{"id":14191,"date":"2025-11-14T17:30:24","date_gmt":"2025-11-14T20:30:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/?p=14191"},"modified":"2025-11-14T11:16:27","modified_gmt":"2025-11-14T14:16:27","slug":"grupo-cria-mel-sabor-chocolate-usando-casca-da-amendoa-do-cacau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/2025\/11\/14\/grupo-cria-mel-sabor-chocolate-usando-casca-da-amendoa-do-cacau\/","title":{"rendered":"Pesquisadores da Unicamp   criam mel \u2018sabor chocolate\u2019 usando casca da am\u00eandoa do cacau"},"content":{"rendered":"<p>Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)\u00a0desenvolveu um produto a partir de mel de abelhas nativas e cascas de am\u00eandoa de cacau\u00a0que pode tanto ser consumido diretamente quanto como\u00a0ingrediente para as ind\u00fastrias aliment\u00edcia e cosm\u00e9tica. Os resultados foram publicados na revista ACS Sustainable Chemistry &amp; Engineering, tema da capa da publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mel de abelhas nativas foi usado como solvente comest\u00edvel para extrair das cascas da am\u00eandoa do cacau, normalmente descartadas na fabrica\u00e7\u00e3o de derivados como o chocolate, compostos como teobromina e cafe\u00edna, conhecidos estimulantes associados \u00e0 sa\u00fade card\u00edaca. O processo, que usou extra\u00e7\u00e3o assistida por ultrassom, enriqueceu ainda o mel com compostos fen\u00f3licos, que t\u00eam\u00a0atividades antioxidante e anti-inflamat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Embora ainda estejam planejando testes quanto ao sabor do produto e outras propriedades sensoriais, os pesquisadores que o provaram afirmam que, a depender da propor\u00e7\u00e3o de mel e cascas,\u00a0ele tem bastante sabor de chocolate.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cClaro que o apelo maior para o p\u00fablico \u00e9 o sabor, mas nossas an\u00e1lises mostraram que ele tem uma quantidade de compostos bioativos que o tornam bastante interessante do ponto de vista nutricional e cosm\u00e9tico\u201d, conta Felipe Sanchez Bragagnolo, primeiro autor do estudo, realizado durante p\u00f3s-doutorado na Faculdade de Ci\u00eancias Aplicadas (FCA) da Unicamp, em Limeira, com bolsa da FAPESP.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em parceria com a Inova Unicamp, ag\u00eancia de inova\u00e7\u00e3o da universidade, os<strong>a<\/strong>utores buscam agora algum parceiro interessado em licenciar o processo, que teve uma patente depositada, e colocar o produto no mercado.<\/p>\n<p><strong>Biodiversidade<\/strong><\/p>\n<p>Os m\u00e9is de abelhas nativas, al\u00e9m de terem um apelo para o uso sustent\u00e1vel da biodiversidade local, foram escolhidos pelo maior potencial como solvente, dado que, de modo geral, possuem maiores teores de \u00e1gua e menor viscosidade do que o mel da abelha-europeia (Apis mellifera).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-74550 alignright entered lazyloaded\" src=\"https:\/\/www.inova.unicamp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cascas-de-amendoas-Felipe-Bragagnol-FCA-Unicamp-300x169.jpg\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"https:\/\/www.inova.unicamp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cascas-de-amendoas-Felipe-Bragagnol-FCA-Unicamp-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.inova.unicamp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cascas-de-amendoas-Felipe-Bragagnol-FCA-Unicamp-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.inova.unicamp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cascas-de-amendoas-Felipe-Bragagnol-FCA-Unicamp-700x394.jpg 700w, https:\/\/www.inova.unicamp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cascas-de-amendoas-Felipe-Bragagnol-FCA-Unicamp-539x303.jpg 539w, https:\/\/www.inova.unicamp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cascas-de-amendoas-Felipe-Bragagnol-FCA-Unicamp.jpg 800w\" alt=\"Fotografia exibe cascas e am\u00eandoas de cacau dispostas sobre uma superf\u00edcie branca, com algumas sementes inteiras e outras quebradas, revelando o interior.\" width=\"300\" height=\"169\" data-lazy-srcset=\"https:\/\/www.inova.unicamp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cascas-de-amendoas-Felipe-Bragagnol-FCA-Unicamp-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.inova.unicamp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cascas-de-amendoas-Felipe-Bragagnol-FCA-Unicamp-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.inova.unicamp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cascas-de-amendoas-Felipe-Bragagnol-FCA-Unicamp-700x394.jpg 700w, https:\/\/www.inova.unicamp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cascas-de-amendoas-Felipe-Bragagnol-FCA-Unicamp-539x303.jpg 539w, https:\/\/www.inova.unicamp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cascas-de-amendoas-Felipe-Bragagnol-FCA-Unicamp.jpg 800w\" data-lazy-sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-lazy-src=\"https:\/\/www.inova.unicamp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cascas-de-amendoas-Felipe-Bragagnol-FCA-Unicamp-300x169.jpg\" data-ll-status=\"loaded\" \/><\/p>\n<p>Foram testados m\u00e9is de cinco esp\u00e9cies que ocorrem no Brasil: bor\u00e1 (Tetragona clavipes), jata\u00ed (Tetragonisca angustula), manda\u00e7aia (Melipona quadrifasciata), mandaguari (Scaptotrigona postica) e mo\u00e7a-branca (Frieseomelitta varia). As cascas de cacau foram cedidas pela Coordenadoria de Assist\u00eancia T\u00e9cnica Integral (Cati) de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto.