{"id":18488,"date":"2026-07-20T16:30:42","date_gmt":"2026-07-20T19:30:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/?p=18488"},"modified":"2026-07-20T11:59:50","modified_gmt":"2026-07-20T14:59:50","slug":"chocolate-do-brasil-o-sabor-da-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/2026\/07\/20\/chocolate-do-brasil-o-sabor-da-biodiversidade\/","title":{"rendered":"Chocolate do Brasil: o sabor da biodiversidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Marco Lessa<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_12238\" aria-describedby=\"caption-attachment-12238\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-12238\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Marco-Lessa-300x214.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"214\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Marco-Lessa-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Marco-Lessa.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12238\" class=\"wp-caption-text\">Marco Lessa<\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 pa\u00edses que produzem cacau. H\u00e1 pa\u00edses que fabricam chocolate. H\u00e1 pa\u00edses que consomem. E h\u00e1 um \u00fanico pa\u00eds no mundo que faz as tr\u00eas coisas ao mesmo tempo \u2014 produz, consome e exporta cacau e chocolate: o Brasil.<\/p>\n<p>Essa singularidade n\u00e3o \u00e9 um detalhe estat\u00edstico. \u00c9 a chave para entender por que o chocolate brasileiro vive hoje o seu melhor momento e por que o mundo, finalmente, come\u00e7ou a prestar aten\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria ajuda a explicar.<\/p>\n<div class=\"arr--element-container story-element-card-m_element-container__1ZeJL story-element-card-m_dark__1AX15\">\n<div class=\"arrow-component arr--text-element text-m_textElement__e3QEt text-m_dark__1TC18 \" data-test-id=\"text\">\n<p>O Brasil j\u00e1 foi o maior produtor de cacau do planeta, quando as fazendas do sul da Bahia abasteciam o mundo e constru\u00edram uma civiliza\u00e7\u00e3o inteira em torno do fruto \u2014 com sua economia, sua arquitetura, sua literatura.<\/p>\n<p>Foi Jorge Amado quem transformou o cacau em epopeia. Mas h\u00e1 um cap\u00edtulo que poucos conhecem: foi daqui que o cacau partiu para a \u00c1frica. No s\u00e9culo XIX, mudas sa\u00eddas da Bahia chegaram a S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe e, dali, espalharam-se pelo continente que hoje responde pela maior parte da produ\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Costa do Marfim e Gana, gigantes do cacau contempor\u00e2neo, s\u00e3o, em certo sentido, filhos do cacau baiano. O Brasil n\u00e3o \u00e9 apenas um produtor entre muitos: \u00e9 uma matriz. Uma origem da origem. Depois da trag\u00e9dia da vassoura-de-bruxa, que devastou lavouras e destinos nos anos 1990, seria compreens\u00edvel que essa hist\u00f3ria terminasse em melancolia. Aconteceu o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>O Brasil se reinventou \u2014 e se reinventou pela qualidade. Hoje, o pa\u00eds re\u00fane mais de 500 marcas de chocolate\u00a0<em>bean to bar<\/em>\u00a0e de origem, um movimento que n\u00e3o tem paralelo em nenhum outro lugar. S\u00e3o chocolates que carregam territ\u00f3rio no r\u00f3tulo e no paladar: o cacau do sul da Bahia n\u00e3o \u00e9 igual ao do Esp\u00edrito Santo, que n\u00e3o \u00e9 igual ao da Amaz\u00f4nia, que n\u00e3o \u00e9 igual ao de Rond\u00f4nia. Cada regi\u00e3o imprime seu\u00a0<em>terroir<\/em>, sua fermenta\u00e7\u00e3o, sua identidade. E \u00e9 essa diversidade que vem colecionando medalhas nos principais concursos internacionais, ano ap\u00f3s ano, em ritmo crescente.<\/p>\n<p>O j\u00fari mundial j\u00e1 entendeu o que o consumidor brasileiro est\u00e1 descobrindo: poucos pa\u00edses valorizam a biodiversidade no chocolate como o Brasil. Porque aqui o chocolate n\u00e3o nasce de uma\u00a0<em>commodity<\/em>\u00a0an\u00f4nima \u2014 nasce da floresta. O sistema cabruca, que cultiva o cacau \u00e0 sombra da Mata Atl\u00e2ntica, e os cacauais amaz\u00f4nicos, que convivem com a maior floresta tropical do mundo, fazem do chocolate brasileiro um produto que conserva em vez de destruir.