{"id":1452,"date":"2020-08-31T11:40:02","date_gmt":"2020-08-31T14:40:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/?p=1452"},"modified":"2020-08-31T11:41:23","modified_gmt":"2020-08-31T14:41:23","slug":"a-melhor-terra-do-mundo-para-plantar-cacau-e-produzir-chocolate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/2020\/08\/31\/a-melhor-terra-do-mundo-para-plantar-cacau-e-produzir-chocolate\/","title":{"rendered":"A melhor terra do mundo para plantar cacau e produzir chocolate"},"content":{"rendered":"<p><em>\u201cEu vou contar uma hist\u00f3ria. Uma hist\u00f3ria de espantar.\u201d<br \/>\nJorge Amado, Terras do Sem-Fim, 1943  <\/em><\/p>\n<p>(Portal da Ind\u00fastria)- As estradas do Sul da Bahia recortam terras de gl\u00f3ria, sofrimento e reden\u00e7\u00e3o. A extens\u00e3o territorial, que vai das imedia\u00e7\u00f5es de Salvador at\u00e9 a fronteira com o Esp\u00edrito Santo, engolindo montanhas e beirando o mar, foi repetidas vezes transformada pelo cacau. O fruto divino, no Brasil uma cria\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, encontrou nas matas baianas a casa perfeita. Nem parece que um dia n\u00e3o esteve ali. Desconsider\u00e1-lo \u00e9 apagar o passado, inviabilizar o presente e condenar o futuro do Sul da Bahia. O cacau \u00e9 inescap\u00e1vel. <\/p>\n<p>Pela tradi\u00e7\u00e3o, talvez seja uma das indica\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas mais antigas do Brasil, ao lado da cacha\u00e7a. Data de 1655 a primeira refer\u00eancia da presen\u00e7a de cacau no Sul baiano, apesar do adensamento do cultivo ter ocorrido em meados do s\u00e9culo seguinte. Foi incentivo da coroa portuguesa, cativada pelo sabor e pelo potencial de com\u00e9rcio. Na faceta triste da hist\u00f3ria brasileira, as am\u00eandoas de cacau serviram at\u00e9 de moeda para comprar escravos.<br \/>\nPor isso, soa estranho que o reconhecimento do Sul da Bahia como uma IG seja t\u00e3o recente: o registro de Indica\u00e7\u00e3o de Proced\u00eancia saiu em 2018. Precisamos voltar um pouco no tempo para entender por que isso aconteceu. <\/p>\n<p>A gl\u00f3ria<br \/>\nH\u00e1 mais de 200 anos, o plantio de cacau no maior estado nordestino funciona no sistema cabruca. As \u00e1rvores crescem em meio \u00e0 Mata Atl\u00e2ntica, resguardadas do sol pela vegeta\u00e7\u00e3o nativa, raleada para abrir espa\u00e7o para o cacau. \u201cVenha c\u00e1 brocar a mata. C\u00e1 brocar. Cabrucar. Cabruca nasceu dessa corruptela\u201d, explica Jos\u00e9 Carlos Maltez, produtor e chocolateiro. A semelhan\u00e7a com as condi\u00e7\u00f5es da Amaz\u00f4nia, onde a floresta \u00e9 sombreada, \u00famida e quente, consagrou o sistema agroflorestal na Bahia.<br \/>\nIlh\u00e9us se desenvolveu e enriqueceu a reboque do cacau. O milagre econ\u00f4mico atraiu gente de todos os cantos. Uma elite formada quase que da noite para o dia subiu casar\u00f5es, passeios e cabar\u00e9s. Assim se constitu\u00eda a Princesa do Sul. O cacau transformou aventureiros em novos ricos. <\/p>\n<figure id=\"attachment_1455\" aria-describedby=\"caption-attachment-1455\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/cacau-porto-300x197.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"197\" class=\"size-medium wp-image-1455\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/cacau-porto-300x197.jpg 300w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/cacau-porto-768x504.jpg 768w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/cacau-porto.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1455\" class=\"wp-caption-text\">Carregamento de cacau \u00e9 despachado no porto de Ilh\u00e9us no in\u00edcio do s\u00e9culo XX &#8211; Acervo\/Prefeitura de Ilh\u00e9us<\/figcaption><\/figure>\n<p>No s\u00e9culo XIX, as primeiras cargas de cacau sa\u00edram da Bahia rumo aos Estados Unidos. No s\u00e9culo seguinte, o cacau passou a ser o principal ativo de exporta\u00e7\u00e3o do estado e o que ficou conhecido como Bahia Superior, ou Tipo 1 de cacau, entrou na Bolsa de Valores de Nova York. <\/p>\n<p>At\u00e9 meados de 1920, o Sul da Bahia foi respons\u00e1vel por fazer do Brasil o maior produtor do mundo. Apesar disso, custou at\u00e9 o pa\u00eds se tornar tamb\u00e9m um grande consumidor de cacau e chocolate.