{"id":16281,"date":"2026-03-20T15:30:28","date_gmt":"2026-03-20T18:30:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/?p=16281"},"modified":"2026-03-20T09:44:44","modified_gmt":"2026-03-20T12:44:44","slug":"costa-do-marfim-pequeno-pais-gigante-na-producao-mundial-de-cacau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/2026\/03\/20\/costa-do-marfim-pequeno-pais-gigante-na-producao-mundial-de-cacau\/","title":{"rendered":"Costa do Marfim: pequeno pa\u00eds, gigante na produ\u00e7\u00e3o mundial de cacau"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Givaldo Ferreira Couto<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-16283\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/PHOTO-2026-03-20-09-15-39-224x300.jpg\" alt=\"\" width=\"174\" height=\"233\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/PHOTO-2026-03-20-09-15-39-224x300.jpg 224w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/PHOTO-2026-03-20-09-15-39.jpg 747w\" sizes=\"(max-width: 174px) 100vw, 174px\" \/>Entre o Atl\u00e2ntico e as savanas africanas estende-se uma vasta \u00e1rea cultivada com cacaueiros, ocupando aproximadamente 3,8 milh\u00f5es de hectares, respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de cerca de 1,89 milh\u00e3o de toneladas de am\u00eandoas de cacau (FAOSTAT, 2025). A Costa do Marfim, com extens\u00e3o territorial de 318.000 km\u00b2 (Worldometer, 2026), inferior \u00e0 do Estado da Bahia, \u00e9 um pa\u00eds africano predominantemente agr\u00e1rio. Sua economia encontra-se fortemente ancorada no setor prim\u00e1rio, que constitui a principal base de forma\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto e sustenta a posi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds como maior produtor mundial de cacau.<\/p>\n<p>A coloniza\u00e7\u00e3o francesa na Costa do Marfim deixou como legado, al\u00e9m de baixos indicadores socioecon\u00f4micos, o idioma franc\u00eas e a denomina\u00e7\u00e3o C\u00f4te d\u2019Ivoire, nome oficial do pa\u00eds que abriga uma popula\u00e7\u00e3o estimada em 33.494.346 de habitantes e densidade demogr\u00e1fica de 105 habitantes por km\u00b2 (Worldometer, 2026).<\/p>\n<p>As atividades do setor prim\u00e1rio em C\u00f4te d\u2019Ivoire possuem maior relev\u00e2ncia econ\u00f4mica que as do setor industrial. Ainda assim, o pa\u00eds integra o ranking dos cinquenta pa\u00edses mais pobres do mundo. A taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o, estimada em cerca de 43% da popula\u00e7\u00e3o adulta, evidencia elevados n\u00edveis de analfabetismo, atingindo aproximadamente 57% da popula\u00e7\u00e3o (IndexMundi, 2026). Esse quadro social reflete-se tamb\u00e9m no baixo \u00cdndice de Desenvolvimento Humano e no elevado \u00edndice de pobreza multidimensional observados no pa\u00eds (DadosMundiais, 2026).<\/p>\n<p>Enquanto no Brasil a popula\u00e7\u00e3o urbana corresponde a 87,4% e a rural a 12,6% (IBGE, 2022), na Costa do Marfim mais de 50% dos habitantes ainda residem no meio rural. Esse quadro nos remete ao que ocorreu no Brasil quando o pa\u00eds apresentava predomin\u00e2ncia agr\u00e1ria, antes do processo de industrializa\u00e7\u00e3o impulsionado pelo Plano de Metas e pelas pol\u00edticas desenvolvimentistas. Um dos\u00a0 efeitos mais marcantes da industrializa\u00e7\u00e3o \u00e9 a migra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o do campo para os centros urbanos, dando continuidade a um processo hist\u00f3rico de urbaniza\u00e7\u00e3o que se intensificou a partir da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial.<\/p>\n<p>Dessa forma, a perman\u00eancia de grande parte da popula\u00e7\u00e3o no meio rural, associada ao baixo n\u00edvel de industrializa\u00e7\u00e3o e \u00e0 forte depend\u00eancia do setor prim\u00e1rio, ajuda a explicar a centralidade da cacauicultura na economia da Costa do Marfim, atividade que sustenta a posi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds como maior produtor mundial de am\u00eandoas de cacau.<\/p>\n<p>At\u00e9 1975, o Brasil liderou a produ\u00e7\u00e3o mundial de cacau, ocupando a posi\u00e7\u00e3o de maior produtor de am\u00eandoas. Em 1961, enquanto a produ\u00e7\u00e3o brasileira alcan\u00e7ava 155.901 toneladas,\u00a0 Costa do Marfim produzia 85.000 toneladas, o equivalente a aproximadamente 54% da produ\u00e7\u00e3o do Brasil. A partir de 1976, C\u00f4te d\u2019Ivoire passou a liderar a produ\u00e7\u00e3o mundial da commodity (FAO, 2025).<\/p>\n<p>A <strong>Tabela 1<\/strong> evidencia a evolu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de cacau na Costa do Marfim e, em contraste, a estagna\u00e7\u00e3o \u2014 e em certa medida o decl\u00ednio relativo \u2014 da cacauicultura brasileira, que perdeu a hegemonia mundial para um pa\u00eds com baixos indicadores socioecon\u00f4micos.