<\/p>\n<p>O mel da mandaguari foi escolhido inicialmente para a otimiza\u00e7\u00e3o do processo por conta dos valores intermedi\u00e1rios de \u00e1gua e viscosidade encontrados, embora posteriormente o processo otimizado tenha sido empregado para os outros m\u00e9is analisados.<\/p>\n<p>Bragagnolo lembra que omel \u00e9 um alimento bastante sujeito a influ\u00eancias externas, como condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, de armazenamento e temperatura. \u201cPortanto, \u00e9 poss\u00edvel adaptar o processo ao mel que estiver dispon\u00edvel localmente, n\u00e3o necessariamente o da mandaguari\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Qu\u00edmica verde<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-5944\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cacau-foto-DT-4.jpg\" alt=\"\" width=\"331\" height=\"248\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cacau-foto-DT-4.jpg 640w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/cacau-foto-DT-4-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 331px) 100vw, 331px\" \/><\/p>\n<p>A extra\u00e7\u00e3o assistida por ultrassom consiste no uso de uma sonda, visualmente parecida com uma caneta met\u00e1lica, colocada dentro de um pote com o mel e as cascas. A sonda utiliza ondas sonoras para melhorar a extra\u00e7\u00e3o dos compostos das cascas da am\u00eandoa do cacau, que migram para o solvente, que no caso \u00e9 o mel.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo \u00e9 eficiente, entre outras raz\u00f5es, por formar microbolhas que implodem, aumentam pontualmente a temperatura e rompem o material vegetal. At\u00e9cnica \u00e9 considerada ambientalmente amig\u00e1vel para a ind\u00fastria de alimentos, pois \u00e9 mais r\u00e1pida e eficiente do que outras.<\/p>\n<p>Por isso, foi um dos pontos positivos em outra avalia\u00e7\u00e3o presente no estudo, que mediu a sustentabilidade do produto.\u00a0Foi utilizado o software Path2Green, desenvolvido pelo grupo do professor Mauricio Ariel Rostagno, da FCA-Unicamp, que tamb\u00e9m \u00e9 supervisor do p\u00f3s-doutorado de Bragagnolo e coordenador do estudo.<\/p>\n<p>A\u00a0ferramenta verificou a concord\u00e2ncia com 12 princ\u00edpios da chamada qu\u00edmica verde, como transporte, p\u00f3s-tratamento, purifica\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o. O uso de um solvente comest\u00edvel, local e pronto para uso foi um dos fatores de maior peso. Numa escala de \u2013 1 a + 1, o produto alcan\u00e7ou + 0.118.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAcreditamos que com um aparelho desses, numa cooperativa ou pequena ind\u00fastria que j\u00e1 trabalhe tanto com o cacau quanto com o mel de abelhas nativas, seria poss\u00edvel aumentar o portf\u00f3lio com um produto de valor agregado inclusive para a alta gastronomia\u201d, sugere Rostagno.<\/p><\/blockquote>\n<p>Os pesquisadores preparam ainda novos estudos para avaliar a a\u00e7\u00e3o do ultrassom na microbiologia do mel. Assim como faz com o material vegetal, o\u00a0m\u00e9todo rompe a parede celular de microrganismos como bact\u00e9rias, que podem degradar o produto.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO mel de abelhas nativas, normalmente, precisa ser conservado em geladeira, maturado, desumidificado ou pasteurizado, diferentemente do que prov\u00e9m da abelha-europeia, que pode ser armazenado em temperatura ambiente. Suspeitamos que, apenas por terem passado pelo ultrassom, os microrganismos contidos sejam eliminados, aumentando a estabilidade e o tempo de prateleira do produto\u201d, explica.<\/p><\/blockquote>\n<p>Futuramente, ser\u00e3o testadas outras aplica\u00e7\u00f5es utilizando o mel de abelhas nativas como solvente para extra\u00e7\u00e3o assistida por ultrassom, como o processamento de outros res\u00edduos vegetais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das bolsas de p\u00f3s-doutorado e est\u00e1gio no exterior para Bragagnolo, o trabalho contou com uma s\u00e9rie de bolsas e aux\u00edlios da FAPESP (23\/02064-8, 23\/16744-0, 21\/12264-9, 20\/08421-9, 19\/13496-0 e 18\/14582-5).<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Stingless bee honeys as natural and edible extraction solvents: an intensified approach to cocoa bean shell<\/em>\u00a0valorization pode ser lido em:\u00a0<a href=\"http:\/\/pubs.acs.org\/doi\/10.1021\/acssuschemeng.5c04842\">pubs.acs.org\/doi\/10.1021\/acssuschemeng.5c04842<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(do site da Ag\u00eancia Fapesp)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)\u00a0desenvolveu um produto a partir de mel de abelhas nativas e cascas de am\u00eandoa de cacau\u00a0que pode tanto ser consumido diretamente quanto como\u00a0ingrediente para as ind\u00fastrias aliment\u00edcia e cosm\u00e9tica. 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