{"id":18194,"date":"2026-07-03T16:00:35","date_gmt":"2026-07-03T19:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/?p=18194"},"modified":"2026-07-03T11:17:28","modified_gmt":"2026-07-03T14:17:28","slug":"ufsb-ciencia-amescla-versus-vassoura-de-bruxa-pesquisa-busca-compostos-quimicos-contra-a-doenca-no-cacaueiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/2026\/07\/03\/ufsb-ciencia-amescla-versus-vassoura-de-bruxa-pesquisa-busca-compostos-quimicos-contra-a-doenca-no-cacaueiro\/","title":{"rendered":"UFSB Ci\u00eancia: Amescla versus vassoura-de-bruxa: pesquisa busca compostos qu\u00edmicos contra a doen\u00e7a no cacaueiro"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A doen\u00e7a chamada vassoura-de-bruxa deixou marcas profundas na economia do sul da Bahia, devido ao grande estrago na cadeia produtiva de cacau. Um estudo realizado por cientistas brasileiros investigou a atividade do \u00f3leo essencial da amescla, uma \u00e1rvore nativa da Mata Atl\u00e2ntica, com bons resultados contra o fungo causador da doen\u00e7a. \u00c9 um caminho poss\u00edvel para aumentar a sanidade das planta\u00e7\u00f5es com um produto seguro e efetivo a partir da biodiversidade local. Essa pesquisa j\u00e1 recebeu pr\u00eamios em eventos das \u00e1reas de biotecnologia e gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>Os resultados dessa pesquisa constam no artigo\u00a0<strong><em><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-026-49462-7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-026-49462-7&amp;source=gmail&amp;ust=1783173016954000&amp;usg=AOvVaw2X8JXMUACDzNzJHtstZURD\">Protium heptaphyllum, a tree native to the Atlantic Forest, is a potential source of compounds against important cocoa phytopathogen<\/a><\/em><\/strong>\u00a0[<em>Protium heptaphyllum<\/em>, uma \u00e1rvore nativa da Mata Atl\u00e2ntica, \u00e9 uma fonte potencial de compostos contra importante fitopat\u00f3geno do cacau]. O trabalho foi publicado na revista cient\u00edfica\u00a0<strong><em>Scientific Reports<\/em><\/strong>\u00a0(2026), da editora\u00a0<strong><em>Nature<\/em><\/strong>. A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 assinada por Carolina Fernandes Pereira Bandeira, Vinycius Reis Rocha, Monaliza Mac\u00eado Ferreira, Armanda Borges Pinto, Eduardo Almeida Costa, Janclei Pereira Coutinho, Hermanna Vanesca Viana de Oliveira, Ta\u00eds Ara\u00fajo Santos e Carlos Priminho Pirovani, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilh\u00e9us, Bahia; Janna\u00edna Velasques da Costa e Gabriel Borges Santos, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Ilh\u00e9us, Bahia; e Cl\u00e1udia Andrea Lima Cardoso, da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS), em Dourados, Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p><strong>Para conhecer a riqueza natural<\/strong><\/p>\n<p>Esse \u00e9 um estudo de bioprospec\u00e7\u00e3o molecular. Trata-se da busca sistem\u00e1tica de organismos e subst\u00e2ncias naturais que possam ter aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. O estudo tamb\u00e9m foi realizado com abordagem prote\u00f4mica, isto \u00e9, com an\u00e1lise global do conjunto de prote\u00ednas expressas por um organismo ou c\u00e9lula em determinada condi\u00e7\u00e3o. Esse tipo de pesquisa ajuda a encontrar compostos naturais at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos da ci\u00eancia, por vezes com base nos saberes populares. Com isso, se pode aproveitar o que a natureza oferece e usar esse saber de forma sustent\u00e1vel. H\u00e1 muitos compostos com m\u00faltiplas atividades biol\u00f3gicas, ou seja, podem servir para diversas aplica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"CToWUd a6T aligncenter\" tabindex=\"0\" title=\"Gabriel e a professora Janna\u00edna com um fruto de cacau afetado pela vassoura-de-bruxa. A expectativa com a descoberta \u00e9 aprimorar o combate ao fungo no cacaueiro (acervo professora Janna\u00edna Velasques da Costa)\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_NYG7Qg56JmPM5PzM0UQD-D95NB611Fcu0HCm41VtiCsPWVglCsuWfM6wxqrTi_dtwTK5rkRY6x_ImyxDp7mj_tOXbQc-oonVnVJFGauGh4UCm-gm8WmDYLqbVdNd4d9Y7K6b2MgmTFvpa8GwcVmRjgBasR_2nFYr5azpkkxs6TdFvwg8QRGkK1uX8gktpf4AyzvGOpCy9pBE7sSMYGMHGnP1nc9-Rgacw=s0-d-e1-ft#https:\/\/ufsb.edu.br\/images\/imagens_noticias\/2026\/Junho\/ufsb_ciencia_amescla_janaina_velasques_da_costa\/WhatsApp_Image_2026-06-29_at_19.57.39.jpeg\" alt=\"WhatsApp