{"id":16875,"date":"2026-04-29T11:30:48","date_gmt":"2026-04-29T14:30:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/?p=16875"},"modified":"2026-04-28T11:41:12","modified_gmt":"2026-04-28T14:41:12","slug":"cacau-alem-do-chocolate-pesquisa-na-bahia-transforma-residuos-em-bioprodutos-e-aponta-novo-modelo-de-bioeconomia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/2026\/04\/29\/cacau-alem-do-chocolate-pesquisa-na-bahia-transforma-residuos-em-bioprodutos-e-aponta-novo-modelo-de-bioeconomia\/","title":{"rendered":"Cacau al\u00e9m do chocolate: pesquisa na Bahia transforma res\u00edduos em bioprodutos e aponta novo modelo de bioeconomia"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um conjunto de pesquisas conduzidas no sul da Bahia est\u00e1 reposicionando o cacau no cen\u00e1rio cient\u00edfico e industrial brasileiro. Tradicionalmente explorado pela am\u00eandoa, base da produ\u00e7\u00e3o de chocolate, o fruto passa a ser investigado como uma matriz complexa de biomassa, com potencial para gerar insumos em diferentes cadeias produtivas, da alimenta\u00e7\u00e3o \u00e0 energia.<\/p>\n<p>A iniciativa \u00e9 liderada pelo Instituto Federal Baiano (IF Baiano), em parceria com a Cooperativa de Servi\u00e7os Sustent\u00e1veis da Bahia (COOPESBA), a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), o Instituto de Tecnologia, Inova\u00e7\u00e3o e Biotecnologia do Sul da Bahia (INTBIO) e institui\u00e7\u00f5es de ensino t\u00e9cnico. O objetivo \u00e9 transformar fra\u00e7\u00f5es historicamente subutilizadas, como casca, mel, pel\u00edcula e endocarpo, em biocompostos com aplica\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, cerca de 92% do cacau ainda \u00e9 descartado ap\u00f3s a retirada da am\u00eandoa. Esse volume representa n\u00e3o apenas perda econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m um passivo ambiental. O projeto busca reverter esse cen\u00e1rio ao propor o aproveitamento integral do fruto.<\/p>\n<p>\u201cEstamos demonstrando que esse material residual pode ser convertido em produtos de alto valor agregado. O conceito \u00e9 transformar o sistema produtivo do cacau em uma biorrefinaria\u201d, afirma o coordenador do projeto, professor Ivan Pereira, do IF Baiano.<\/p>\n<p><strong>Fracionamento da biomassa e gera\u00e7\u00e3o de insumos<\/strong><\/p>\n<p>No centro da pesquisa est\u00e1 o fracionamento da biomassa lignocelul\u00f3sica presente principalmente na casca do cacau. Esse processo permite a separa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas componentes estruturais: celulose, hemicelulose e lignina, cada um com aplica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.<\/p>\n<p>A celulose pode ser convertida em etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o, um biocombust\u00edvel produzido a partir de res\u00edduos vegetais. A hemicelulose pode ser utilizada na produ\u00e7\u00e3o de xilitol, um ado\u00e7ante de interesse alimentar. J\u00e1 a lignina apresenta potencial para a gera\u00e7\u00e3o de compostos com atividade antioxidante.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-16878\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/PHOTO-2026-04-24-08-25-25-2.jpg\" alt=\"\" width=\"197\" height=\"428\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/PHOTO-2026-04-24-08-25-25-2.jpg 442w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/PHOTO-2026-04-24-08-25-25-2-138x300.jpg 138w\" sizes=\"(max-width: 197px) 100vw, 197px\" \/><\/p>\n<p>\u201cEstamos trabalhando na valoriza\u00e7\u00e3o integral dessas fra\u00e7\u00f5es, com rotas tecnol\u00f3gicas que permitem sua aplica\u00e7\u00e3o em diferentes setores industriais\u201d, explica o professor Marcelo Franco, da UESC.<\/p>\n<p>P\u00f3s-doutor em Ci\u00eancia dos Alimentos e doutor em Qu\u00edmica, Franco lidera pesquisas voltadas ao reaproveitamento de subprodutos agroindustriais e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de compostos de alto valor agregado.<\/p>\n<p><strong>Tecnologias limpas e novos ingredientes<\/strong><\/p>\n<p>Outro eixo relevante da pesquisa envolve o desenvolvimento de m\u00e9todos sustent\u00e1veis de extra\u00e7\u00e3o de compostos bioativos. Entre eles est\u00e1 a extra\u00e7\u00e3o \u00f4hmica, que utiliza corrente el\u00e9trica para facilitar a libera\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias da matriz vegetal.<\/p>\n<p>\u201cEssa t\u00e9cnica permite extrair pectina sem o uso de solventes org\u00e2nicos, o que reduz impactos ambientais e melhora a efici\u00eancia do processo\u201d, afirma Franco.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-16877\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/PHOTO-2026-04-24-08-25-25-3.jpg\" alt=\"\" width=\"419\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/PHOTO-2026-04-24-08-25-25-3.jpg 687w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/PHOTO-2026-04-24-08-25-25-3-300x188.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 419px) 100vw, 419px\" \/><\/p>\n<p>A pectina, presente na casca do cacau, \u00e9 amplamente utilizada como agente gelificante na ind\u00fastria aliment\u00edcia. O mesmo material tamb\u00e9m pode ser aplicado na produ\u00e7\u00e3o de biopl\u00e1sticos e bioinsumos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>O mel de cacau, outra fra\u00e7\u00e3o pouco aproveitada, tamb\u00e9m vem sendo estudado.<\/p>\n<p>\u201cEle pode ser utilizado na formula\u00e7\u00e3o de bebidas funcionais e xaropes com baixo \u00edndice glic\u00eamico, al\u00e9m de servir como substituto de a\u00e7\u00facares em produtos aliment\u00edcios\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>Em parceria com institui\u00e7\u00f5es internacionais, os cientistas tamb\u00e9m investigam a produ\u00e7\u00e3o de compostos prebi\u00f3ticos, como frutooligossacar\u00eddeos e xilooligossacar\u00eddeos, por meio de processos enzim\u00e1ticos.