<br \/>\nO sucesso n\u00e3o trouxe apenas rios de dinheiro. A fartura fez crescer a cobi\u00e7a por terras na regi\u00e3o, incitando um clima de constante tens\u00e3o e animosidade entre os bar\u00f5es do cacau. A opul\u00eancia da \u201ccapital do Sul\u201d contrastava com a viol\u00eancia e a explora\u00e7\u00e3o de trabalhadores no campo.<\/p>\n<p>O fruto liter\u00e1rio<br \/>\nEsse foi o pano de fundo da inf\u00e2ncia de Jorge Amado. O escritor \u00e9 um dos principais, sen\u00e3o o principal narrador da literatura de cacau. \u201cA melhor terra do mundo para o plantio do cacau, aquela terra adubada com sangue\u201d, escreveu, no c\u00e9lebre Terras do Sem-Fim (1943), durante seu ex\u00edlio na Argentina. O livro aborda n\u00e3o s\u00f3 a metamorfose de simples agricultores em coron\u00e9is enriquecidos pela cabruca, mas as consequ\u00eancias do conflito pela posse da terra.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1456\" aria-describedby=\"caption-attachment-1456\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/cacau-jorge-300x176.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"176\" class=\"size-medium wp-image-1456\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/cacau-jorge-300x176.jpg 300w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/cacau-jorge-768x450.jpg 768w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/cacau-jorge-1024x600.jpg 1024w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/cacau-jorge.jpg 1292w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1456\" class=\"wp-caption-text\">Jorge Amado e elenco da novela Terras do Sem Fim, adapta\u00e7\u00e3o de sua obra pela Rede Globo em 1981 &#8211; Acervo\/Z\u00e9lia Gattai<\/figcaption><\/figure>\n<p>A obra foi adaptada para a TV em 1981, assim como a cria\u00e7\u00e3o mais famosa de Jorge Amado: Gabriela Cravo e Canela, de 1958. Mais do que um relato sobre a sensualidade da personagem principal, o livro \u00e9 um retrato de como o cacau mudou a sociedade e a economia da regi\u00e3o. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/cacau-500-1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1447\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/cacau-500-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/cacau-500-1.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\nA d\u00e9cada de 1970 viu a chegada de ind\u00fastrias multinacionais desembarcarem nos arredires de Ilh\u00e9us. O cacau processado por elas ainda \u00e9 distribu\u00eddo mundo afora. No \u00e1pice produtivo, em 1986, a Bahia chegou a colher 400 mil toneladas de cacau sozinha, quase 90% da produ\u00e7\u00e3o brasileira.  <\/p>\n<p>N\u00e3o acredito em bruxas, mas que existem, existem<\/p>\n<p>Decl\u00ednios nunca t\u00eam causa \u00fanica. No caso do Sul da Bahia, uma s\u00e9rie de infort\u00fanios quase dizimou a cultura cacaueira.<br \/>\nO primeiro foi a queda do pre\u00e7o da am\u00eandoa de cacau no mercado internacional, com o crescimento da produ\u00e7\u00e3o na \u00c1frica, amea\u00e7ando o protagonismo brasileiro. Atualmente, a Costa do Marfim lidera a produ\u00e7\u00e3o mundial e o continente africano tem 4 dos 10 maiores produtores do mundo \u2013 o Brasil \u00e9 o sexto, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO). <\/p>\n<p>O segundo golpe foi mais decisivo e devastador. Em maio de 1989, agricultores de Uru\u00e7uca n\u00e3o reconheciam a praga que apodrecia os frutos ainda no p\u00e9, murchava as folhas e as tingia de marrom. Tomadas pelo inimigo misterioso, as \u00e1rvores secavam a ponto de parecer uma vassoura velha. Nunca tinha acontecido antes.  <\/p>\n<p>Assim come\u00e7ou a infesta\u00e7\u00e3o da vassoura-de-bruxa, um fungo end\u00eamico na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, que se espalha pelo ar. Em quest\u00e3o de anos, n\u00e3o havia propriedade livre da praga. Pouca gente duvida que a introdu\u00e7\u00e3o da vassoura-de-bruxa em solo baiano tenha sido ato deliberado e criminoso. <\/p>\n<p>As hip\u00f3teses que requintam a crueldade variam de motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas at\u00e9 tentativas de concorrentes de tombar a for\u00e7a da produ\u00e7\u00e3o local. A Pol\u00edcia Federal concluiu que houve crime, em inqu\u00e9rito encerrado em 2006, mas n\u00e3o chegou aos culpados.<\/p>\n<p>O sofrimento<\/p>\n<p>Mesmo se o respons\u00e1vel tivesse sido identificado, nenhuma pena seria capaz de compensar o sofrimento que a praga causou. Um fato importante que contribuiu para o alastramento da vassoura foram as primeiras orienta\u00e7\u00f5es para tentar cont\u00ea-lo. As autoridades recomendaram a poda dos p\u00e9s doentes. S\u00f3 que a vassoura-de-bruxa ataca preferencialmente brotos novos. Assim, as planta\u00e7\u00f5es renasciam j\u00e1 doentes. <\/p>\n<p>Os custos foram econ\u00f4mica e humanamente imposs\u00edveis de pagar. Estima-se que 30 mil fazendeiros faliram. Os anos 1990 viram a produ\u00e7\u00e3o baiana cair 75% e pre\u00e7o da tonelada, que em 1970 beirava US$ 4 mil, despencou para US$ 800.<br \/>\n\u201cO estado n\u00e3o dividiu a conta com os produtores. O preju\u00edzo de tudo, inclusive das medidas erradas de conten\u00e7\u00e3o da vassoura, ficaram para n\u00f3s. \u00c9 uma d\u00edvida imposs\u00edvel de pagar\u201d, diz Henrique Silva, dono da fazenda Sagarana, em Coaraci. <\/p>\n<figure id=\"attachment_1457\" aria-describedby=\"caption-attachment-1457\" style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/cacau-rio-do-bra\u00e7o.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"188\" class=\"size-full wp-image-1457\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1457\" class=\"wp-caption-text\">Rio do Bra\u00e7o, munic\u00edpio pr\u00f3ximo a Ilh\u00e9us, n\u00e3o sobreviveu ao decl\u00ednio da era do cacau &#8211; Yuri Barreto<\/figcaption><\/figure>\n<p>A desola\u00e7\u00e3o se traduziu em propriedades abandonadas, fam\u00edlias destru\u00eddas, desemprego e empobrecimento. A gravidade da situa\u00e7\u00e3o levou o Governo Federal a lan\u00e7ar o Programa de Recupera\u00e7\u00e3o da Lavoura Cacaueira Baiana, que contaria com apoio da Comiss\u00e3o Executiva do Plano de Lavoura Cacaueira (Ceplac), \u00f3rg\u00e3o vinculado ao Minist\u00e9rio da Agricultura criado por Juscelino Kubitscheck em 1957 para aplacar a crise de pre\u00e7os enfrentada \u00e0 \u00e9poca.<br \/>\nPassados 25 anos, n\u00e3o s\u00f3 boa parte dos resultados esperados do plano n\u00e3o se concretizou, como os recursos tomados pelos agricultores para salvar a lavoura engordaram as d\u00edvidas antigas pois a produ\u00e7\u00e3o nunca mais voltou ao momento de apogeu. <\/p>\n<p>A t\u00e9cnica de clonagem \u2013 enxerto de variedades resistentes \u00e0 praga \u2013 conseguiu reduzir, mas n\u00e3o eliminar os fungos. A vassoura-de-bruxa segue comprometendo cerca de 10% da produ\u00e7\u00e3o anual. Em 2019, a Bahia produziu 130 mil toneladas de cacau, nem metade do que j\u00e1 colheu. A bruxa deixou marcas indel\u00e9veis em gera\u00e7\u00f5es de produtores.<br \/>\n<figure id=\"attachment_351\" aria-describedby=\"caption-attachment-351\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/ig-cacau-cc-300x219.