Image 2026 06 29 at 19.57.39\" width=\"255\" height=\"340\" data-bit=\"iit\" \/>Uma variedade deles \u00e9 a dos terpenoides, que funcionam nas vias de defesa e adapta\u00e7\u00e3o das plantas. As pesquisas que empregam a abordagem prote\u00f4mica ajudam a entender como alguns compostos agem. No caso da pesquisa da qual a professora Jannaina e o acad\u00eamico Gabriel participam, a ideia era entender como os terpenoides do \u00f3leo essencial da amescla, nome popular da esp\u00e9cie\u00a0<em>Protium heptaphyllum<\/em>\u00a0(Aubl.) Marchand, atuam contra o fungo\u00a0<em>Moniliophthora perniciosa<\/em>\u00a0(Stahel) Aime &amp; Phillips-Mora, que causa a doen\u00e7a da vassoura-de-bruxa no cacau (<em>Theobroma cacao L<\/em>). Mas n\u00e3o basta saber que funciona. \u00c9 essencial compreender melhor como esse \u00f3leo essencial age no metabolismo do fungo e se esse composto n\u00e3o \u00e9 t\u00f3xico contra plantas.<\/p>\n<p>A professora Janna\u00edna Velasques da Costa, vinculada ao\u00a0<a href=\"https:\/\/ufsb.edu.br\/cfcaf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/ufsb.edu.br\/cfcaf&amp;source=gmail&amp;ust=1783173016954000&amp;usg=AOvVaw3EjJNs65lM5DbiPcOsb8hc\"><strong>Centro de Forma\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Agroflorestais (CFCAF)<\/strong><\/a>\u00a0conta que a parceria de pesquisa com o professor Carlos Priminho Pirovani data da sua chegada a Ilh\u00e9us. O professor Carlos \u00e9 engenheiro agr\u00f4nomo e, na \u00e9poca, coordenava o PPG em Gen\u00e9tica e Biologia Molecular da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). &#8220;Somos dois apaixonados por bioqu\u00edmica e prote\u00f4mica e, desde o princ\u00edpio, t\u00ednhamos essa inten\u00e7\u00e3o de bioprospectar novas mol\u00e9culas para o controle de doen\u00e7as no cacaueiro. Professor Carlos Priminho \u00e9 uma sumidade na \u00e1rea, trabalha com bioprospec\u00e7\u00e3o de pept\u00eddeos e tem um laborat\u00f3rio de prote\u00f4mica no Centro de Biotecnologia e Gen\u00e9tica (CBG) e uma equipe multidisciplinar maravilhosa. Eu cheguei por aqui, uma ne\u00f3fila recem sa\u00edda de um P\u00f3s-Doutorado em Biotecnologia e sonhando em trabalhar com \u00f3leos essenciais de plantas da Mata Atl\u00e2ntica. Demorou uns anos at\u00e9 conseguirmos delinear essa linha de pesquisa e aparecer um aluno de doutorado disposto a desbravar um campo ainda desconhecido&#8221;, conta a pesquisadora.<\/p>\n<p>Ela explica que, nos primeiros anos dessa colabora\u00e7\u00e3o,\u00a0trabalhou na caracteriza\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e bioqu\u00edmica das esp\u00e9cies, com foco na \u00e1rea da sa\u00fade. Dentre as publica\u00e7\u00f5es, estavm os temas de controle de bact\u00e9rias resistentes e formadoras de biofilme. &#8220;At\u00e9 depositamos uma patente de uma composi\u00e7\u00e3o com o \u00f3leo essencial da amescla para controle desses microorganismos. Quando chegou o momento de testar atividade antif\u00fangica, n\u00e3o havia d\u00favidas de que dever\u00edamos iniciar pela amescla&#8221;, completa Janna\u00edna.<\/p>\n<p><strong>Um uso inovador para a amescla<\/strong><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<p>A pesquisa \u00e9 o primeiro estudo a investigar o potencial do\u00a0\u00f3leo essencial da amescla\u00a0contra fitopat\u00f3genos, especialmente contra\u00a0<em>M. perniciosa<\/em>, o fungo que causa a vassoura-de-bruxa e que devastou a produ\u00e7\u00e3o cacaueira no sul da Bahia na d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"CToWUd a6T aligncenter\" tabindex=\"0\" title=\"A oleorresina de amescla rec\u00e9m-coletada: apenas as \u00e1rvores adultas produzem essa mat\u00e9ria-prima (acervo professora Janna\u00edna Velasques da Costa)\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_NZRCpbtrKIGV2O8JtoiBrCM3o69aF2lAhI_duFepEoZv5DFuDk7vnB23vXi_Hwc14VqDcvYku9NyJrFZ0LxGv5C7yRsCOOP1ihShF-6owPgq_MposPcr5pDnddLVPV7cGJqAywEztYfAFE49HfOp9x0xOozUQ9gATn5x-fJyVPWZ6KdUjA307419DiLTcnks6vEXwUIt11Ni9-hmiQSCHO8dJEt2_UgKQ=s0-d-e1-ft#https:\/\/ufsb.edu.br\/images\/imagens_noticias\/2026\/Junho\/ufsb_ciencia_amescla_janaina_velasques_da_costa\/WhatsApp_Image_2026-06-29_at_20.14.11.jpeg\" alt=\"WhatsApp Image 2026 06 29 at 20.14.11\" width=\"243\" height=\"526\" data-bit=\"iit\" \/>A abordagem prote\u00f4mica adotada \u00e9 inovadora para entender como o \u00f3leo age contra o fungo.