1frica.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-10110\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/cacau-2.jpg\" alt=\"\" width=\"383\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/cacau-2.jpg 765w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/cacau-2-300x172.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 383px) 100vw, 383px\" \/><\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o africana, al\u00e9m de ser uma das principais refer\u00eancias para a forma\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os globais do cacau, enfrenta problemas recorrentes. Em 2024, doen\u00e7as limitaram drasticamente a produtividade no continente, impactando os pre\u00e7os internacionais e agravando crises sociais em pa\u00edses como Gana e Costa do Marfim, os maiores produtores mundiais.<\/p>\n<p>\u201cComo ainda n\u00e3o conseguimos produzir o suficiente para atender \u00e0 demanda interna, a ind\u00fastria precisa importar parte das am\u00eandoas. Grande parte desse material vem da Costa do Marfim, mas tamb\u00e9m recebemos cacau de Gana. O cacau da Costa do Marfim apresenta uma qualidade muito ruim, e isso nos preocupa, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a fitossanit\u00e1ria\u201d, afirma Milton Andrade J\u00fanior, engenheiro agr\u00f4nomo e ex-presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Ilh\u00e9us.<\/p>\n<div class=\"google-auto-placed ap_container\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"aswift_2_host\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2918\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/vb-2.png\" alt=\"\" width=\"378\" height=\"187\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>A presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Produtores de Cacau, Vanuza Barroso, refor\u00e7a que as doen\u00e7as presentes nos cacaueiros africanos, somadas aos desafios log\u00edsticos do cacau importado, representam uma amea\u00e7a significativa.<\/p>\n<p>\u201cAs principais ind\u00fastrias processadoras est\u00e3o concentradas na regi\u00e3o de Ilh\u00e9us, e \u00e9 por ali que chega o cacau importado. Al\u00e9m disso, todo o cacau nacional tamb\u00e9m passa por essa regi\u00e3o. Quem conhece Ilh\u00e9us sabe o quanto o cacau \u00e9 essencial, a ponto de influenciar at\u00e9 o urbanismo da cidade. O risco \u00e9 que um \u00fanico carregamento contaminado cause um desastre fitossanit\u00e1rio no Brasil. Temos alertado as autoridades, mas n\u00e3o sentimos que est\u00e3o dando a aten\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria a essa quest\u00e3o\u201d, alerta Vanuza.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5799\" aria-describedby=\"caption-attachment-5799\" style=\"width: 359px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-5799\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ANPC-1.png\" alt=\"\" width=\"359\" height=\"239\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ANPC-1.png 612w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ANPC-1-300x200.png 300w\" sizes=\"(max-width: 359px) 100vw, 359px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5799\" class=\"wp-caption-text\">Vanuza Barroso, presidente da ANPC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Diante dessas preocupa\u00e7\u00f5es, a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Produtores de Cacau divulgou um artigo questionando a seguran\u00e7a das am\u00eandoas importadas e os processos adotados para evitar a propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as no territ\u00f3rio brasileiro. Um dos principais pontos levantados \u00e9 a revoga\u00e7\u00e3o do uso do Brometo de Metila, produto anteriormente utilizado no combate de pragas e proibido pela Instru\u00e7\u00e3o Normativa 125 do Minist\u00e9rio da Agricultura.