{"id":18476,"date":"2026-07-20T11:30:34","date_gmt":"2026-07-20T14:30:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/?p=18476"},"modified":"2026-07-20T11:50:38","modified_gmt":"2026-07-20T14:50:38","slug":"a-nova-era-do-cacau-baiano-ciencia-inovacao-e-chocolate-de-origem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/2026\/07\/20\/a-nova-era-do-cacau-baiano-ciencia-inovacao-e-chocolate-de-origem\/","title":{"rendered":"A nova era do cacau baiano: ci\u00eancia, inova\u00e7\u00e3o e chocolate de origem"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Professor Dr. Fabr\u00edcio Berton Zanchi<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-18478\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/PHOTO-2026-07-20-09-33-12-1-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/PHOTO-2026-07-20-09-33-12-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/PHOTO-2026-07-20-09-33-12-1.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Ilh\u00e9us recebe, entre os dias 23 e 26 deste m\u00eas, mais uma edi\u00e7\u00e3o do Chocolat Bahia. O festival nasceu na cidade em 2009 com pouco mais de uma dezena de estandes e hoje se consolidou como o maior evento do setor na Am\u00e9rica Latina, reunindo dezenas de milhares de visitantes e centenas de expositores no Centro de Conven\u00e7\u00f5es. \u00c9 dif\u00edcil pensar em uma vitrine mais simb\u00f3lica para discutir o papel da universidade p\u00fablica no desenvolvimento regional. Como reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), escrevo este texto convencido de que o festival n\u00e3o \u00e9 apenas uma celebra\u00e7\u00e3o do chocolate, mas tamb\u00e9m uma oportunidade para refletirmos sobre como ci\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o podem transformar voca\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas em desenvolvimento sustent\u00e1vel para toda a sociedade.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre Ilh\u00e9us, Itabuna e o cacau \u00e9 uma hist\u00f3ria de prosperidade, identidade cultural e capacidade de reinven\u00e7\u00e3o. Durante grande parte do s\u00e9culo XX, o cacau estruturou a economia regional, impulsionando a ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, a forma\u00e7\u00e3o das cidades e a inser\u00e7\u00e3o do sul da Bahia nos mercados nacionais e internacionais. A crise provocada pela vassoura-de-bruxa, a partir do final dos anos 1980, trouxe enormes desafios sociais e econ\u00f4micos, mas tamb\u00e9m abriu caminho para uma profunda transforma\u00e7\u00e3o da cadeia produtiva. Foi nesse contexto que a Comiss\u00e3o Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC) consolidou-se como uma refer\u00eancia internacional em pesquisa e inova\u00e7\u00e3o, desenvolvendo materiais gen\u00e9ticos resistentes, preservando um dos maiores bancos de germoplasma de cacau do mundo e aperfei\u00e7oando tecnologias de manejo e controle biol\u00f3gico. Hoje, a regi\u00e3o \u00e9 reconhecida n\u00e3o apenas pela produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, mas tamb\u00e9m pelo protagonismo na constru\u00e7\u00e3o de um modelo que associa conserva\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, Sistemas Agroflorestais como a cabruca, produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, agrega\u00e7\u00e3o de valor e valoriza\u00e7\u00e3o dos chocolates de origem.<\/p>\n<p>A UFSB n\u00e3o nasceu \u00e0 margem dessa trajet\u00f3ria. Pelo contr\u00e1rio. Foi criada para dialogar com os desafios e potencialidades de um territ\u00f3rio onde a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento aplicado ao desenvolvimento regional sempre esteve presente. \u00c9 nesse contexto que se insere a parceria hist\u00f3rica com a CEPLAC e o compromisso da universidade com a forma\u00e7\u00e3o de profissionais capazes de atuar em uma cadeia produtiva cada vez mais sofisticada, sustent\u00e1vel e conectada aos mercados globais.<\/p>\n<p>Em 2022, o Conselho Universit\u00e1rio aprovou a cria\u00e7\u00e3o do Curso Superior de Tecnologia em Produ\u00e7\u00e3o de Cacau e Chocolate, sediado no Campus Jorge Amado, em Ilh\u00e9us. O curso oferece cinquenta vagas anuais e uma forma\u00e7\u00e3o inovadora atendendo as necessidades dos diferentes sistemas de cultivo \u2013 da cabruca ao pleno sol, quanto aquelas dos processos industriais de transforma\u00e7\u00e3o do cacau em chocolate. A iniciativa foi constru\u00edda em estreita coopera\u00e7\u00e3o com a CEPLAC e concebida como um itiner\u00e1rio formativo integrado, permitindo que estudantes oriundos do curso t\u00e9cnico em Agroind\u00fastria do Centro Estadual Nelson Schaun tenham continuidade em sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. O objetivo \u00e9 formar profissionais preparados para atuar em toda a cadeia produtiva, da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u00e0 ind\u00fastria, passando pela gest\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o, qualidade, rastreabilidade e desenvolvimento de novos produtos.