\u00a0No estudo, a equipe combinou ensaios antif\u00fangicos cl\u00e1ssicos com an\u00e1lise prote\u00f4mica quantitativa de alta resolu\u00e7\u00e3o (LC\/QTOF). Isso n\u00e3o s\u00f3 mediu como o \u00f3leo inibe o crescimento do fungo, mas explicou como isso acontece. Os resultados mostram que o \u00f3leo essencial da amescla afeta o metabolismo do fungo, com um n\u00edvel de detalhamento ainda pouco observado em estudos que analisam \u00f3leos essenciais na a\u00e7\u00e3o contra organismos que causam doen\u00e7as em plantas.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m avaliou a efic\u00e1cia e a seguran\u00e7a biol\u00f3gica do \u00f3leo essencial. Isso quer dizer que o composto passou por ensaios de fitotoxicidade com alface (<em>Lactuca sativa<\/em>). A fitotoxicidade de um composto indica o grau de preju\u00edzo que ele pode causar a plantas. No caso do estudo com \u00f3leo de amescla, os resultados forneceram informa\u00e7\u00f5es essenciais para a cria\u00e7\u00e3o de um fungicida sustent\u00e1vel e seguro para esp\u00e9cies vegetais.<\/p>\n<p>Outro ponto de destaque \u00e9 que o estudo\u00a0valoriza uma esp\u00e9cie nativa de um dos biomas mais amea\u00e7ados do planeta \u2014 a Mata Atl\u00e2ntica. O \u00f3leo de amescla tem potencial para ajudar no controle de doen\u00e7as do cacaueiro, o que \u00e9 uma inova\u00e7\u00e3o para a cadeia produtiva. E, ao mesmo tempo, \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o para a agenda de redu\u00e7\u00e3o do uso de pesticidas sint\u00e9ticos e para a promo\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas agr\u00edcolas de menor impacto ambiental.<\/p>\n<p>Para a professora Janna\u00edna, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o\u00a0fungicida sint\u00e9tico. Conforme ela, a pesquisa desenvolvida chegar\u00e1 ao ponto de criar uma formula\u00e7\u00e3o sint\u00e9tica. O problema \u00e9 o mecanismo de aquisi\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia por parte dos microorganismos. Esse processo \u00e9 mais r\u00e1pido e eficiente que o lan\u00e7amento de novos produtos no mercado, afirma a cientista: &#8220;Todo organismo vivo adquire resist\u00eancia, mas no caso de pat\u00f3genos, como v\u00edrus, bact\u00e9rias, fungos, pela velocidade geracional, essa resist\u00eancia \u00e9 ainda mais r\u00e1pida e soma-se aos fatores de sele\u00e7\u00e3o impostos pela presen\u00e7a de uma mol\u00e9cula alheia ao seu meio&#8221;.<\/p>\n<p>A cientista destaca ainda que qualquer mol\u00e9cula pode gerar &#8220;efeitos colaterais&#8221;, sendo ela sint\u00e9tica ou n\u00e3o. O mau uso de defensivos, por erro na dosagem ou no plano de aplica\u00e7\u00e3o, gera stress oxidativo na planta, que pode demorar a restabelecer seu equil\u00edbrio metab\u00f3lico. Em algumas situa\u00e7\u00f5es, isso leva \u00e0 fitotoxicidade (necrose, paraliza\u00e7\u00e3o do crescimento, abortamento de flores e frutos). Como detalha Janna\u00edna, &#8220;\u00f3leos essenciais podem ser definidos como uma composi\u00e7\u00e3o complexa de grupos qu\u00edmicos resultantes do metabolismo secund\u00e1rio das plantas, principalmente terpen\u00f3ides, que s\u00e3o hidrocarbonetos pequenos e insol\u00faveis em \u00e1gua. Por serem lipossol\u00faveis, costumam se ligar aos lip\u00eddeos da membrana celular, abrindo &#8216;buracos&#8217; e, por esse motivo, s\u00e3o excelentes candidatos para estudos de atividade sinergica com outros compostos fungicidas e bactericidas consagrados. Mas percebe que n\u00e3o \u00e9 porque ele \u00e9 natural que n\u00e3o levar\u00e1 a um efeito colateral?&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div role=\"group\" aria-label=\"Message actions\">\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Por que isso importa?