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“A fim de saber a verdadeira verdade?”

(Cidade Negra já cantava…)

Cléber Isaac Filho

Nesta semana, em matéria publicada pela revista Exame, o presidente da Nestlé reclamou publicamente do alto preço do cacau no mercado internacional. A declaração, no entanto, acabou produzindo um efeito inverso ao desejado.

A postagem gerou uma enxurrada de comentários negativos nas redes sociais da empresa.

Consumidores questionaram a queda na qualidade dos produtos Nestlé, enquanto produtores de cacau denunciaram estar recebendo valores abaixo da cotação da bolsa internacional, mesmo em um momento de preços historicamente elevados.

O resultado foi evidente:
a comunicação soou desconectada da realidade
expôs a tensão entre indústria, produtor e consumidor
e acabou sendo, na prática, um tiro no pé

Diante disso, a pergunta que realmente importa permanece:
quanto custa, de verdade, uma barra de chocolate?
Exemplo real de preço
Barra de chocolate
80 g | 25% de cacau
Preço final: R$ 8,50

Para onde vai o dinheiro:
Cacau (20 g) → R$ 0,63
Ingredientes + fábrica → R$ 2,05
Indústria + varejo → R$ 2,59
Impostos → R$ 3,23
Preço final: R$ 8,50
Tradução simples (sem economês)

O cacau, principal matéria-prima, custa 63 centavos

Os impostos custam mais de R$ 3,00

O Estado arrecada mais de 5 vezes o valor pago ao produtor de cacau
Um dado-chave para refletir
R$ 10,00 a mais no quilo do cacau
aumenta apenas 25 centavos no preço da barra
muda a vida do agricultor
quase não pesa no bolso do consumidor

Uma sugestão à Nestlé (e ao setor)

A Nestlé tem uma oportunidade histórica de liderar uma campanha de educação do consumidor, transformando um debate de preço em valor social e ambiental.

Esse movimento pode, inclusive, pautar uma reavaliação da carga tributária sobre o chocolate no Brasil.

  • Proposta de campanha publicitária
    Para a Nestlé
    Dois pilares simples e poderosos:
  • Valor socioambiental do cacau do Brasil
    Produzido majoritariamente por pequenos agricultores
    Baseado na agricultura familiar
    Cultivado no sistema cabruca, que mantém a floresta em pé
    Cada barra carrega:
    biodiversidade
    renda local
    cultura agrícola centenária
    Consumir cacau do Brasil é um ato ambiental.
    Centavos que mudam vidas
    Adicionar apenas 9 centavos na barra:
    quase não impacta o consumidor
    gera renda digna no campo
    fortalece a agricultura familiar
    reduz a pressão por desmatamento
    9 centavos na barra = floresta preservada + produtor valorizado
    Conclusão direta
    O chocolate não é caro por causa do cacau
    Ele é caro por causa do sistema tributário
    A inflação do cacau é um fenômeno global

Mas a resposta pode ser brasileira:
educação, transparência e valorização de quem produz.

 

@nestle_br
@nestlechocolates
@exame @exameesg

—–

 

Cleber Isaac Filho é hoteleiro, ambientalista, empreendedor e coordenador do Programa Economia Verde

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