{"id":15342,"date":"2026-02-01T09:30:25","date_gmt":"2026-02-01T12:30:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/?p=15342"},"modified":"2026-02-01T12:10:22","modified_gmt":"2026-02-01T15:10:22","slug":"precos-do-cacau-o-outro-lado-da-moeda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/2026\/02\/01\/precos-do-cacau-o-outro-lado-da-moeda\/","title":{"rendered":"Pre\u00e7os do cacau: o outro lado da moeda"},"content":{"rendered":"<p>A Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Produtores de Cacau-ANPC, emitiu nota questionando a posi\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Ind\u00fastrias Processadores de Cacau-AIPC, que alega, entre outras coisas, que a importa\u00e7\u00e3o de cacau africano n\u00e3o impacta os pre\u00e7os do produto brasileiro.<\/p>\n<p>Veja a nota da ANPC:<\/p>\n<p>.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-12379\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/anpc.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"254\" \/><\/p>\n<p><em>A recente manifesta\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Ind\u00fastrias Processadoras de Cacau (AIPC) busca justificar a importa\u00e7\u00e3o de am\u00eandoas como uma necessidade estrat\u00e9gica. No entanto, os dados objetivos do setor revelam um cen\u00e1rio distinto daquele apresentado no discurso institucional.<\/em><\/p>\n<p><em>Enquanto a ind\u00fastria fala em \u201cdi\u00e1logo\u201d e \u201cinterdepend\u00eancia\u201d, o produtor brasileiro enfrenta um des\u00e1gio que, em determinados per\u00edodos, ultrapassa US$ 500 por tonelada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cota\u00e7\u00e3o da Bolsa de Nova York (ICE), mesmo ofertando uma das am\u00eandoas mais sustent\u00e1veis do mundo, produzida sob rigorosa legisla\u00e7\u00e3o ambiental e trabalhista.<\/em><\/p>\n<p>Em 2025 o des\u00e1gio ficou entre -2500,00 e -900,00 agora em 2026 est\u00e1 -900 \u00a0-800.<\/p>\n<ol>\n<li><em> O paradoxo do des\u00e1gio: se falta produto, por que o pre\u00e7o cai?<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>A tese da escassez \u00e9 economicamente incompat\u00edvel com a realidade dos pre\u00e7os internos. Nas safras 2024\/2025, o Brasil apresentou volumes relevantes de produ\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo em que o des\u00e1gio pago ao produtor permaneceu elevado.<\/em><\/p>\n<p><em>Em um mercado funcional, a falta de produto resulta em \u00e1gio (premium) para garantir o abastecimento. O que ocorre no Brasil \u00e9 o inverso: a importa\u00e7\u00e3o \u00e9 calcilada para al\u00e9m da moagem a ser realizada; visando neutralizar a valoriza\u00e7\u00e3o do cacau nacional, preservando margens industriais \u00e0 custa do produtor.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-15344\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PHOTO-2026-01-29-21-57-43-1.jpg\" alt=\"\" width=\"445\" height=\"297\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PHOTO-2026-01-29-21-57-43-1.jpg 765w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PHOTO-2026-01-29-21-57-43-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 445px) 100vw, 445px\" \/><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><em> Produ\u00e7\u00e3o versus moagem: o mito do d\u00e9ficit<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>A produ\u00e7\u00e3o brasileira de cacau est\u00e1 projetada entre 280 mil e 295 mil toneladas anuais, enquanto a moagem hist\u00f3rica da ind\u00fastria oscila entre 220 mil e 250 mil toneladas.<\/em><\/p>\n<p><em>Esses n\u00fameros colocam o Brasil no patamar t\u00e9cnico de autossufici\u00eancia em grande parte dos ciclos produtivos. O debate n\u00e3o \u00e9 sobre incapacidade de produzir, mas sobre excesso de capacidade industrial instalada e uso estrat\u00e9gico da importa\u00e7\u00e3o como instrumento de forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-15286\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/SOS-Cacau-9.jpeg\" alt=\"\" width=\"378\" height=\"217\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/SOS-Cacau-9.jpeg 765w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/SOS-Cacau-9-300x172.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 378px) 100vw, 378px\" \/><\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><em> Regime Drawback: estoque n\u00e3o \u00e9 urg\u00eancia<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O funcionamento do regime de drawback desmonta o argumento da necessidade emergencial. A legisla\u00e7\u00e3o permite que o cacau importado seja utilizado por at\u00e9 24 meses ap\u00f3s a exporta\u00e7\u00e3o do produto final, sem qualquer exig\u00eancia de consumo imediato.<\/em><\/p>\n<p><em>Seis meses de estoque seriam suficientes para atravessar eventuais oscila\u00e7\u00f5es de oferta. Dois anos caracterizam outra coisa: estrat\u00e9gia de mercado, utilizada como \u00e2ncora de pre\u00e7os para pressionar o valor pago ao produtor brasileiro, especialmente durante a safra.<\/em><\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><em> Menos moagem no Brasil n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Dados divulgados pela pr\u00f3pria ind\u00fastria indicam que a moagem de cacau no Brasil recuou cerca de 14,6%, enquanto a retra\u00e7\u00e3o registrada na Europa foi de aproximadamente 8,3% no mesmo per\u00edodo.<\/em><\/p>\n<p><em>A diferen\u00e7a \u00e9 expressiva demais para ser atribu\u00edda apenas \u00e0 desacelera\u00e7\u00e3o global da demanda. Ela aponta para uma compress\u00e3o deliberada da demanda dom\u00e9stica por am\u00eandoas nacionais, ampliando estoques no campo e for\u00e7ando o escoamento da produ\u00e7\u00e3o a pre\u00e7os inferiores aos do mercado internacional.