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"219\" class=\"size-medium wp-image-351\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/ig-cacau-cc-300x219.jpg 300w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/ig-cacau-cc.jpg 539w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-351\" class=\"wp-caption-text\">Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica agrega valor ao valor ao cacau<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p>A reden\u00e7\u00e3o tem sabor de chocolate <\/p>\n<p>Renascer \u2013 al\u00e9m de novela memor\u00e1vel sobre as fam\u00edlias e conluios do cacau, protagonizada pelo excepcional Ant\u00f4nio Fagundes (seria imperdo\u00e1vel n\u00e3o fazer a men\u00e7\u00e3o) \u2013 de sucessivas crises exigiu inventividade. Superar o passado de agruras tem sido feito barra a barra. E \u00e9 nesse contexto que entra o fator Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica.<br \/>\n\u00c9 que, h\u00e1 coisa de dez anos, mais e mais fazendeiros t\u00eam se tornado chocolatiers, em um movimento chamado tree-to-bar: da \u00e1rvore para a barra. Chocolates fabricados por quem produz o cacau. O conceito abra\u00e7a o com\u00e9rcio justo, a valoriza\u00e7\u00e3o da origem e o desenvolvimento de pequenos produtores \u2013 prerrogativas de novos consumidores. Segundo a Ceplac, a Bahia j\u00e1 conta com mais de 70 marcas de chocolate.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/sul-chocolates-3-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-740\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/sul-chocolates-3-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/sul-chocolates-3-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/sul-chocolates-3-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/sul-chocolates-3.jpg 1032w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Foi nesse ensejo que os produtores se organizaram para dar entrada no pedido de Indica\u00e7\u00e3o de Proced\u00eancia junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que concedeu o registro em 2018.<br \/>\nO cacau de origem vem ganhando for\u00e7a tamb\u00e9m com o surgimento de novas marcas como a Dengo, organizada em torno da produ\u00e7\u00e3o familiar de cacau e caf\u00e9.  Todo o cacau usado na empresa \u00e9 cultivado em sistemas cabruca, com remunera\u00e7\u00e3o acima da m\u00e9dia de mercado.  <\/p>\n<p>Pela tromba de Ganesha (ou divino maravilhoso)<br \/>\nA fazenda S\u00e3o Jos\u00e9 foi fundada em 1896 no munic\u00edpio de Barro Preto pelos sergipanos Ramiro Nunes de Aquino e Avelina Sandes de Aquino. Em 124 anos, a propriedade viu crescer quatro gera\u00e7\u00f5es de cacauicultores. Hoje, quem est\u00e1 no comando \u00e9 Patr\u00edcia Viana Lima, bisneta dos fundadores por parte de m\u00e3e. <\/p>\n<p>A volta de Patr\u00edcia para a casa onde em que viveu at\u00e9 os 15 anos, quando partiu para Salvador para estudar, se deu em um momento turbulento. Seus pais, \u00c1urea e Fernando, tocavam a fazenda desde a d\u00e9cada de 1970, quando \u00c1urea a recebeu de heran\u00e7a do pai. \u201cA gente vivia no Rio de Janeiro na \u00e9poca. Mas eu sonhava em voltar, andar a cavalo e chupar cacau no p\u00e9\u201d, relembra \u00c1urea. <\/p>\n<p>Ela e o marido tentavam reconstruir o plantio no p\u00f3s-vassoura-de-bruxa e, como todos os agricultores que decidiram ficar, enfrentavam s\u00e9rios problemas financeiros. \u201cFoi uma situa\u00e7\u00e3o muito avassaladora, de terrorismo ecol\u00f3gico na regi\u00e3o. Eu sentia que meu pai precisava de ajuda\u201d, conta Patr\u00edcia, que at\u00e9 ent\u00e3o tinha uma empresa gr\u00e1fica em Salvador.<br \/>\nPrimeiro, a fam\u00edlia tirou proveito do sistema cabruca para cultivar outras frutas e produzir polpas. Na busca por agregar valor \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, inspirada pelas experi\u00eancias da m\u00e3e fazendo chocolate em casa, veio a ideia de um novo neg\u00f3cio. Era a g\u00eanese do Modaka, oficializado em 2012. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/modak.