<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"CToWUd a6T aligncenter\" tabindex=\"0\" title=\"A pesquisa realizada pela equipe que a professora Janna\u00edna coordena inclui outras esp\u00e9cies da Mata Atl\u00e2ntica, buscando revelar potenciais aplica\u00e7\u00f5es a partir da biodiversidade local (acervo professora Janna\u00edna Velasques da Costa)\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_NbJt_mhEMnG3k1RDdfdtwglkGjYY2zS0ZIFZJ17w5HNbV9f9PC1HqE32P7bDNYedDI4sXFsfP4XQCaeNibbMAO52Ff4kI_OG1CPu6l4KQ0UZyYejrETxedd2oZvauF4nu6QA-2Vdhdz6hbdkeEHXP_LlM5q7ESauIQlrhVLAsHCmyA-j4_BJ3qkdjrTQ3qHgO-K5Pmy4CAmmbY-rxMqZev5k8Ztg-veAQ=s0-d-e1-ft#https:\/\/ufsb.edu.br\/images\/imagens_noticias\/2026\/Junho\/ufsb_ciencia_amescla_janaina_velasques_da_costa\/WhatsApp_Image_2026-06-29_at_20.27.08.jpeg\" alt=\"WhatsApp Image 2026 06 29 at 20.27.08\" width=\"255\" height=\"340\" data-bit=\"iit\" \/>A amescla \u00e9 uma \u00e1rvore da\u00a0fam\u00edlia Burseraceae, com ampla capacidade de se adaptar a diferentes condi\u00e7\u00f5es ambientais (ecoplasticidade) e que ocorre em diversos biomas do Brasil, em especial na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. O \u00f3leo essencial da amescla est\u00e1 na resina, que \u00e9 liberada de forma espont\u00e2nea pelos galhos da planta. Essa resina arom\u00e1tica \u00e9 rica em \u00f3leos essenciais (OEs), com maioria de terpenos vol\u00e1teis na composi\u00e7\u00e3o. Dentre esses, est\u00e3o os monoterpenos (10C), que s\u00e3o compostos org\u00e2nicos de baixo peso molecular formados por duas unidades de isopreno (5C), muitas vezes respons\u00e1veis pelos aromas de plantas, e os sesquiterpenos (15C), que s\u00e3o compostos um pouco maiores e menos vol\u00e1teis que os monoterpenos.<\/p>\n<p>O \u00f3leo essencial da amescla j\u00e1 tem atividades biol\u00f3gicas importantes estudadas, como atividade antif\u00fangica contra esp\u00e9cies de\u00a0<em>Candida<\/em>, atividade larvicida, inseticida e vibriocida (capaz de matar vibri\u00f5es, bact\u00e9rias respons\u00e1veis por doen\u00e7as como a c\u00f3lera). Essas pesquisas anteriores focalizam como usar esses compostos em aplica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, com aten\u00e7\u00e3o especial para o combate a infec\u00e7\u00f5es bacterianas em humanos, incluindo microorganismos com resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos. O diferencial desse artigo est\u00e1 em estudar o potencial do \u00f3leo essencial da amescla contra organismos que causam doen\u00e7as em plantas. Em geral, esse composto ainda n\u00e3o tinha seus efeitos estudados nos casos de doen\u00e7as em culturas agr\u00edcolas importantes.<\/p>\n<p>E o cacau (<em>Theobroma cacao<\/em>\u00a0L.) \u00e9 um dos produtos agr\u00edcolas de alta relev\u00e2ncia econ\u00f4mica global mais estrat\u00e9gicos do mundo, sendo mat\u00e9ria-prima b\u00e1sica para as ind\u00fastrias de alimentos, de cosm\u00e9ticos e de medicamentos. Seu cultivo \u00e9 um pilar da agricultura familiar em pa\u00edses em desenvolvimento na \u00c1frica Ocidental e Am\u00e9rica Latina, e \u00e9 pe\u00e7a fundamental para a manuten\u00e7\u00e3o de sistemas agroflorestais, tais como a cabruca. Nesse sistema produtivo, o cacaueiro cresce \u00e0 sombra de \u00e1rvores nativas da Mata Atl\u00e2ntica. A cabruca serviu de base para a grande produ\u00e7\u00e3o de cacau no litoral sul-baiano em grande parte do s\u00e9culo XX, a ponto de ser a maior das Am\u00e9ricas. No come\u00e7o dos anos 1990, a cabruca abrigava cerca de 70% das \u00e1reas produtivas.<\/p>\n<p>Com a chegada da vassoura-de bruxa, esse cen\u00e1rio mudou. A\u00a0<em>Moniliophthora perniciosa<\/em>\u00a0(Stahel) Aime &amp; Phillips-Mora \u00e9 um fungo especializado em afetar os tecidos que agem no crescimento do cacaueiro. Por isso, afeta a produtividade de modo muito grave. O combate a esse problema \u00e9 feito com fungicidas sint\u00e9ticos. Por\u00e9m, o uso indiscriminado desses produtos causou contamina\u00e7\u00e3o ambiental e gerou cepas de fungos resistentes.<\/p>\n<p><strong>Como a pesquisa foi feita<\/strong><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-18195\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/vb-1.jpg\" alt=\"\" width=\"247\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/vb-1.jpg 750w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/vb-1-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 247px) 100vw, 247px\" \/>Para os testes, a equipe de cientistas usou amostra do isolado f\u00fangico <em>M. perniciosa<\/em>\u00a0(isolado 4923), obtido da Cole\u00e7\u00e3o de Fitopat\u00f3genos do Laborat\u00f3rio FITOMOL da Comiss\u00e3o Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), em Ilh\u00e9us, BA. J\u00e1 a oleorresina de amescla\u00a0foi coletada de troncos de \u00e1rvores adultas em Porto Seguro, BA (julho de 2022). Um esp\u00e9cime-voucher (como se chama o exemplar de refer\u00eancia depositado em herb\u00e1rio para fins de identifica\u00e7\u00e3o taxon\u00f4mica) foi depositado no Herb\u00e1rio CEPEC sob o n\u00famero 155924, e foi identificado pelo pesquisador Jomar Jardim.