<\/p>\n<p>Num tempo em que a Europa exige rastreabilidade e desmatamento zero, o Brasil n\u00e3o precisa se adaptar \u00e0 agenda ambiental: ele a antecipou. Nosso chocolate tem sabor de biodiversidade porque \u00e9, literalmente, feito dela. O consumidor respondeu.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o consumo brasileiro saltou de dois para quatro quilos de chocolate por habitante ao ano \u2014 e segue crescendo. Dobrar o consumo per capita num mercado de mais de 200 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o \u00e9 tend\u00eancia: \u00e9 fen\u00f4meno. E um fen\u00f4meno educado, porque o brasileiro n\u00e3o est\u00e1 apenas comendo mais chocolate; est\u00e1 comendo melhor, buscando origem, hist\u00f3ria, percentual de cacau, nome de produtor. Essa consci\u00eancia foi constru\u00edda, em boa parte, por eventos que aproximaram o p\u00fablico da cadeia produtiva.<\/p>\n<p>\u00c9 no Brasil que acontece o maior evento de chocolate da Am\u00e9rica Latina \u2014 o Chocolat Festival, que h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada percorre o pa\u00eds celebrando o cacau e quem vive dele, de Ilh\u00e9us a Bel\u00e9m, da fazenda \u00e0 barra. E \u00e9 por reconhecer essa for\u00e7a que o maior nome mundial do setor escolheu o Brasil: neste ano, o Salon du Chocolat de Paris realiza sua primeira edi\u00e7\u00e3o brasileira, em Salvador. N\u00e3o \u00e9 um evento a mais no calend\u00e1rio. \u00c9 uma consagra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O sal\u00e3o que vitrina o chocolate do mundo inteiro vem justamente ao pa\u00eds que re\u00fane, como nenhum outro, toda a cadeia \u2014 do produtor familiar ao chocolatier premiado, do fruto na \u00e1rvore \u00e0 barra na g\u00f4ndola. O Brasil devolveu ao mundo, transformado em excel\u00eancia, aquilo que um dia lhe deu em mudas.<\/p>\n<p>O pa\u00eds que exportou o cacau para a \u00c1frica agora exporta algo mais valioso: um modelo em que qualidade, floresta e cultura cabem na mesma barra. O futuro do chocolate passa pela biodiversidade. E biodiversidade, nenhum pa\u00eds tem mais do que o nosso. O chocolate do Brasil n\u00e3o quer imitar a B\u00e9lgica nem a Su\u00ed\u00e7a. N\u00e3o precisa. Ele tem o que nenhum outro tem: o sabor de um pa\u00eds inteiro.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"arr--element-container story-element-card-m_element-container__1ZeJL story-element-card-m_dark__1AX15\">\n<div class=\"arrow-component arr--bigfact-element big-fact-m_bigfact-element__3uAwv big-fact-m_dark__7a_KC \" data-test-id=\"bigfact\">\n<div class=\"big-fact-m_content__1u2Ul\">&#8212;<\/div>\n<div class=\"big-fact-m_attribution__3XK_P big-fact-m_dark__7a_KC\" data-test-id=\"attribution\">O DN Brasil \u00e9 o bra\u00e7o do Di\u00e1rio de Not\u00edcias dedicado \u00e0 comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marco Lessa &nbsp; H\u00e1 pa\u00edses que produzem cacau. H\u00e1 pa\u00edses que fabricam chocolate. H\u00e1 pa\u00edses que consomem. E h\u00e1 um \u00fanico pa\u00eds no mundo que faz as tr\u00eas coisas ao mesmo tempo \u2014 produz, consome e exporta cacau e chocolate: o Brasil. Essa singularidade n\u00e3o \u00e9 um detalhe estat\u00edstico. \u00c9 a chave para entender por &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18243,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[3,1],"tags":[4271,65],"class_list":["post-18488","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-geral","tag-chocolate-do-brasil-o-sabor-da-biodiversidade","tag-marco-lessa"],"views":84,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18488"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18488"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18488\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18489,"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18488\/revisions\/18489"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18243"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}