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"188\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1458\" \/><\/p>\n<p>Essa \u00e9 a mistura do Brasil com a \u00cdndia<br \/>\nPara os hindus, Ganesha \u00e9 o deus com rosto de elefante e quatro bra\u00e7os, removedor de obst\u00e1culos negativos e protetor de todos os seres. Nas representa\u00e7\u00f5es divinas, com a m\u00e3o esquerda de baixo ele oferece um doce feito de leite e arroz tostado. O Modaka representa a plenitude de quem percorre um caminho de disciplina e autoconhecimento. <\/p>\n<p>Disciplina e autoconhecimento s\u00e3o basicamente a descri\u00e7\u00e3o do que a fam\u00edlia Viana Lima precisou ter para n\u00e3o encerrar sua saga com o cacau. Pela simbologia \u2013 e pela afinidade de Patr\u00edcia com o Yoga, a marca de chocolate emprestou o nome da cortesia de Ganesha.   <\/p>\n<p>A fazenda j\u00e1 tinha todas as certifica\u00e7\u00f5es para fabricar o cacau. S\u00f3 que Patr\u00edcia quis tomar um rumo diferente, inspirada na filosofia de produ\u00e7\u00e3o familiar org\u00e2nica e alimento como promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade. A fazenda entrou para a cooperativa Cabruca, liderada por estrangeiros, que apoia produtores org\u00e2nicos e intermedeia exporta\u00e7\u00f5es principalmente para a Europa.<br \/>\nOs chocolates Modaka v\u00eam de am\u00eandoas cultivadas sem o uso de defensivos, em planta\u00e7\u00f5es cabruca, aliadas da preserva\u00e7\u00e3o do ecossistema da Mata Atl\u00e2ntica. \u201cIsso \u00e9 origem. Nosso chocolate \u00e9 uma forma de contar nossa hist\u00f3ria, no que acreditamos. Acreditamos que \u00e9 poss\u00edvel produzir de maneira sustent\u00e1vel e que o nosso chocolate \u00e9 sa\u00fade\u201d, diz Patr\u00edcia.<br \/>\n<figure id=\"attachment_1459\" aria-describedby=\"caption-attachment-1459\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/cacau-modaka-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" class=\"size-medium wp-image-1459\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/cacau-modaka-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/cacau-modaka.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1459\" class=\"wp-caption-text\">O chocolate \u00e9 delas: Patr\u00edcia e \u00c1urea deram novos rumos hist\u00f3ria da fami\u00edlia<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p>Al\u00e9m das barras de cacau 70% &#8211; puras ou temperadas com caf\u00e9, sal rosa, pimenta -, a marca comercializa nibs e am\u00eandoas pecaminosamente caramelizadas. Inven\u00e7\u00e3o de dona \u00c1urea.<\/p>\n<p>Tem saga em Sagarana <\/p>\n<p>O Salon du Chocolat \u00e9 maior evento internacional de chocolate. Acontece em Paris anualmente e re\u00fane grandes chocolatiers, ind\u00fastrias e produtores de cacau. Em 2008, o baiano Henrique Silva circulava no evento querendo aprender e ter ideias. Fazia um ano que ele, um neto do cacau, havia comprado a pr\u00f3pria fazenda, no sop\u00e9 de um dos morros de Coaraci.<br \/>\nA  aquisi\u00e7\u00e3o da Sagarana foi um ato de amor e teimosia. J\u00e1 fazia 20 anos que o Sul da Bahia tentava se reerguer dos estragos da vassoura-de-bruxa e Henrique testemunhou a devasta\u00e7\u00e3o nas propriedades da fam\u00edlia, em Uru\u00e7uca, onde surgiram os primeiros relatos da praga. Importou pouco. Ele quis a fazenda mesmo assim.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sagarana-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1460\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sagarana-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sagarana-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sagarana-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sagarana-390x220.jpg 390w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sagarana.