<\/p>\n<p>A partir da oleorresina, pesquisadores extra\u00edram o \u00f3leo essencial por hidrodestila\u00e7\u00e3o (t\u00e9cnica em que o material vegetal \u00e9 submetido a vapor d&#8217;\u00e1gua para volatilizar os componentes do \u00f3leo, que s\u00e3o ent\u00e3o condensados e separados). Os compostos do \u00f3leo foram identificados por\u00a0cromatografia gasosa acoplada \u00e0 espectrometria de massas (GC-MS) no Centro de Estudos de Recursos Naturais (CERNA) da UEMS, com compara\u00e7\u00e3o dos espectros de massa \u00e0s bibliotecas eletr\u00f4nicas NIST21 e WILEY229, para confirmar os dados.<\/p>\n<p>Depois, a equipe de cientistas testou diferentes concentra\u00e7\u00f5es do \u00f3leo essencial em culturas pr\u00f3prias para o fungo, de modo a calcular a Porcentagem de Inibi\u00e7\u00e3o do Crescimento (PIC). Esse indicador, como o nome sugere, permitiu avaliar a efic\u00e1cia de cada concentra\u00e7\u00e3o, com os dados sendo submetidos a tratamento estat\u00edstico computacional.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m mediu a permeabilidade da membrana celular do fungo ap\u00f3s cada tratamento com \u00f3leo de amescla. A t\u00e9cnica usada emprega um corante fluorescente, o iodeto de prop\u00eddio, que emite uma fluoresc\u00eanca vermelha quando em contato com c\u00e9lulas cujas membranas estejam danificadas. Essa t\u00e9cnica foi aplicada nas hifas, os filamentos do corpo do fungo. A concentra\u00e7\u00e3o de 0,8% de \u00f3leo de amescla foi aplicada \u00e0s hifas, que depois tiveram aplica\u00e7\u00e3o do corante. Quando houve fluoresc\u00eancia vermelha, a equipe de pesquisa interpretou esse sinal como de dano \u00e0 membrana e morte celular &#8211; o fungo morto pelo \u00f3leo de amescla.<\/p>\n<p>Saber que aquela concentra\u00e7\u00e3o mata o fungo \u00e9 parte da resposta. Ainda era preciso saber se aquela dosagem \u00e9 segura para esp\u00e9cies vegetais. Para isso, as mesmas dosagens do teste contra os fungos foram verificadas em sementes de alface da cultivar mimosa. Nessa fase, a equipe avaliou a porcentagem de germina\u00e7\u00e3o (dias 4 e 7) das sementes, o comprimento de raiz e parte a\u00e9rea, a massa fresca, a massa seca e a condutividade el\u00e9trica. Esta \u00faltima indica o grau de dano \u00e0 membrana da semente por meio da libera\u00e7\u00e3o de eletr\u00f3litos para a solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para concluir a busca por respostas nesse estudo, a equipe de pesquisadores fez a an\u00e1lise prote\u00f4mica. Mic\u00e9lios do fungo\u00a0<em>M. perniciosa<\/em>\u00a0foram tratados com 0,8% de OE por 8 dias, coletados em triplicata, lavados, liofilizados (desidratados por congelamento e sublima\u00e7\u00e3o) e macerados com nitrog\u00eanio l\u00edquido. As prote\u00ednas totais foram extra\u00eddas, quantificadas com o kit 2-D Quant (Cytiva) e separadas por eletroforese (SDS-PAGE). Para a identifica\u00e7\u00e3o por espectrometria de massas, os pept\u00eddeos (fragmentos de prote\u00ednas obtidos por digest\u00e3o enzim\u00e1tica) foram analisados por cromatografia l\u00edquida de alta performance (HPLC) acoplada a espectr\u00f4metro de massas do tipo quadrupolo\/tempo de voo (LC\/QTOF). As prote\u00ednas diferencialmente abundantes foram identificadas com crit\u00e9rios de p-valor &lt; 0,05 e fold-change &gt; 1,5 (varia\u00e7\u00e3o de abund\u00e2ncia de pelo menos 1,5 vez entre tratamento e controle). A anota\u00e7\u00e3o funcional foi feita pelo PANNZER e as redes de intera\u00e7\u00e3o prote\u00edna-prote\u00edna (PPI) foram constru\u00eddas no banco de dados STRING 11.5 e analisadas no software Cytoscape.