<\/p>\n<p><strong>Avalia\u00e7\u00e3o ambiental e viabilidade econ\u00f4mica<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-16879\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/if-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"489\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/if-1.jpeg 563w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/if-1-169x300.jpeg 169w\" sizes=\"(max-width: 275px) 100vw, 275px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do desenvolvimento tecnol\u00f3gico, o projeto incorpora ferramentas de avalia\u00e7\u00e3o ambiental. A aplica\u00e7\u00e3o da An\u00e1lise de Ciclo de Vida permite mensurar impactos desde a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola at\u00e9 o processamento industrial.<\/p>\n<p>\u201cA an\u00e1lise ajuda a identificar pontos cr\u00edticos da cadeia produtiva, otimizar processos e agregar valor ambiental aos produtos\u201d, destaca Marcelo Franco.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o INTBIO atua como articulador estrat\u00e9gico na conex\u00e3o entre ci\u00eancia, inova\u00e7\u00e3o e desenvolvimento regional.<\/p>\n<p>\u201cA proposta \u00e9 consolidar o sul da Bahia como um polo de bioeconomia, integrando pesquisa, inova\u00e7\u00e3o e setor produtivo. O aproveitamento integral do cacau mostra que \u00e9 poss\u00edvel gerar valor econ\u00f4mico com responsabilidade ambiental e protagonismo territorial\u201d, afirma Caliana Mesquita, presidente do Instituto de Tecnologia, Inova\u00e7\u00e3o e Biotecnologia do Sul da Bahia (INTBIO).<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e inova\u00e7\u00e3o social<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-16881\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/if-2-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"216\" height=\"469\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/if-2-1.jpeg 461w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/if-2-1-138x300.jpeg 138w\" sizes=\"(max-width: 216px) 100vw, 216px\" \/><\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m se desdobra na forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de estudantes da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica t\u00e9cnica. No Centro Estadual de Educa\u00e7\u00e3o Profissional em Biotecnologia e Sa\u00fade, em Itabuna, alunos do ensino m\u00e9dio participam de projetos de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica voltados ao aproveitamento do cacau.<\/p>\n<p>\u201cTrabalhamos com foco na sustentabilidade e no uso de recursos naturais da regi\u00e3o. O cacau \u00e9 uma das principais bases das nossas pesquisas\u201d, afirma o professor Jorge Hamilton Sena Dias, docente de Qu\u00edmica do curso t\u00e9cnico em Biotecnologia, especialista em ensino de Ci\u00eancias e mestre em Ensino de Qu\u00edmica.<\/p>\n<p>Segundo ele, os estudantes j\u00e1 desenvolvem solu\u00e7\u00f5es com aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cO aproveitamento da casca e da am\u00eandoa tem gerado produtos que v\u00e3o de biofertilizantes a cosm\u00e9ticos e aplica\u00e7\u00f5es fitoter\u00e1picas. Conseguimos produzir uma pomada com a\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria a partir desses compostos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para o professor, a experi\u00eancia impacta diretamente a forma\u00e7\u00e3o dos estudantes.<\/p>\n<p>\u201cEsses projetos ampliam o interesse pela ci\u00eancia, promovem a participa\u00e7\u00e3o em feiras e fortalecem o v\u00ednculo com a cultura e a hist\u00f3ria da regi\u00e3o\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>Impacto na cadeia produtiva<\/strong><\/p>\n<p>Para a COOPESBA, o aproveitamento integral do cacau representa uma oportunidade concreta de diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para a agricultura familiar.<\/p>\n<p>\u201cEstamos criando novas possibilidades de renda sem ampliar \u00e1reas de cultivo. \u00c9 um modelo que alia sustentabilidade e inova\u00e7\u00e3o\u201d, afirma a presidente da cooperativa, Carine Assun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Perspectivas<\/strong><\/p>\n<p>A pr\u00f3xima fase do projeto prev\u00ea a implanta\u00e7\u00e3o de uma planta-piloto para valida\u00e7\u00e3o em escala semi-industrial. A meta \u00e9 desenvolver produtos com dossi\u00ea t\u00e9cnico completo, aptos para registro regulat\u00f3rio e inser\u00e7\u00e3o no mercado.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, o avan\u00e7o sinaliza uma mudan\u00e7a estrutural no setor.<\/p>\n<p>\u201cO cacau deixa de ser apenas mat\u00e9ria-prima para chocolate e passa a ser uma plataforma de desenvolvimento tecnol\u00f3gico e industrial\u201d, conclui Ivan Pereira.<\/p>\n<p><strong>Por Caliana Mesquita<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Por Caliana Mesquita,\u00a0 TV Cacau)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Um conjunto de pesquisas conduzidas no sul da Bahia est\u00e1 reposicionando o cacau no cen\u00e1rio cient\u00edfico e industrial brasileiro. Tradicionalmente explorado pela am\u00eandoa, base da produ\u00e7\u00e3o de chocolate, o fruto passa a ser investigado como uma matriz complexa de biomassa, com potencial para gerar insumos em diferentes cadeias produtivas, da alimenta\u00e7\u00e3o \u00e0 energia. 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