<\/p>\n<div class=\"google-auto-placed ap_container\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"aswift_3_host\"><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>O fim da utiliza\u00e7\u00e3o dessa subst\u00e2ncia gerou discuss\u00f5es no Congresso Nacional, levando \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei 336\/2022, que questionou a decis\u00e3o do MAPA. No entanto, ap\u00f3s an\u00e1lises t\u00e9cnicas, concluiu-se que a revoga\u00e7\u00e3o seguiu normas internacionais de sustentabilidade e considerou que as pragas combatidas pelo Brometo s\u00e3o de baixo risco para o Brasil, conforme destaca o seguinte trecho:<\/p>\n<p><em>\u201cA utiliza\u00e7\u00e3o do Brometo de Metila s\u00f3 seria justificada pelo tratamento das pragas Phytophthora megak<\/em><em>arya e Striga spp. No entanto, a possibilidade de introdu\u00e7\u00e3o dessas duas pragas ao Brasil pela importa\u00e7\u00e3o de Am\u00eandoas do Cacau \u00e9 muito baixa, o que n\u00e3o justificaria, conforme o relat\u00f3rio do MAPA a regulamenta\u00e7\u00e3o delas. O MAPA realizou visita t\u00e9cnica a Costa do Marfim entre 12 e 21 de dezembro de 2020 onde constatou uma s\u00e9rie fatores que justificam o baixo risco de introdu\u00e7\u00e3o dessas pragas e, portanto, essas pragas foram desregulamentadas e por isso n\u00e3o constam na IN n\u00ba 125, que regulamenta 3 (tr\u00eas) pragas, excluindo-se essas duas\u201d.<\/em><\/p>\n<p>O coordenador-geral de Fiscaliza\u00e7\u00e3o e Certifica\u00e7\u00e3o Fitossanit\u00e1ria Internacional, Eduardo Henrique Porto Magalh\u00e3es, explica que o Brometo de Metila foi substitu\u00eddo pela Fosfina como m\u00e9todo de elimina\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis pragas nas am\u00eandoas de cacau importadas.<\/p>\n<div class=\"google-auto-placed ap_container\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"aswift_4_host\"><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cO produto que recebemos da \u00c1frica s\u00e3o am\u00eandoas que j\u00e1 passaram por processos industriais, o que diminui consideravelmente qualquer tipo de risco. No entanto, n\u00e3o existe risco zero, por isso tamb\u00e9m aplicamos medidas na origem e aqui no nosso pa\u00eds. No caso do cacau, todos os carregamentos s\u00e3o supervisionados e inspecionados. Quando h\u00e1 suspeita de alguma praga, as amostras s\u00e3o coletadas e enviadas para laborat\u00f3rios da rede oficial do Minist\u00e9rio da Agricultura. Al\u00e9m disso, exigimos que os caminh\u00f5es que transportam esse cacau do navio at\u00e9 o local de processamento sejam devidamente lacrados, isolados e lonados para evitar qualquer derramamento do material. As unidades do MAPA que recebem esse cacau contam com servidores treinados especificamente para monitoramento de doen\u00e7as do cacau. Como a cultura do cacau \u00e9 amplamente estudada nessa regi\u00e3o, esses profissionais t\u00eam grande expertise na identifica\u00e7\u00e3o de lotes irregulares e na realiza\u00e7\u00e3o de coletas detalhadas quando h\u00e1 suspeita de contamina\u00e7\u00e3o\u201d, explica Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>Ainda segundo o coordenador-geral, a importa\u00e7\u00e3o de qualquer produto agr\u00edcola, independentemente da origem, n\u00e3o seria autorizada caso representasse risco fitossanit\u00e1rio ao Brasil. Dessa forma, ele garante que o Minist\u00e9rio da Agricultura realiza todos os esfor\u00e7os necess\u00e1rios para garantir a seguran\u00e7a do cacau importado e que o \u00f3rg\u00e3o est\u00e1 atento aos poss\u00edveis riscos para a cadeia produtiva do cacau. Ele ressalta que, al\u00e9m dos riscos associados ao cacau importado da Costa do Marfim, h\u00e1 outras preocupa\u00e7\u00f5es fitossanit\u00e1rias, especialmente em localidades pr\u00f3ximas ao Brasil onde h\u00e1 registros de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO MAPA, nos \u00faltimos dois, tr\u00eas anos, tem intensificado o contato com produtores, associa\u00e7\u00f5es e entidades de pesquisa, como Embrapa e CEPLAC. N\u00e3o apenas por conta da importa\u00e7\u00e3o de cacau da Costa do Marfim, mas principalmente devido \u00e0 Moniliophthora roreri, um fungo detectado na fronteira do Brasil com o Peru, que representa uma amea\u00e7a muito maior aos produtores locais. Por isso, a rela\u00e7\u00e3o entre governo e setor privado se estreitou nos \u00faltimos anos. Existe hoje muita conscientiza\u00e7\u00e3o sobre como proceder no transporte das am\u00eandoas, al\u00e9m da defini\u00e7\u00e3o de locais considerados livres da praga e \u00e1reas que hoje s\u00e3o classificadas como de risco\u201d, comenta Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>Fonte Noticias Agricolas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em janeiro, o Brasil recebeu um navio com 250 mil sacas de cacau no porto de Ilh\u00e9us, na Bahia. 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