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Pensando em como reinventar o neg\u00f3cio do cacau, ele visitou o Salon tr\u00eas vezes. Em 2008, ele aprendeu. Em 2009, levou dois quilos de am\u00eandoas de cacau maranh\u00e3o e as presenteou ao famoso chocolatier Stephanne Bonnat. Em 2010, chegou com uma barra de chocolate pronta, estampada com a marca Sagarana \u2013 chocolate de origem. <\/p>\n<p>O Bonnat passou na frente do stand e mostrei a ele o Sagarana. Ele provou e disse que t\u00ednhamos feito um bom chocolate. &#8216;Qual cacau usaram\u2019, perguntou. Eu disse que era o mesmo cacau maranh\u00e3o que havia dado para ele no ano anterior. Ele achava que o maranh\u00e3o tinha sido extinto pela vassoura\u201d, conta, orgulhoso.  O franc\u00eas encomendou 300kg do cacau naquele ano e com ele lan\u00e7ou uma barra single origin. Bonnat seguiu cliente. Em 2020 (antes da pandemia), comprou duas toneladas. <\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/E4hN7Yr9Xn4\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Eu tenho um sonho <\/p>\n<p>Na Sagarana, o cacau ainda \u00e9 pisado pelo homem. No caso, o homem \u00e9  Valdir, funcion\u00e1rio da fazenda que aprendeu com o pai a virar o cacau com os p\u00e9s. \u00c9 uma pr\u00e1tica quase extinta, mas Henrique quer preservar a tradi\u00e7\u00e3o. O cacau \u00e9 colhido bem cedo, no meio da mata que sobe as colinas de Coaraci.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sagarana-2-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1461\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sagarana-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sagarana-2-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sagarana-2.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Pra Henrique, esse \u00e9 o verdadeiro significado de uma indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. \u201cSe tem tradi\u00e7\u00e3o, se tem a sabedoria repassada a cada gera\u00e7\u00e3o, se essa combina\u00e7\u00e3o produz algo \u00fanico, tem indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica\u201d, avalia. <\/p>\n<p>A Sagarana tamb\u00e9m \u00e9 uma empresa tree-to-bar. A mat\u00e9ria-prima viaja at\u00e9 Ilh\u00e9us, onde funciona a pequena ind\u00fastria que Henrique mant\u00e9m com um s\u00f3cio. Dali saem diferentes blends. Desde o 42,5%<\/p>\n<p>A pandemia imp\u00f4s um novo golpe, com o fechamento das estradas e a suspens\u00e3o das atividades de restaurantes e confeitarias, principais compradores das barras de uso gastron\u00f4mico. S\u00f3 recentemente a f\u00e1brica voltou a operar. O jeito foi desbravar as redes sociais para manter os pedidos chegando.<br \/>\n<figure id=\"attachment_1462\" aria-describedby=\"caption-attachment-1462\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sagarana-3-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" class=\"size-medium wp-image-1462\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1462\" class=\"wp-caption-text\">Henrique Silva e Regina, na fazenda Sagarana, que batizou o chocolate tree-to-bar do casal<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p>\u201cO meu sonho \u00e9 ver o chocolate baiano sendo valorizado. N\u00f3s temos origem, temos tradi\u00e7\u00e3o no cultivo e agora temos esse desafio de sermos grandes produtores de chocolate. O nosso potencial de cacau fino \u00e9 enorme\u201d, avalia. <\/p>\n<p>Quando recebe algu\u00e9m na Sagarana, Henrique costuma dizer: \u201cSe veio e n\u00e3o voltar \u00e9 porque n\u00e3o gostou\u201d. Pouca gente foi uma vez s\u00f3. <\/p>\n<p>Chocolate \u00e9 uma quest\u00e3o de ousadia<br \/>\nN\u00e3o constava dos planos do qu\u00edmico farmac\u00eautico Jos\u00e9 Carlos Maltez ocupar a aposentadoria aprendendo a fazer ind\u00fastria. N\u00e3o mesmo. J\u00e1 bastavam os 30 anos chefiando um laborat\u00f3rio em Ilh\u00e9us.