<\/p>\n<p><strong>\u00d3leo essencial e seguro<\/strong><\/p>\n<p>A professora Janna\u00edna explica que a descoberta \u00e9 significativa por mostrar o potencial de novos produtos e tratamentos: &#8220;O que n\u00f3s descobrimos foi que \u00f3leo essencial n\u00e3o inibiu apenas o crescimento micelial, ele interferiu diretamente na modula\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas de regula\u00e7\u00e3o do fungo, destacando prote\u00ednas riboss\u00f4micas, prote\u00ednas estruturais, prote\u00ednas do metabolismo glicol\u00edtico e prote\u00ednas de resposta antioxidante. Compreender esse mecanismo de a\u00e7\u00e3o, tra\u00e7ar as vias de express\u00e3o, analisar o comportamento a campo fazem parte das pr\u00f3ximas etapas; mas concluir que produtos do metabolismo secund\u00e1rio (de defesa) de uma planta podem modular o proteoma de um pat\u00f3geno e inibir seu desenvolvimento, isso abre um leque de possibilidades gigantes&#8221;.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"CToWUd a6T aligncenter\" tabindex=\"0\" title=\"Gabriel e Janna\u00edna com amostras da oleorresina de amescla, antes da extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo essencial (acervo professora Janna\u00edna Velasques da Costa)\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_NZZQ4Zc97RpFs-1oFRSgJHSIY87agO7jc4H4ymPmajXOfEyhmXMwollOLO6aAEI1OdZ1z5mdSIL-cgMksjcmM2kR3aHqhZTH3bEWY5_Wl9vMqO02Rb8sskY46ZNaJTrwdOMrT4C2Uw6mIa6ATtdOwBRNwfauJepApETzhZEBmQIP2lupOFagE9rawe_uOIDZQmrCCL80FnmS9sKZKtZQesBQz13UmXC8A=s0-d-e1-ft#https:\/\/ufsb.edu.br\/images\/imagens_noticias\/2026\/Junho\/ufsb_ciencia_amescla_janaina_velasques_da_costa\/WhatsApp_Image_2026-06-29_at_19.58.34.jpeg\" alt=\"WhatsApp Image 2026 06 29 at 19.58.34\" width=\"238\" height=\"299\" data-bit=\"iit\" \/>O estudo permitiu saber a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do \u00f3leo essencial da amescla. Foram identificados\u00a0<strong>32 constituintes<\/strong>, predominantemente monoterpenos. Os compostos mais abundantes foram:\u00a0<strong>\u03b1-pineno<\/strong>\u00a0(39,57%),\u00a0<strong>\u03b4-<wbr \/>careno<\/strong>\u00a0(21,42%),\u00a0<strong>\u03b2-pineno<\/strong>\u00a0(9,<wbr \/>56%) e\u00a0<strong>sabineno<\/strong>\u00a0(8,90%). Os compostos presentes em menor propor\u00e7\u00e3o (acima de 1%) tamb\u00e9m s\u00e3o relevantes, pois podem atuar em sinergia com os constituintes majorit\u00e1rios, o que potencializa a atividade antif\u00fangica.<\/p>\n<p>No artigo, os autores apontam que esses resultados s\u00e3o consistentes com os padr\u00f5es descritos na literatura para a esp\u00e9cie. A variabilidade na composi\u00e7\u00e3o de OEs pode ser influenciada por fatores como localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, tipo de solo, est\u00e1gio fenol\u00f3gico (fase de desenvolvimento da planta) e m\u00e9todo de extra\u00e7\u00e3o. Outro detalhe \u00e9 que tanto \u03b1-pineno quanto \u03b2-pineno possuem formas enantiom\u00e9ricas (mol\u00e9culas que s\u00e3o imagens espelhadas uma da outra) que podem interagir entre si ou com outros compostos. Assim, podem contribuir para efeitos sin\u00e9rgicos e amplificar propriedades antimicrobianas e antif\u00fangicas.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m permitiu entender a composi\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas e as intera\u00e7\u00f5es entre elas.\u00a0O \u00f3leo da amescla apresentou a capacidade de inibir o crescimento do fungo em todas as concentra\u00e7\u00f5es testadas, de modo que quanto maior a concentra\u00e7\u00e3o, maior a efic\u00e1cia.\u00a0A maior concentra\u00e7\u00e3o testada in vitro (12,8%) resultou na maior atividade de inibi\u00e7\u00e3o, com a porcentagem de inibi\u00e7\u00e3o de crescimento chegando a\u00a073,8% no 12\u00ba dia de incuba\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa atividade se traduziu no comprometimento da integridade da membrana plasm\u00e1tica e morte das c\u00e9lulas do fungo atingidas pelo \u00f3leo essencial de amescla. No teste, as hifas tratadas com a concentra\u00e7\u00e3o de 0,8% de \u00f3leo essencial exibiram intensa colora\u00e7\u00e3o vermelha com PI, mais pronunciada que no controle (p \u2264 0,01). A an\u00e1lise quantitativa mostrou que cerca de\u00a0<strong>97% das hifas<\/strong>\u00a0tratadas com OE apresentaram fluoresc\u00eancia vermelha. Isso \u00e9 evid\u00eancia de danos \u00e0 membrana plasm\u00e1tica e morte celular.<\/p>\n<p>O mecanismo pelo qual o \u00f3leo de amescla afeta o fungo da monil\u00edase tamb\u00e9m ficou sendo conhecido. Os monoterpenos tendem a perturbar a fluidez, a integridade estrutural e a permeabilidade seletiva da membrana celular do fungo. O \u00f3leo de amescla tamb\u00e9m reprimiu a fun\u00e7\u00e3o da \u03b1-tubulina no desenvolvimento das hifas, j\u00e1 que os microt\u00fabulos e o citoesqueleto s\u00e3o componentes essenciais para o crescimento hiphal polarizado e a divis\u00e3o celular.