{"id":18318,"date":"2026-07-10T16:30:16","date_gmt":"2026-07-10T19:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/?p=18318"},"modified":"2026-07-10T11:52:58","modified_gmt":"2026-07-10T14:52:58","slug":"projeto-cacau-500-a-voz-dos-invisiveis-da-cacauicultura-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/2026\/07\/10\/projeto-cacau-500-a-voz-dos-invisiveis-da-cacauicultura-brasileira\/","title":{"rendered":"Projeto Cacau 500: a voz dos invis\u00edveis da cacauicultura brasileira"},"content":{"rendered":"<p>O Projeto Cacau 500 representa os invis\u00edveis do cacau e do chocolate. Representa os agricultores, as agricultoras, os pesquisadores, os extensionistas, os t\u00e9cnicos agr\u00edcolas, os trabalhadores rurais, os professores, os estudantes e todos aqueles que, durante d\u00e9cadas, constru\u00edram a hist\u00f3ria da cacauicultura brasileira, mas que, muitas vezes, permaneceram \u00e0 margem das grandes decis\u00f5es.<\/p>\n<p>O projeto nasce para suprir parte das necessidades dos produtores diante do enfraquecimento da assist\u00eancia t\u00e9cnica, da pesquisa, da extens\u00e3o rural e do ensino. O desmonte ou a perda de capacidade operacional de institui\u00e7\u00f5es como a CEPLAC, a EBDA, as EMARCs, das esta\u00e7\u00f5es experimentais distribu\u00eddas em diversos estados e dos laborat\u00f3rios de pesquisa provocou um enorme vazio na transfer\u00eancia de tecnologia, na gera\u00e7\u00e3o de conhecimento e no apoio permanente ao agricultor. Quem mais sofreu com esse processo foi justamente quem produz: o homem e a mulher do campo.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-18320\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/PHOTO-2026-07-10-11-44-47.jpg\" alt=\"\" width=\"352\" height=\"289\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/PHOTO-2026-07-10-11-44-47.jpg 702w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/PHOTO-2026-07-10-11-44-47-300x247.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 352px) 100vw, 352px\" \/><\/p>\n<p>Durante muitos anos, a cacauicultura brasileira tornou-se refer\u00eancia mundial porque existia uma s\u00f3lida estrutura p\u00fablica de pesquisa, assist\u00eancia t\u00e9cnica, extens\u00e3o rural e ensino. A CEPLAC consolidou-se como um dos maiores centros de pesquisa em cacau do mundo. A EBDA levou assist\u00eancia t\u00e9cnica aos agricultores em todas as regi\u00f5es da Bahia. As EMARCs formaram gera\u00e7\u00f5es de t\u00e9cnicos agr\u00edcolas comprometidos com o desenvolvimento rural. Esta\u00e7\u00f5es experimentais, fazendas experimentais, laborat\u00f3rios especializados, bibliotecas, bancos de germoplasma, viveiros de mudas, unidades demonstrativas e equipes multidisciplinares transformaram conhecimento cient\u00edfico em tecnologia aplicada ao campo.<\/p>\n<p>Foi essa rede de institui\u00e7\u00f5es que permitiu a forma\u00e7\u00e3o de uma das mais importantes escolas de cacauicultura tropical do planeta. Foi ela que levou tecnologia \u00e0s propriedades, combateu doen\u00e7as, aumentou a produtividade, preservou o sistema cabruca, fortaleceu a agricultura familiar e fez do Sul da Bahia uma refer\u00eancia internacional em produ\u00e7\u00e3o de cacau sob floresta.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-18321\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/PHOTO-2026-07-10-11-41-59.jpg\" alt=\"\" width=\"366\" height=\"214\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/PHOTO-2026-07-10-11-41-59.jpg 765w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/PHOTO-2026-07-10-11-41-59-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 366px) 100vw, 366px\" \/><\/p>\n<p>Entretanto, ao longo dos anos, boa parte dessa estrutura foi sendo reduzida, sucateada ou perdeu capacidade operacional. A diminui\u00e7\u00e3o dos investimentos p\u00fablicos, a redu\u00e7\u00e3o dos quadros t\u00e9cnicos, o enfraquecimento da assist\u00eancia t\u00e9cnica, o abandono de unidades experimentais e laborat\u00f3rios, al\u00e9m da descontinuidade de pol\u00edticas p\u00fablicas, criaram um vazio que atingiu diretamente quem mais precisava do Estado: o produtor rural.