{"id":9261,"date":"2024-11-19T09:13:46","date_gmt":"2024-11-19T12:13:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/?p=9261"},"modified":"2024-11-19T08:19:32","modified_gmt":"2024-11-19T11:19:32","slug":"mia-couto-jorge-amado-influenciou-uma-geracao-de-autores-africanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/2024\/11\/19\/mia-couto-jorge-amado-influenciou-uma-geracao-de-autores-africanos\/","title":{"rendered":"Mia Couto:  \u201cJorge Amado influenciou uma gera\u00e7\u00e3o de autores africanos\u201d"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil para o lan\u00e7amento do seu novo livro,\u00a0<em>A cegueira do rio<\/em>, editado no Pa\u00eds pela\u00a0<em>Companhia das Letras<\/em>, Mia Couto\u00a0 foi um dos destaques da 7\u00aa Festa Liter\u00e1ria de Ilh\u00e9us. Ao destacar a import\u00e2ncia de Jorge Amado, que projetou a chamada Civiliza\u00e7\u00e3o Cacaueira para todo o planeta, para os autores africanos, ele \u00a0recordou o epis\u00f3dio em que a mesma editora reeditou toda a obra amadiana e reuniu personalidades da cultura\u00a0 para a cerim\u00f4nia de lan\u00e7amento, em 2008, em S\u00e3o Paulo. Entre os convidados, ele, Chico Buarque e Caetano Veloso.<\/p>\n<p>\u201cNo avi\u00e3o, eu pensei:\u00a0<em>eu leio t\u00e3o mal<\/em>,\u00a0<em>eu com esse sotaque mais portugu\u00eas do que brasileiro<\/em>\u201d, contou o mo\u00e7ambicano. Ao inv\u00e9s da leitura, decidiu explicar como Jorge Amado atravessou o Atl\u00e2ntico para ser um parteiro na \u00c1frica:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9265\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/PHOTO-2024-11-16-05-21-52-3.jpg\" alt=\"\" width=\"399\" height=\"266\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/PHOTO-2024-11-16-05-21-52-3.jpg 765w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/PHOTO-2024-11-16-05-21-52-3-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 399px) 100vw, 399px\" \/><\/p>\n<p>\u2013 Ele influenciou a cria\u00e7\u00e3o de uma literatura que estava a querer nascer, em processo de parto, em Angola, S\u00e3o Tom\u00e9, Guin\u00e9 Bissau, Mo\u00e7ambique e Cabo Verde. Ent\u00e3o, colecionei depoimentos de escritores desses pa\u00edses que diziam quanto Jorge Amado os ajudou a encontrar um caminho.<\/p>\n<p>Mia Couto destacou a capacidade do autor grapi\u00fana de construir personagens complexos a partir de tipos populares, o que, segundo ele, foi surpreendente para gera\u00e7\u00f5es inteiras na \u00c1frica lus\u00f3fona. \u201cA primeira quest\u00e3o era como \u00e9 que a gente vai fazer este pescador, esse marinheiro, essa pessoa que passa em frente da minha varanda, da minha porta, se transformar num personagem que tem todo o direito de ter uma hist\u00f3ria, e eu trago esta hist\u00f3ria para o papel. Esse era o primeiro desafio\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9263\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mi-1.jpg\" alt=\"\" width=\"377\" height=\"278\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mi-1.jpg 512w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mi-1-300x221.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 377px) 100vw, 377px\" \/><\/p>\n<p>O segundo, segundo ele, era desbravar um caminho na l\u00edngua herdada da coloniza\u00e7\u00e3o para reinvent\u00e1-la. A inspira\u00e7\u00e3o estava do outro lado do Atl\u00e2ntico:<\/p>\n<p>\u2013 A gente tinha uma outra licen\u00e7a para usar uma l\u00edngua que foi deixada pelo colonizador, mas tinha que ser ajustada \u00e0s nossas culturas. E a resposta vinha do Brasil. Vinha do Jorge Amado, de outros poetas, do Guimar\u00e3es Rosa, do Manoel de Barros. Toda essa gente trouxe essa autoriza\u00e7\u00e3o, essa licen\u00e7a para a gente recriar o portugu\u00eas da nossa maneira.\u00a0<em>Se eles fazem l\u00e1 no Brasil, tamb\u00e9m podemos fazer n\u00f3s no nosso lar<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>GUERRAS E LITERATURA<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9262\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/128157FD-3549-4702-8161-D39C3E0F0B9D.jpg\" alt=\"\" width=\"341\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/128157FD-3549-4702-8161-D39C3E0F0B9D.jpg 765w, https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/128157FD-3549-4702-8161-D39C3E0F0B9D-300x235.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 341px) 100vw, 341px\" \/><\/p>\n<p>Numa r\u00e1pida entrevista na chegada ao Centro de Conven\u00e7\u00f5es, Mia Couto falou ao jornalista Daniel Thame sobre o impacto das guerras na sua obra liter\u00e1ria: \u201ca guerra tem um lado terr\u00edvel, elas desarrumam o mundo, desumanizam as pessoas. A literatura busca reencantar o lado humano em meio \u00e0 trag\u00e9dia, dar uma perspectiva de futuro. Em Mo\u00e7ambique tivemos dezesseis anos de guerra civil e foi ai que escrevi Terra Sonambula, que podia curar a mim pr\u00f3prio desse desespero\u201d, disse Mia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9266\" src=\"https:\/\/www.cacauechocolate.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/mi-133.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"233\" \/><\/p>\n<p>Segundo ele, \u201cexistem \u00b4guerras invis\u00edveis\u00b4\u00a0 em v\u00e1rias partes do mundo como o Sud\u00e3o por exemplo, e o mundo n\u00e3o toma conhecimento. Essa \u00e9 mais uma injusti\u00e7a que se soma \u00e0 pr\u00f3pria injusti\u00e7a das guerras\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil para o lan\u00e7amento do seu novo livro,\u00a0A cegueira do rio, editado no Pa\u00eds pela\u00a0Companhia das Letras, Mia Couto\u00a0 foi um dos destaques da 7\u00aa Festa Liter\u00e1ria de Ilh\u00e9us. 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