<\/p>\n<p>Outra evid\u00eancia desse efeito do \u00f3leo de amescla no fungo foi a abund\u00e2ncia da enzima fosfoglicerato quinase (PGK), principal pe\u00e7a do processo de quebra da glicose para gera\u00e7\u00e3o de energia. Isso sugeriu intensifica\u00e7\u00e3o do fluxo de quebra de glicose como forma de compensar o estresse metab\u00f3lico causado pelo \u00f3leo de amescla.\u00a0Conforme a equipe de autores, esse padr\u00e3o \u00e9 consistente com estudos que demonstram que compostos de \u00f3leos essenciais podem desestabilizar a membrana plasm\u00e1tica, levando \u00e0 perda de ATP e ativa\u00e7\u00e3o de mecanismos compensat\u00f3rios de produ\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n<p>Prote\u00ednas de resposta a estresse e manuten\u00e7\u00e3o da proteostase (homeostase proteica \u2014 equil\u00edbrio entre s\u00edntese, dobramento e degrada\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas) tamb\u00e9m foram moduladas, incluindo peroxirredoxinas, prote\u00ednas de choque t\u00e9rmico (<em>heat shock proteins<\/em>) e chaperonas (prote\u00ednas que auxiliam no dobramento correto de outras prote\u00ednas). A supress\u00e3o de chaperonas associada \u00e0 regula\u00e7\u00e3o negativa do fator de elonga\u00e7\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o EF-1\u03b1 indica perturba\u00e7\u00e3o cr\u00edtica no eixo tradu\u00e7\u00e3o-dobramento proteico, que pode ser um dos mecanismos centrais pelo qual o OE exerce seu efeito antif\u00fangico.<\/p>\n<p>Outra informa\u00e7\u00e3o importante \u00e9 que nas concentra\u00e7\u00f5es testadas com sementes de alface, o \u00f3leo essencial de amescla teve perfil de seguran\u00e7a aceit\u00e1vel para uso agr\u00edcola.\u00a0Notou-se baixo efeito inibit\u00f3rio do desenvolvimento da alface\u00a0na maioria dos par\u00e2metros avaliados. A leve inibi\u00e7\u00e3o no comprimento da parte a\u00e9rea observada em todos os tratamentos pode ser atribu\u00edda \u00e0 atividade fitot\u00f3xica (toxicidade sobre plantas) conhecida de monoterpenos como \u03b1-pineno e \u03b2-pineno em concentra\u00e7\u00f5es elevadas. Contudo, n\u00e3o houve preju\u00edzos para a germina\u00e7\u00e3o nem o desenvolvimento das ra\u00edzes das plantas.<\/p>\n<p><strong>Produtos e mais estudos<\/strong><\/p>\n<p>A professora Janna\u00edna explica que os resultados j\u00e1 permitem planejar os testes em plantas inoculadas com o fungo. Uma parceria est\u00e1 sendo firmada com a\u00a0Universidad de San Martin, no Peru. O motivo \u00e9 o conhecimento j\u00e1 estabelecido da equipe daquela institui\u00e7\u00e3o sobre o protocolo de cultivo e inocula\u00e7\u00e3o do pat\u00f3geno. &#8220;Se tiv\u00e9ssemos que partir do zero e padronizar cada uma dessas etapas, que envolve cultivo dos basidiosp\u00f3ros, efici\u00eancia de inocula\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o de uma c\u00e2mara de crescimento, etc., muito tempo, energia e dinheiro seriam desperdi\u00e7ados. Para isso, parcerias com outras institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o fundamentais para avan\u00e7ar&#8221;, detalha a cientista.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"CToWUd a6T aligncenter\" tabindex=\"0\" src=\"https:\/\/ci3.googleusercontent.com\/meips\/ADKq_NZ4nD60iCOVD20qTpJc6D5ECtLfMhwZv37HpMZZPkjfRMsC7ma9OVUEtBBrwV74oncGk5vc1rv5CqHSFCVn_PGvCQ6rISJ50uDX7tj1CQh0octjPc-_MTowKQj4e_lph6KP258l8EnrC0zb8zCw4FVcZ0gRHn3-wnRpDUu5hMBM0H5rjRXzq-FoPAgABr0ShwPwHeAsVcR2x0xb4QQwOrt6YV80aY0EQw=s0-d-e1-ft#https:\/\/ufsb.edu.br\/images\/imagens_noticias\/2026\/Junho\/ufsb_ciencia_amescla_janaina_velasques_da_costa\/WhatsApp_Image_2026-06-29_at_20.38.19.jpeg\" alt=\"WhatsApp Image 2026 06 29 at 20.38.19\" width=\"261\" height=\"350\" data-bit=\"iit\" \/>A s\u00edntese de um composto a partir do \u00f3leo essencial da amescla \u00e9 inevit\u00e1vel, conforme a pesquisadora. Em primeiro lugar, a extra\u00e7\u00e3o de \u00f3leos essenciais de plantas tem baixo rendimento, pela pequena quantidade que cada planta produz. O rendimento da extra\u00e7\u00e3o nunca ultrapassa 13% &#8211; isso para a oleoresina da amescla que tem rendimento muito bom comparado a outras plantas. &#8220;Segundo, porque isso induziria a uma cat\u00e1strofe ambiental. Somente \u00e1rvores adultas produzem mat\u00e9ria prima em quantidade para a extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo, imagina at\u00e9 sistematizar um plantio econ\u00f4mico de amescla e atingir o ponto de coleta? In\u00fameras \u00e1rvores da floresta seriam abatidas.