<\/p>\n<p>Quem sofreu n\u00e3o foi apenas uma institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quem sofreu foi o agricultor.<\/p>\n<p>Quem sofreu foi a pesquisa aplicada.<\/p>\n<p>Quem sofreu foi a extens\u00e3o rural.<\/p>\n<p>Quem sofreu foi a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Quem sofreu foi a pr\u00f3pria economia do cacau.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-16633\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cacau-500-2.jpg\" alt=\"\" width=\"353\" height=\"226\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cacau-500-2.jpg 580w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/cacau-500-2-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 353px) 100vw, 353px\" \/><\/p>\n<p>Foi justamente nesse cen\u00e1rio que surgiu o Projeto Cacau 500. N\u00e3o para substituir as institui\u00e7\u00f5es, mas para reacender uma chama que nunca deveria ter se apagado: a integra\u00e7\u00e3o entre pesquisa, assist\u00eancia t\u00e9cnica, extens\u00e3o rural, ensino e produ\u00e7\u00e3o. O projeto recupera a ess\u00eancia de uma \u00e9poca em que o conhecimento sa\u00eda dos laborat\u00f3rios, percorria as estradas de terra e chegava \u00e0s propriedades rurais pelas m\u00e3os de pesquisadores e extensionistas comprometidos com o desenvolvimento da cacauicultura.<\/p>\n<p>Essa forma de construir conhecimento encontra em Ivan Costa uma de suas maiores express\u00f5es. Nascido em Muritiba, no Rec\u00f4ncavo Baiano, terra de rica tradi\u00e7\u00e3o cultural, Ivan fez da extens\u00e3o rural sua miss\u00e3o de vida. Durante d\u00e9cadas percorreu as regi\u00f5es cacaueiras orientando agricultores, formando t\u00e9cnicos e demonstrando que a ci\u00eancia s\u00f3 cumpre plenamente sua fun\u00e7\u00e3o quando chega \u00e0s m\u00e3os de quem produz. Sua trajet\u00f3ria lembra, em sentido simb\u00f3lico, a de Ant\u00f4nio Conselheiro: n\u00e3o pelo contexto hist\u00f3rico ou pela natureza da miss\u00e3o, mas pela disposi\u00e7\u00e3o de caminhar entre as pessoas, reunir produtores em torno de uma causa e acreditar que as grandes transforma\u00e7\u00f5es come\u00e7am no territ\u00f3rio. Filho de uma regi\u00e3o que tamb\u00e9m se conecta ao legado de Castro Alves, do mestre Luiz Medicina e do cantor Vaqueirinho, Ivan representa uma tradi\u00e7\u00e3o baiana de homens que escolheram servir ao povo. N\u00e3o pela poesia, pela m\u00fasica ou pela cultura popular, mas pelo conhecimento, pela ci\u00eancia e pela dedica\u00e7\u00e3o ao agricultor. Esse esp\u00edrito de caminhar ao lado de quem produz \u00e9 um dos pilares que inspiram o Projeto Cacau 500.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-11514\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cacau-500-.jpeg\" alt=\"\" width=\"355\" height=\"321\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cacau-500-.jpeg 637w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/cacau-500--300x271.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 355px) 100vw, 355px\" \/><br \/>\nEnquanto muitas institui\u00e7\u00f5es governamentais permanecerem fechadas em suas pr\u00f3prias bolhas, distantes da realidade do produtor rural, continuar\u00e3o perdendo legitimidade perante a sociedade. Ci\u00eancia, pesquisa e ensino s\u00f3 cumprem plenamente sua miss\u00e3o quando dialogam com o territ\u00f3rio e respondem \u00e0s necessidades daqueles que sustentam a economia rural.