<br \/>\nMas se a vida seguisse os planos meticulosamente, n\u00e3o existiria o delicado chocolate que ele aprendeu a fazer para tirar a fazenda que herdou do pai \u201cdo fundo do po\u00e7o\u201d. Palavras dele. <\/p>\n<p>A Fazenda Limoeiro beira a estrada que liga Ilh\u00e9us a Itacar\u00e9. Foi a \u00fanica das tr\u00eas propriedades da fam\u00edlia, j\u00e1 na terceira gera\u00e7\u00e3o de cacauicultores, que escapou da venda nos anos 1980.<br \/>\nOs anos de seca e da vassoura-de-bruxa testaram a resili\u00eancia de Maltez. De uma produ\u00e7\u00e3o de 29 toneladas, a Limoeiro caiu a 734 quilos com a infesta\u00e7\u00e3o, somada a outras doen\u00e7as que atacam o cacau. <\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/r7-lHMnaxUs\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Quando a fazenda virou sua prioridade, a lavoura tentava se recuperar de uma sucess\u00e3o de erros na conten\u00e7\u00e3o do fungo e ele tentava n\u00e3o entregar os pontos com a conta no vermelho. \u201cPra mim, a sa\u00edda pra tirar a gente do fundo do po\u00e7o era verticalizar a produ\u00e7\u00e3o&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>Com incentivo de Raimundo Moror\u00f3, \u00e0 \u00e9poca pesquisador da Ceplac, muitos agricultores se aventuraram no mundo do chocolate.<br \/>\nComo muitos que viram o chocolate no fim do t\u00fanel, Maltez passou pelo trabalhoso processo de deixar de ser apenas agricultor para se tornar industrial, marqueteiro, especialista em log\u00edstica, design e tamb\u00e9m como o mercado de chocolate funciona. \u201cO chocolate \u00e9 um caminho gostoso, bonito, mas muito dif\u00edcil tamb\u00e9m\u201d, diz.<br \/>\n<figure id=\"attachment_1463\" aria-describedby=\"caption-attachment-1463\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/matez-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" class=\"size-medium wp-image-1463\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1463\" class=\"wp-caption-text\">Jos\u00e9 Carlos Maltez<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p>A Bahia superior<\/p>\n<p>A busca pela reinven\u00e7\u00e3o acentuou o desejo de obter uma indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. Tanto para valorizar o cacau baiano de qualidade no florescente mercado de chocolate premium feito no Brasil quanto para destacar os chocolates que come\u00e7avam a surgir na regi\u00e3o.  <\/p>\n<p>\u201cOra, se temos notoriedade, se temos um terroir privilegiado para produzir cacau, fazia todo sentido termos um indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica\u201d, defende Maltez. Segundo ele,  a IG tamb\u00e9m contribuiu muito para que se buscasse aumentar a qualidade do cacau, que sofreu muito com a vassoura. A IG nos ajudou a entender melhor como produzir com t\u00e9cnicas para apurar e liberar os aromas do cacau caracter\u00edsticos da nossa regi\u00e3o\u201d, explica. <\/p>\n<p>A fazenda tem um rinc\u00e3o dedicado a um experimento com o cacau trinin\u00e1rio \u2013 cruzamento entre os tipos forasteiro (amaz\u00f4nico) e criolo (das Am\u00e9ricas do Sul, Central e M\u00e9xico) \u2013 que \u00e9 mais resistente \u00e0 vassoura e altamente produtivo. Parte da produ\u00e7\u00e3o, Maltez revende para compradores de outros estados, inclusive a Dengo, e parte vai para a produ\u00e7\u00e3o do seu chocolate. <\/p>\n<p>Em barras ao leite, com caf\u00e9, em 70% e nos ousados 80% de cacau, a marca dele leva seu nome de fam\u00edlia. \u201cO chocolate n\u00e3o perdoa a m\u00e1 qualidade do cacau. A gente est\u00e1 conseguindo chegar l\u00e1.&#8221; Bahia Superior h\u00e1 de ser tamb\u00e9m um chocolate.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu vou contar uma hist\u00f3ria. Uma hist\u00f3ria de espantar.\u201d Jorge Amado, Terras do Sem-Fim, 1943 (Portal da Ind\u00fastria)- As estradas do Sul da Bahia recortam terras de gl\u00f3ria, sofrimento e reden\u00e7\u00e3o. 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