{"id":19907,"date":"2026-09-30T14:30:20","date_gmt":"2026-09-30T17:30:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/?p=19907"},"modified":"2026-09-30T08:56:59","modified_gmt":"2026-09-30T11:56:59","slug":"thomas-hartmann-memoria-do-cacau-da-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/2026\/09\/30\/thomas-hartmann-memoria-do-cacau-da-bahia\/","title":{"rendered":"Thomas  Hartmann \u2013 mem\u00f3ria do Cacau da Bahia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Por Paulo Peixinho<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_13343\" aria-describedby=\"caption-attachment-13343\" style=\"width: 221px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13343\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/PHOTO-2025-09-25-16-28-55-221x300.jpg\" alt=\"\" width=\"221\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/PHOTO-2025-09-25-16-28-55-221x300.jpg 221w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/PHOTO-2025-09-25-16-28-55.jpg 737w\" sizes=\"(max-width: 221px) 100vw, 221px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-13343\" class=\"wp-caption-text\">Paulo Peixinho<\/figcaption><\/figure>\n<p>Thomas Hartmann era uma dessas pessoas que merecem ser lembradas. No \u00faltimo dia 10 de setembro, completaram-se tr\u00eas anos de seu falecimento.<\/p>\n<p>H\u00fangaro de nascimento, escolheu o Brasil \u2014 e especialmente a Bahia \u2014 como sua terra. Inteligente, direto, trabalhador e, \u00e0s vezes, de uma sinceridade que n\u00e3o conhecia muitos atalhos, dedicou grande parte da vida ao cacau. Trabalhou at\u00e9 que um AVC o obrigasse a parar.<\/p>\n<p>Veio para a Bahia para trabalhar na Chadler e, depois, passou pela Barreto de Ara\u00fajo. Com o tempo, tornou-se tamb\u00e9m produtor de cacau em Ubaitaba. N\u00e3o era apenas algu\u00e9m que trabalhava com o produto. Gostava do cacau, interessava-se pela sua hist\u00f3ria, pelos seus n\u00fameros e, sobretudo, por seu mercado.<\/p>\n<p>Talvez por isso tiv\u00e9ssemos tanto assunto em comum. Compartilh\u00e1vamos a paix\u00e3o pelo mercado de cacau e pelo pr\u00f3prio cacau, duas coisas que parecem iguais, mas n\u00e3o s\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembro-me de sentar no lugar dele na COMCAUBA. Naquela \u00e9poca, a reuni\u00e3o da ind\u00fastria acontecia antes da reuni\u00e3o dos exportadores. Thomas observava aquela separa\u00e7\u00e3o com uma perplexidade que nunca abandonou. N\u00e3o conseguia compreender por que ind\u00fastria e com\u00e9rcio, pertencendo \u00e0 mesma cadeia e dependendo um do outro, insistiam em se comportar como mundos distintos.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 1980, certa vez me disse:<\/p>\n<p><strong>\u201cOu os bagueiros se unem, ou v\u00e3o todos acabar.\u201d<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-19908\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/PHOTO-2026-09-30-00-23-45.jpg\" alt=\"\" width=\"355\" height=\"232\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/PHOTO-2026-09-30-00-23-45.jpg 765w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/PHOTO-2026-09-30-00-23-45-300x196.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 355px) 100vw, 355px\" \/><\/strong><\/p>\n<p>\u201cBagueiros\u201d, no vocabul\u00e1rio dele, eram os exportadores.<\/p>\n<p>Quarenta e tantos anos depois, a frase merece ser relida. Era exagero? Provoca\u00e7\u00e3o? Ou apenas a percep\u00e7\u00e3o antecipada de um processo de concentra\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o que mudaria profundamente o com\u00e9rcio de cacau na Bahia?<\/p>\n<p>Talvez Thomas estivesse enxergando antes dos outros.<\/p>\n<p>Mas sua contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o ficou apenas nas conversas ou nas previs\u00f5es. Ele realizou um imenso trabalho de pesquisa, compila\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre o cacau baiano. Em um mercado onde hist\u00f3rias, estimativas e interesses muitas vezes se misturavam aos n\u00fameros, Thomas ajudou a dar fidelidade \u00e0s estat\u00edsticas do cacau da Bahia.<\/p>\n<p>E isso n\u00e3o \u00e9 pouca coisa.<\/p>\n<p>Estat\u00edsticas s\u00e3o tamb\u00e9m mem\u00f3ria. Quando uma gera\u00e7\u00e3o desaparece e os documentos n\u00e3o foram preservados, ficamos sujeitos \u00e0s lembran\u00e7as \u2014 e lembran\u00e7as, por melhores que sejam, \u00e0s vezes alteram datas, volumes e acontecimentos. Thomas compreendia o valor do registro.<\/p>\n<p>Por isso, lembrar Thomas Hartmann \u00e9 tamb\u00e9m lembrar de uma gera\u00e7\u00e3o que ajudou a construir o com\u00e9rcio moderno de cacau na Bahia: produtores, exportadores, industriais e comerciantes que discutiam apaixonadamente mercado, safra, qualidade, estoques, diferenciais e futuro.<\/p>\n<p>Thomas fazia parte desse mundo.<\/p>\n<p>Para mim, ficou ainda algo mais simples e mais importante:<\/p>\n<p><strong>um amigo.<\/strong><\/p>\n<p>Que sua mem\u00f3ria permane\u00e7a entre aqueles que amam o cacau e a hist\u00f3ria do cacau da Bahia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Paulo Peixinho &nbsp; Thomas Hartmann era uma dessas pessoas que merecem ser lembradas. 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