
Cléber Isaac Filho
A reunião realizada ontem pela ANPC (Associação Nacional dos Produtores de Cacau) contou com expressiva participação de produtores, lideranças e representantes do setor, evidenciando a crescente preocupação com os rumos do mercado cacaueiro no Brasil.

Durante o encontro, ficou claro o descontentamento dos produtores com a falta de diálogo por parte da indústria, especialmente diante de práticas comerciais que vêm comprometendo a sustentabilidade da lavoura cacaueira. Os participantes destacaram que o objetivo da entidade é restabelecer relações mais justas e equilibradas, garantindo condições mínimas para a continuidade da produção.

Um dos principais pontos debatidos foi a prática recorrente de deságio, considerada desleal e prejudicial ao produtor, que vem corroendo a renda no campo e inviabilizando economicamente a atividade. Segundo os relatos apresentados, essa política tem sido aplicada de forma sistemática, sem transparência e sem espaço para negociação.

Também foi deliberado que a ANPC irá atuar de forma firme contra a entrada de cacau importado sem o devido cumprimento das exigências fitossanitárias, reforçando que a importação deve atender exclusivamente à necessidade de abastecimento da indústria, e não ser utilizada como mecanismo de pressão sobre os preços internos.
A entidade reforçou que sua atuação busca proteger o produtor nacional, preservar a sanidade das lavouras brasileiras e promover um ambiente de mercado mais justo, baseado no diálogo, na responsabilidade e no respeito à cadeia produtiva.

Ao final da reunião, a ANPC definiu que irá avançar com ações institucionais e técnicas, intensificando o diálogo com os órgãos competentes e cobrando da indústria uma postura mais ética e transparente, capaz de garantir a sobrevivência do produtor e a sustentabilidade do cacau brasileiro.