<\/p>\n<p>Tabela 1: Produ\u00e7\u00e3o de cacau no Brasil e na Costa do Marfim: evolu\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a da lideran\u00e7a mundial (1961\u20132024)<\/p>\n<table width=\"595\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"94\">Ano<\/td>\n<td width=\"217\">Produ\u00e7\u00e3o do Brasil (toneladas)<\/td>\n<td width=\"284\">Produ\u00e7\u00e3o de Costa do Marfim (toneladas)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"94\">1961<\/td>\n<td width=\"217\">155.901<\/td>\n<td width=\"284\">85.000<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"94\">1965<\/td>\n<td width=\"217\">160.826<\/td>\n<td width=\"284\">121.772<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"94\">1975<\/td>\n<td width=\"217\">297.504<\/td>\n<td width=\"284\">231.136<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"94\">1980<\/td>\n<td width=\"217\">319.141<\/td>\n<td width=\"284\">417.222<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"94\">1986<\/td>\n<td width=\"217\">459.477<\/td>\n<td width=\"284\">610.980<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"94\">2024<\/td>\n<td width=\"217\">297.509<\/td>\n<td width=\"284\">1.890.442<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>Fonte:<\/strong><strong> FAOSTAT \u2013 Base de Dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO). Dados compilados e elaborados pelo autor.<\/strong><\/p>\n<p>Esse avan\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o marfinense n\u00e3o parece estar associado a diferen\u00e7as significativas de produtividade ou ao uso mais intensivo de tecnologia, uma vez que os n\u00edveis de rendimento por hectare s\u00e3o relativamente semelhantes entre os dois pa\u00edses. O principal fator de expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o naquele pa\u00eds tem sido, sobretudo, o avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola do cacau, que ocupa cerca de 12% do territ\u00f3rio nacional, com aproximadamente quatro milh\u00f5es de hectares cultivados.<\/p>\n<p>Em uma compara\u00e7\u00e3o entre a Costa do Marfim e o estado da Bahia, observa-se que a extens\u00e3o territorial daquele pa\u00eds corresponde a aproximadamente 56% da \u00e1rea baiana, embora<\/p>\n<p>possua uma popula\u00e7\u00e3o superior em mais de 100%. Apenas a popula\u00e7\u00e3o rural da Costa do Marfim j\u00e1 supera o total da popula\u00e7\u00e3o \u2014 urbana e rural \u2014 do estado da Bahia. Al\u00e9m disso, a popula\u00e7\u00e3o rural marfinense tamb\u00e9m ultrapassa o contingente de habitantes do meio rural dos estados do Par\u00e1 e da Bahia que, juntos, respondem por cerca de 91% da produ\u00e7\u00e3o brasileira de cacau .<\/p>\n<p>Para concluir, torna-se pertinente uma reflex\u00e3o sobre os fatores que levaram a popula\u00e7\u00e3o marfinense, historicamente submetida a condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas adversas, a apostar na cacauicultura como alternativa diante das dificuldades de sobreviv\u00eancia. C\u00f4te d\u2019Ivoire \u00e9 um pa\u00eds caracterizado por forte predomin\u00e2ncia rural, com mais de 50% de sua numerosa popula\u00e7\u00e3o vivendo no meio rural.<\/p>\n<p>O valor atual do sal\u00e1rio-m\u00ednimo em C\u00f4te d\u2019Ivoire, equivalente a 75.000 francos CFA \u2014 cerca de US$ 127 ao c\u00e2mbio corrente \u2014, contrasta com o sal\u00e1rio-m\u00ednimo brasileiro,\u00a0 superior a US$ 300, o que contribui para explicar o maior custo de produ\u00e7\u00e3o do cacau no Brasil. Diante do limitado crescimento dos demais setores econ\u00f4micos, o setor prim\u00e1rio consolidou-se como a principal \u2014 e, em muitos casos, \u00fanica \u2014 alternativa de gera\u00e7\u00e3o de emprego, renda e arrecada\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o e para o pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Valen\u00e7a, (BA), mar\u00e7o de 2026<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>DADOSMUNDIAIS.<\/strong> Os pa\u00edses mais pobres do mundo. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.dadosmundiais.com\/paises-mais-pobres.php\">https:\/\/www.dadosmundiais.com\/paises-mais-pobres.php<\/a>. Acesso em: 12 mar. 2026.<\/p>\n<p><strong>FAO \u2013 Food and Agriculture Organization of the United Nations.<\/strong> FAOSTAT: statistical database \u2013 cocoa beans production. Roma: FAO, 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.fao.org\/faostat\/\">https:\/\/www.fao.org\/faostat\/<\/a>. Acesso em: 14 mar. 2026.<\/p>\n<p><strong>INDEXMUNDI.<\/strong> Costa do Marfim \u2013 taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.indexmundi.com\/pt\/costa_do_marfim\/taxa_de_alfabetizacao.html\">https:\/\/www.indexmundi.com\/pt\/costa_do_marfim\/taxa_de_alfabetizacao.html<\/a>. Acesso em: 11 mar. 2026.<\/p>\n<p><strong>IPEA \u2013 Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada.<\/strong> IPEAData: base de dados macroecon\u00f4micos. Bras\u00edlia: IPEA, 2026. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.ipeadata.gov.br\">http:\/\/www.ipeadata.gov.br<\/a>. Acesso em: 12 mar. 2026.<\/p>\n<p><strong>WORLDOMETER.<\/strong> C\u00f4te d\u2019Ivoire population. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.worldometers.info\/world-population\/cote-d-ivoire-population\">https:\/\/www.worldometers.info\/world-population\/cote-d-ivoire-population<\/a>. Acesso em: 13 mar. 2026.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Givaldo Ferreira Couto Entre o Atl\u00e2ntico e as savanas africanas estende-se uma vasta \u00e1rea cultivada com cacaueiros, ocupando aproximadamente 3,8 milh\u00f5es de hectares, respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de cerca de 1,89 milh\u00e3o de toneladas de am\u00eandoas de cacau (FAOSTAT, 2025). 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