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-15230\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PHOTO-2025-05-07-09-28-01-1.jpg\" alt=\"\" width=\"317\" height=\"295\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PHOTO-2025-05-07-09-28-01-1.jpg 765w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PHOTO-2025-05-07-09-28-01-1-300x279.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 317px) 100vw, 317px\" \/><\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><em> Capacidade ociosa no campo e o efeito do dumping indireto<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Existe capacidade produtiva ociosa relevante no campo, especialmente no Sul da Bahia e em outras regi\u00f5es tradicionais. \u00c1reas deixam de ser manejadas adequadamente, investimentos s\u00e3o postergados e parte do cacau sequer \u00e9 colhida porque o pre\u00e7o imposto n\u00e3o cobre os custos de produ\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Estimativas t\u00e9cnicas indicam que, com remunera\u00e7\u00e3o justa e previs\u00edvel, o Brasil poderia elevar sua produ\u00e7\u00e3o em cerca de 20% no curto prazo, apenas com recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas j\u00e1 produtivas. O problema n\u00e3o \u00e9 t\u00e9cnico nem clim\u00e1tico \u2014 \u00e9 econ\u00f4mico. O dumping indireto via importa\u00e7\u00e3o desestimula a produ\u00e7\u00e3o (e at\u00e9 colheita) nacional e perpetua uma depend\u00eancia artificial do produto externo.<\/em><\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><em> Rastreabilidade seletiva e a contradi\u00e7\u00e3o do discurso ESG<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Cerca de 70% do cacau mundial \u00e9 produzido em pa\u00edses da \u00c1frica Ocidental, onde o pre\u00e7o \u00e9 tabelado por estruturas estatais e h\u00e1 recorrentes alertas internacionais sobre desmatamento, restri\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade econ\u00f4mica e condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho.<\/em><\/p>\n<p><em>Pessoas s\u00e3o presas e cooperativas fechadas apenas por n\u00e3o vender seu fruto ao Estado.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 contradit\u00f3rio exigir do produtor brasileiro padr\u00f5es rigorosos de rastreabilidade, certifica\u00e7\u00e3o ambiental e conformidade social, enquanto esses crit\u00e9rios s\u00e3o relativizados na importa\u00e7\u00e3o. Sustentabilidade n\u00e3o pode ser seletiva. Se \u00e9 princ\u00edpio, deve valer para todos.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-15229\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PHOTO-2026-01-23-08-12-10-2.jpg\" alt=\"\" width=\"382\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PHOTO-2026-01-23-08-12-10-2.jpg 765w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PHOTO-2026-01-23-08-12-10-2-300x222.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 382px) 100vw, 382px\" \/><\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><em> Ren\u00fancia fiscal e o sacrif\u00edcio do elo que mais gera empregos<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Al\u00e9m do impacto sobre os pre\u00e7os pagos ao produtor, a pol\u00edtica de importa\u00e7\u00e3o via drawback imp\u00f5e um custo relevante ao pr\u00f3prio Estado brasileiro. Considerando os volumes m\u00e9dios importados, os pre\u00e7os internacionais e os tributos federais isentos (Imposto de Importa\u00e7\u00e3o, PIS, COFINS e IPI), estima-se que o Brasil deixe de arrecadar entre R$ 260 milh\u00f5es e R$ 400 milh\u00f5es por ano com a importa\u00e7\u00e3o de cacau em am\u00eandoas.<\/em><\/p>\n<p><em>Essa ren\u00fancia fiscal ocorre \u00e0 custa do setor que mais gera empregos na cadeia: a cacauicultura brasileira sustenta mais de 1 milh\u00e3o de postos de trabalho diretos e indiretos, majoritariamente em regi\u00f5es de baixo IDH e forte depend\u00eancia da renda rural.<\/em><\/p>\n<p><em>A pergunta que se imp\u00f5e \u00e9 simples e leg\u00edtima: por que o elo que mais gera emprego, renda local e preserva\u00e7\u00e3o ambiental deve ser sacrificado para sustentar margens industriais beneficiadas por isen\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria?<\/em><\/p>\n<p><em>Conclus\u00e3o: sustentabilidade exige paridade, coer\u00eancia e justi\u00e7a econ\u00f4mica<\/em><\/p>\n<p><em>A sustentabilidade da cadeia do cacau no Brasil n\u00e3o ser\u00e1 constru\u00edda por meio de notas oficiais que relativizam distor\u00e7\u00f5es evidentes do mercado. Ela exige paridade real com a Bolsa internacional, previsibilidade, respeito \u00e0 sanidade vegetal e coer\u00eancia fiscal.<\/em><\/p>\n<p><em>O produtor brasileiro n\u00e3o pede protecionismo. Pede jogo limpo, remunera\u00e7\u00e3o justa e pol\u00edticas p\u00fablicas que reconhe\u00e7am quem sustenta a base produtiva, social e ambiental do setor.<\/em><\/p>\n<p><em>Interdepend\u00eancia verdadeira n\u00e3o se afirma em discurso \u2014 ela se comprova no pre\u00e7o pago a quem planta, cuida e sustenta o cacau brasileiro.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8212;<\/em><\/p>\n<p><em>Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Produtores de Cacau \u2013 ANPC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Produtores de Cacau-ANPC, emitiu nota questionando a posi\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Ind\u00fastrias Processadores de Cacau-AIPC, que alega, entre outras coisas, que a importa\u00e7\u00e3o de cacau africano n\u00e3o impacta os pre\u00e7os do produto brasileiro. Veja a nota da ANPC: . 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