
Laís Nascimento
Março é um mês simbólico para reconhecer a força, a sensibilidade e a capacidade de transformação das mulheres. No *sul da Bahia*, especialmente em *Ibirataia*, essa força também tem cheiro de terra molhada, de cacau recém-colhido e de trabalho coletivo que sustenta famílias e movimenta a economia local.
Em *Ibirataia*, o cacau não é apenas uma cultura agrícola: ele é identidade, tradição e, sobretudo, a principal atividade econômica do município. Nas propriedades rurais, nas pequenas roças familiares e nas áreas produtivas que marcam nossa paisagem, a presença feminina é cada vez mais forte e indispensável.
As *mulheres do cacau* estão em todas as etapas da produção. Estão na colheita, carregando consigo conhecimentos transmitidos de geração em geração. Estão na quebra do fruto, no cuidado com as amêndoas, na fermentação e na secagem. Estão também em atividades técnicas como a polinização e a enxertia, que exigem paciência, precisão e dedicação.
Muitas vezes, além do trabalho na lavoura, são também responsáveis pela organização da propriedade, pela gestão familiar e pelo cuidado com a casa e os filhos. Essa participação feminina fortalece a agricultura familiar e demonstra que o desenvolvimento rural passa, necessariamente, pelo protagonismo das mulheres.

Entretanto, o cenário atual da cacauicultura traz preocupações que atingem diretamente quem vive da terra. A queda do preço do cacau e o deságio aplicado ao produto têm provocado impactos significativos na renda dos produtores e produtoras. Essa realidade não afeta apenas as famílias que trabalham nas lavouras, mas também toda a economia local e regional. Quando o cacau perde valor, o comércio sente, os serviços desaceleram e o desenvolvimento dos municípios produtores também é comprometido.
Diante desse contexto, é fundamental discutir e fortalecer medidas que garantam maior estabilidade e valorização da cadeia produtiva do cacau. Iniciativas voltadas para ampliar o uso do cacau na indústria nacional de chocolate, políticas de incentivo à produção e o equilíbrio nas importações são temas essenciais para proteger o produtor brasileiro e manter viva uma atividade que sustenta milhares de famílias.
Falar do cacau no mês da mulher é também reconhecer que muitas dessas famílias têm na mulher sua principal base de trabalho, organização e resistência. São mulheres que acordam cedo, enfrentam o sol da lavoura, administram desafios e continuam acreditando no potencial da terra e na força do campo.
Valorizar o cacau é valorizar também essas mulheres. Mulheres que não apenas cultivam frutos, mas cultivam dignidade, tradição e esperança para as próximas gerações.
No sul da Bahia, e em Ibirataia em especial, o cacau tem mãos femininas que ajudam a escrever todos os dias a história da nossa agricultura.
—
Laís Nascimento é Secretária Municipal de Agricultura de Ibirataia._






