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Quando a produtividade vira resistência: o exemplo de Jussari e o Projeto Cacau+500

Cleber Isaac Filho

Em tempos de queda no preço da arroba do cacau, é comum que o produtor rural se veja encurralado entre custos crescentes e margens cada vez mais apertadas. Nesse cenário, falar apenas de preço é insuficiente. A experiência recente vivida em Jussari, no sul da Bahia, mostra que produtividade, conhecimento e assistência técnica podem se transformar em instrumentos reais de resistência econômica.

No dia 27 de janeiro, foi realizado mais um Dia de Campo do Projeto Cacau 500, na região do Estreito do Piabanha, na propriedade do produtor Maxwel Alves. Ali, mais do que teoria, vimos a prática falando alto — e com números difíceis de ignorar.

Antes de ingressar no projeto, Maxwel colhia entre cinco e dez arrobas por hectare. Após aplicar, de forma consistente, as técnicas ensinadas, alcançou cem arrobas por hectare. Não se trata de promessa, discurso ou milagre agrícola. Trata-se de método, acompanhamento técnico e decisão de mudar.

O Dia de Campo foi conduzido pelo professor Ivan Costa, idealizador do Projeto Cacau 500, que tem um mérito raro: traduzir conhecimento técnico em linguagem acessível ao agricultor, respeitando a realidade da roça e o tempo do produtor. O resultado é visível no campo e mensurável na planilha.

 

O encontro reuniu produtores de diversos municípios, promoveu troca de experiências e reforçou algo que insistimos em ignorar: sem assistência técnica contínua, não há transformação estrutural na cacauicultura. Essa carência histórica segue sendo um dos maiores gargalos do setor.

Chamou atenção também a presença de estudantes da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), acompanhados pela professora Janaína. A integração entre universidade, extensão rural e produção agrícola não é luxo — é estratégia de desenvolvimento regional.

O entusiasmo de Maxwel é contagiante. Ele defende, com razão, que o Projeto Cacau 500 seja incorporado pelos municípios, ampliando seu alcance e democratizando o acesso ao conhecimento técnico. Quando o produtor vê resultado, ele vira multiplicador.

Ouvir Eraldo Batista, aposentado e ex-administrador de fazenda, reforçou essa percepção. Com décadas de experiência na cacauicultura, ele foi direto: nunca havia presenciado resultados tão expressivos. Para ele, o projeto entrega o que o agricultor mais precisa hoje — resultado concreto no campo.

Jussari mostra que, enquanto o debate sobre preço, importação e mercado internacional segue necessário, há um outro caminho que não pode ser negligenciado: produzir mais, melhor e com técnica. Em tempos difíceis, produtividade deixa de ser apenas meta e passa a ser ato de resistência.

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