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m da amescla, outras esp\u00e9cies vegetais s\u00e3o pesquisadas pela equipe que a professora Janna\u00edna coordena. &#8220;Sim, estamos avan\u00e7ando na mesma linha com o \u00f3leo essencial da\u00a0<em>Schinus terebinthifolia\u00a0<\/em>[aroeira], da\u00a0<em>Ocimum gratissimum<\/em>\u00a0[manjeric\u00e3o] e agora vamos trazer a\u00a0<em>Necthandra oppositifolia<\/em>\u00a0para nosso time de plantas superpoderosas (risos).&#8221;<\/p>\n<p>As produ\u00e7\u00f5es da equipe v\u00eam acrescentando conhecimento sobre o potencial das esp\u00e9cies da Mata Atl\u00e2ntica.\u00a0Em 2022, foi realizado o dep\u00f3sito de patente do \u00f3leo essencial da amescla em sinergismo com polimixina para o controle de\u00a0<em>Klebsiella pneumoniae<\/em>\u00a0[bact\u00e9ria que causa pneumonia e outras infec\u00e7\u00f5es] resistente a carbapen\u00eamicos.\u00a0Em 2023, um artigo que descreve a associa\u00e7\u00e3o do \u00f3leo essencial do Ocimum com antibi\u00f3ticos para controle de bact\u00e9rias formadoras de biofilme foi publicado.\u00a0Em 2024, ocorreu a publica\u00e7\u00e3o de outro artigo que trata do uso do \u00f3leo da amescla no controle de bact\u00e9rias formadoras de biofilme.<\/p>\n<p>&#8220;Em 2025, um de meus orientados de mestrado no PPGSAB defendeu sua disserta\u00e7\u00e3o validando modelos computacionais com compostos do \u00f3leo essencial da\u00a0<em>Schinus<\/em>\u00a0para inibi\u00e7\u00e3o de uma prote\u00edna n\u00e3o estrutural do Sars-CoV2&#8243;, completa a professora Janna\u00edna. &#8220;Agora em 2026, saiu o primeiro resultado dos trabalhos com uso de \u00f3leos essenciais para controle da vassoura no cacau&#8221;. A expectativa \u00e9 de mais resultados em breve com a parceria com a Universidad San Martin, devido a testes do \u00f3leo essencial contra a monil\u00edase, outro pat\u00f3geno que vem tirando o sono dos agentes fitossanit\u00e1rios no Brasil.<\/p>\n<p>O estudo apresentado nesta mat\u00e9ria j\u00e1 recebeu premia\u00e7\u00f5es em eventos:<\/p>\n<ul>\n<li>Men\u00e7\u00e3o Honrosa \u2013 70\u00ba International Congress of the Brazilian Genetics Society, Bel\u00e9m-PA (apresenta\u00e7\u00e3o oral).<\/li>\n<li>1\u00ba Lugar, Categoria Biotecnologia \u2013 12\u00ba Simp\u00f3sio Brasileiro de \u00d3leos Essenciais. Manaus-AM (apresenta\u00e7\u00e3o de poster).<\/li>\n<li>3\u00ba Lugar, Inicia\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica \u2013 11\u00ba Congresso de Inicia\u00e7\u00e3o a Pesquisa, Cria\u00e7\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o, Ilh\u00e9us &#8211; BA (apresenta\u00e7\u00e3o de poster).<\/li>\n<li>1\u00ba Lugar, Agronomia \u2013 1\u00ba Simp\u00f3sio Baiano em Tecnologias de Cacau e Chocolate, Ilh\u00e9us \u2013 BA (apresenta\u00e7\u00e3o de poster).<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A doen\u00e7a chamada vassoura-de-bruxa deixou marcas profundas na economia do sul da Bahia, devido ao grande estrago na cadeia produtiva de cacau. Um estudo realizado por cientistas brasileiros investigou a atividade do \u00f3leo essencial da amescla, uma \u00e1rvore nativa da Mata Atl\u00e2ntica, com bons resultados contra o fungo causador da doen\u00e7a. \u00c9 um caminho &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18196,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[3,1],"tags":[6,2179,4188,971,763],"class_list":["post-18194","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-geral","tag-sul-da-bahia","tag-ufsb-ciencia","tag-univeesidade-estaduall-de-santa-cruz","tag-universidade-federal-do-sul-da-bahia","tag-vassoura-de-bruxa"],"views":21,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18194"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18194"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18194\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18197,"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18194\/revisions\/18197"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18196"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}