<\/p>\n<p>Os resultados dessa escolha institucional j\u00e1 come\u00e7am a se materializar. Estudantes e professores do curso participam de projetos de extens\u00e3o, pesquisa e inova\u00e7\u00e3o voltados para produtores, empreendedores e demais agentes da cadeia produtiva cacaueira. Um exemplo \u00e9 o projeto Oficineiros do Cacau, que promove a\u00e7\u00f5es de capacita\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia de conhecimento para diferentes p\u00fablicos do setor. Recentemente, a UFSB e a CEPLAC realizaram conjuntamente o primeiro Simp\u00f3sio Baiano em Tecnologias de Cacau e Chocolate (SIBATEC), reunindo pesquisadores, estudantes, produtores e empresas em um ambiente de interc\u00e2mbio t\u00e9cnico-cient\u00edfico de alto n\u00edvel.<\/p>\n<p>Essas iniciativas refletem uma transforma\u00e7\u00e3o mais ampla em curso no sul da Bahia. A regi\u00e3o vem ampliando sua participa\u00e7\u00e3o nos segmentos de maior valor agregado da cadeia produtiva. Sem abandonar sua tradi\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, passou tamb\u00e9m a investir na transforma\u00e7\u00e3o local da mat\u00e9ria-prima, no fortalecimento das marcas regionais, no turismo de experi\u00eancia, na certifica\u00e7\u00e3o de origem e na produ\u00e7\u00e3o de chocolates finos reconhecidos nacional e internacionalmente. O reconhecimento de Ilh\u00e9us como Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate fortalece esse movimento, que tem na Estrada do Chocolate e em diversas experi\u00eancias de turismo rural e gastron\u00f4mico exemplos concretos da capacidade de inova\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>O que observamos hoje \u00e9 o surgimento de uma nova economia baseada n\u00e3o apenas na produ\u00e7\u00e3o do cacau, mas tamb\u00e9m no conhecimento, na identidade territorial e na sustentabilidade. O sul da Bahia deixou de ser apenas uma regi\u00e3o produtora de mat\u00e9ria-prima para se afirmar como um territ\u00f3rio produtor de conhecimento, inova\u00e7\u00e3o e chocolate de origem. Esse processo exige profissionais qualificados, pesquisa aplicada, inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e institui\u00e7\u00f5es comprometidas com o desenvolvimento regional. \u00c9 exatamente nesse espa\u00e7o que a UFSB busca contribuir.<\/p>\n<p>Essa contribui\u00e7\u00e3o dialoga ainda com um debate mais amplo que temos desenvolvido na universidade: o da Economia Azul. A UFSB forma e produz conhecimento sobre os ecossistemas costeiros e marinhos, contribuindo para a gest\u00e3o sustent\u00e1vel do litoral. Em Ilh\u00e9us e nas terras Grapi\u00fanas, formamos especialistas e tecn\u00f3logos que desenvolvem pesquisas voltadas ao fortalecimento de uma cadeia produtiva que historicamente se conectou aos portos e ao com\u00e9rcio mar\u00edtimo para alcan\u00e7ar mercados em todo o mundo. Mar e terra nunca estiveram dissociados na hist\u00f3ria desta regi\u00e3o. A mesma voca\u00e7\u00e3o que fez de Ilh\u00e9us um importante centro exportador \u00e9 a que hoje impulsiona o turismo de experi\u00eancia, a valoriza\u00e7\u00e3o dos produtos locais e a inser\u00e7\u00e3o competitiva dos chocolates de origem nos mercados nacionais e internacionais.<\/p>\n<p>Por isso, quando falamos do Chocolat Bahia como uma vitrine, falamos tamb\u00e9m de responsabilidade. Uma universidade federal instalada no cora\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o cacaueira tem o dever de ser mais do que espectadora desse processo. Deve atuar como parceira ativa na pesquisa que ajuda a superar desafios produtivos, na forma\u00e7\u00e3o de profissionais qualificados, na extens\u00e3o que chega aos agricultores familiares e no di\u00e1logo permanente com institui\u00e7\u00f5es como a CEPLAC, cooperativas, associa\u00e7\u00f5es e empresas do setor.<\/p>\n<p>A UFSB assumiu esse compromisso ao investir na forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos, na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e na inova\u00e7\u00e3o voltada para o fortalecimento da cadeia do cacau e do chocolate. Cabe agora a todos n\u00f3s, universidades, institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, setor produtivo e poder p\u00fablico, transformar esse potencial em oportunidades concretas para a popula\u00e7\u00e3o. O futuro do cacau baiano n\u00e3o depende apenas da qualidade de seus frutos, mas tamb\u00e9m da capacidade de integrar ci\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o e sustentabilidade. Essa \u00e9 a nova era do cacau baiano. E a UFSB est\u00e1 pronta para contribuir com sua constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O professor Dr. Fabr\u00edcio Berton Zanchi \u00e9 reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor Dr. Fabr\u00edcio Berton Zanchi Ilh\u00e9us recebe, entre os dias 23 e 26 deste m\u00eas, mais uma edi\u00e7\u00e3o do Chocolat Bahia. 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