{"id":863,"date":"2020-01-02T09:33:23","date_gmt":"2020-01-02T12:33:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/?p=863"},"modified":"2020-01-02T09:33:32","modified_gmt":"2020-01-02T12:33:32","slug":"filhos-de-japoneses-investem-na-producao-de-cacau-no-sul-da-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/2020\/01\/02\/filhos-de-japoneses-investem-na-producao-de-cacau-no-sul-da-bahia\/","title":{"rendered":"Filhos de japoneses investem na produ\u00e7\u00e3o de cacau no Sul da Bahia"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil, a presen\u00e7a de imigrantes de diversos pa\u00edses trouxe contribui\u00e7\u00f5es significativas para nossa produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria, especialmente alem\u00e3es, italianos e japoneses.<\/p>\n<p>Os japoneses chegaram ao pa\u00eds principalmente por S\u00e3o Paulo, onde se dedicaram ao caf\u00e9, mas tamb\u00e9m se espalharam para o Sul e Nordeste, variando suas produ\u00e7\u00f5es de acordo com a regi\u00e3o, como a pimenta do reino e a fruticultura na Bahia.<\/p>\n<p>De acordo com os dados do site Nippo Brasil, entre 1953 e 1962 foram criadas tr\u00eas col\u00f4nias japonesas pelo governo brasileiro na Bahia, com o objetivo de povoar e desenvolver \u00e1reas improdutivas e praticamente abandonadas. Os munic\u00edpios de Una, Mata de S\u00e3o Jo\u00e3o e Ituber\u00e1 receberam dezenas de fam\u00edlias japonesas.<\/p>\n<p>Desembarque no Porto de Ilh\u00e9us<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_864\" aria-describedby=\"caption-attachment-864\" style=\"width: 411px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-864\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/chocolate-Jap\u00e3o-1.jpg\" alt=\"\" width=\"411\" height=\"246\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/chocolate-Jap\u00e3o-1.jpg 580w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/chocolate-Jap\u00e3o-1-300x179.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 411px) 100vw, 411px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-864\" class=\"wp-caption-text\">Yuriana (\u00e0 direita) ao lado da filha e m\u00e3e|| Foto V\u00edvian Barbosa<\/figcaption><\/figure>\n<p>O pai da agricultora Yuriana Kuratani, 38 anos, foi um desses imigrantes. Yoshimasa Kuratani, ent\u00e3o com 9 anos, seus pais e cinco irm\u00e3os desembarcaram no porto de Ilh\u00e9us em 1957, fugindo de uma grande crise em seu pa\u00eds natal, devastado pelos efeitos da Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Ao chegarem, foram encaminhados para Una, por\u00e9m, tr\u00eas meses depois, se mudaram para Ituber\u00e1. \u201cEm Una o clima era muito seco e o solo ruim para cultivo. Meu av\u00f4, Torao, soube que outras fam\u00edlias de japoneses tinham seguido para Ituber\u00e1, pois l\u00e1 a terra era boa, e partiu tamb\u00e9m\u201d, conta Yuriana.<\/p>\n<p>Padeiro de profiss\u00e3o, o av\u00f4 de Yuriana serviu \u00e0 marinha japonesa durante a Segunda Guerra. J\u00e1 aqui no Brasil, seu primeiro neg\u00f3cio foi o cultivo de dend\u00ea, que deu preju\u00edzos. \u201cFoi quando meu av\u00f4 come\u00e7ou a produzir pimenta do reino que tudo come\u00e7ou a melhorar. Ele foi comprando mais peda\u00e7os de terra e ampliando a produ\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O pai de Yuriana cresceu e se apaixonou por uma baiana. O casamento foi a contragosto dos pais, que queriam uma noiva japonesa. \u201cDessa uni\u00e3o nasceram meus quatro irm\u00e3os e eu, que sou a ca\u00e7ula. Na nossa inf\u00e2ncia, por meio da associa\u00e7\u00e3o de moradores da col\u00f4nia, aprendemos muito sobre nossa cultura e t\u00ednhamos aulas de japon\u00eas\u201d, detalha a produtora rural, que chegou a morar cinco anos no Jap\u00e3o, entre 2003 e 2008, e retornou a Ituber\u00e1 para viver da agricultura.<\/p>\n<p>\u201cMeu pai faleceu em 2015 e deixou tr\u00eas hectares e meio de terra para cada um dos filhos. Cuido da minha \u00e1rea e das \u00e1reas de dois irm\u00e3os, que n\u00e3o vivem na zona rural. Produzo banana, mam\u00e3o, maracuj\u00e1, cravo, mas o nosso principal neg\u00f3cio \u00e9 o cacau. O cacau \u00e9 uma maravilha para gente! Quero investir mais no cacau, porque \u00e9 dinheiro entrando o ano todo\u201d, comemora.<\/p>\n<p>O cacau faz parte da identidade da Bahia. Desde 1970, quando o Censo Agropecu\u00e1rio do IBGE come\u00e7ou a registrar a produ\u00e7\u00e3o de cacau por estado no Brasil, a Bahia \u00e9, disparado, o maior produtor. Mais recentemente, o Par\u00e1 vem aumentando sua produ\u00e7\u00e3o, enquanto a Bahia tem se deparado com problemas como a doen\u00e7a da vassoura-de-bruxa, nos anos 1990, e a seca, desde 2015. Ainda assim, a produ\u00e7\u00e3o baiana de cacau em am\u00eandoas, em 2017, ultrapassou as 85,2 toneladas em mais de 69 mil estabelecimentos.<\/p>\n<p>Agregar valor<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-24\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cacau-novas-oportunidades2.jpg\" alt=\"\" width=\"363\" height=\"241\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cacau-novas-oportunidades2.jpg 580w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/cacau-novas-oportunidades2-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 363px) 100vw, 363px\" \/>Uma das formas de agregar valor que vem sendo adotada pelos produtores do cacau na Bahia \u00e9 o investimento na especializa\u00e7\u00e3o e beneficiamento da am\u00eandoa, gerando subprodutos como manteiga de cacau, p\u00f3 de cacau, polpa ou \u201cnibs\u201d (am\u00eandoa torrada e granulada).<\/p>\n<p>Hoje, o munic\u00edpio de Ituber\u00e1, onde Yuriana vive com sua fam\u00edlia, est\u00e1 entre os vinte maiores munic\u00edpios produtores de cacau na Bahia, em termos de quantidade produzida. Lana Kuratani, de 17 anos, \u00e9 a filha \u00fanica de Yuriana e motivo de grande orgulho e esperan\u00e7a nos novos rumos da produ\u00e7\u00e3o. A jovem est\u00e1 cursando o ensino m\u00e9dio profissionalizante em agroneg\u00f3cio e se prepara para ajudar a m\u00e3e na busca por novos mercados e estrat\u00e9gias de beneficiamento do cacau.<\/p>\n<p>\u201cPensamos em produzir chocolate. Ser\u00e1 um produto de valor agregado, pois toda nossa aduba\u00e7\u00e3o \u00e9 natural, sem uso de qu\u00edmicos\u201d, conta Yuriana, que tamb\u00e9m revela uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande com a preserva\u00e7\u00e3o ambiental da regi\u00e3o. \u201cPassa um rio em nossa propriedade e temos o cuidado de manter a \u00e1rea de mata em p\u00e9 e conservada, para n\u00e3o comprometer a \u00e1gua\u201d, finaliza. (do Pimenta na Muqueca)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, a presen\u00e7a de imigrantes de diversos pa\u00edses trouxe contribui\u00e7\u00f5es significativas para nossa produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria, especialmente alem\u00e3es, italianos e japoneses. 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