<\/p>\n<p>As universidades do Sul da Bahia precisam compreender que sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria est\u00e1 profundamente ligada \u00e0 hist\u00f3ria da cacauicultura. A riqueza gerada pelo cacau, a luta dos produtores, o conhecimento acumulado pela pesquisa e pela extens\u00e3o rural criaram as condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento cient\u00edfico e educacional da regi\u00e3o. Institui\u00e7\u00f5es como a UESC e a UFSB n\u00e3o podem se distanciar desse legado.<\/p>\n<p>Mais do que formar profissionais, cabe \u00e0s universidades preservar a mem\u00f3ria da cacauicultura, valorizar os pesquisadores, extensionistas e produtores que constru\u00edram esse patrim\u00f4nio e fortalecer uma rela\u00e7\u00e3o permanente com a sociedade. Quando deixam de reconhecer sua pr\u00f3pria origem e de reverenciar aqueles que escreveram essa hist\u00f3ria, correm o risco de serem percebidas como institui\u00e7\u00f5es alheias ao territ\u00f3rio, incapazes de compreender sua identidade e seus desafios.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-13880\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/cacau-500@-7.jpg\" alt=\"\" width=\"327\" height=\"245\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/cacau-500@-7.jpg 765w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/cacau-500@-7-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 327px) 100vw, 327px\" \/><\/p>\n<p>Quem n\u00e3o se lembra de que, durante a implanta\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Sul da Bahia, a CEPLAC abriu suas portas e cedeu parte de sua estrutura para viabilizar a instala\u00e7\u00e3o da universidade? N\u00e3o foi apenas um gesto administrativo. Foi uma demonstra\u00e7\u00e3o concreta de compromisso com a educa\u00e7\u00e3o, a pesquisa e o desenvolvimento regional. Esse gesto simboliza um princ\u00edpio que jamais deveria ser perdido: institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas existem para cooperar, n\u00e3o para competir.<\/p>\n<p>O futuro da cacauicultura brasileira exige menos vaidades institucionais e mais coopera\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso reconstruir as pontes entre produtores, pesquisadores, extensionistas, universidades, empresas e poder p\u00fablico. O conhecimento produzido dentro das institui\u00e7\u00f5es precisa voltar a caminhar pelas estradas de terra, assim como a experi\u00eancia acumulada pelos agricultores deve orientar as agendas de pesquisa, inova\u00e7\u00e3o e desenvolvimento.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-18322\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/PHOTO-2026-07-10-11-44-30.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"177\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/PHOTO-2026-07-10-11-44-30.jpg 765w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/PHOTO-2026-07-10-11-44-30-300x107.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 495px) 100vw, 495px\" \/><\/p>\n<p>O Projeto Cacau 500 nasceu exatamente para construir essa ponte. Ele n\u00e3o pertence a uma \u00fanica institui\u00e7\u00e3o, nem a um \u00fanico grupo. Pertence aos produtores, aos pesquisadores comprometidos com resultados, aos estudantes, aos extensionistas, \u00e0s cooperativas, \u00e0s agroind\u00fastrias e a todos aqueles que acreditam que a ci\u00eancia s\u00f3 tem sentido quando melhora a vida das pessoas e fortalece quem produz.<\/p>\n<p>Porque os verdadeiros protagonistas dessa hist\u00f3ria nunca foram invis\u00edveis.<\/p>\n<p>Apenas ficaram tempo demais sem ser vistos.<\/p>\n<p>O Projeto Cacau 500 existe para que suas vozes sejam novamente ouvidas e para lembrar ao Brasil que o futuro da cacauicultura ser\u00e1 constru\u00eddo, como sempre foi, pela uni\u00e3o entre conhecimento, trabalho, ci\u00eancia, coopera\u00e7\u00e3o e respeito \u00e0queles que fazem nascer, todos os dias, o cacau que encanta o mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Projeto Cacau 500 representa os invis\u00edveis do cacau e do chocolate. 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