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Cacau- projeto estruturante de estado

O Brasil precisa decidir qual é o seu projeto de futuro

Ivan Maia

 

Nós somos a maior potência florestal do planeta. Somos uma das maiores potências agrícolas do mundo. Mas ainda não transformamos essa vocação em uma verdadeira estratégia de Estado.

Hoje eu afirmo: o cacau precisa se tornar uma política nacional estruturante.

Não apenas como produto agrícola.
Mas como instrumento de preservação ambiental.
Como ferramenta de soberania alimentar.
Como vetor de desenvolvimento regional.
Como estratégia climática.

Nos estados da Bahia, do Pará, de Rondônia e do Espírito Santo, milhares de produtores já demonstram que é possível produzir mantendo a floresta em pé.

Na Bahia, o sistema cabruca preserva a Mata Atlântica.
No Pará e em Rondônia, o cacau avança como alternativa sustentável na Amazônia, recuperando áreas degradadas.
No Espírito Santo, o cultivo se fortalece como estratégia de diversificação agrícola, geração de renda e valorização da produção familiar.

O sistema agroflorestal do cacau protege o solo, conserva a biodiversidade e retira carbono da atmosfera.

Isso é mais do que agricultura.
Isso é civilização produtiva.

Enquanto o mundo discute como reduzir emissões, nós já temos uma solução concreta: a floresta produtiva.

Com apoio técnico da CEPLAC, com crédito adequado, com assistência técnica e com pagamento por serviços ambientais, podemos recuperar milhões de hectares de áreas degradadas sem derrubar uma única árvore.

Mas não se trata apenas de clima.

Trata-se de soberania.

O Brasil não pode ser apenas exportador de matéria-prima.
Precisamos agregar valor. Precisamos fortalecer nossa indústria nacional. Precisamos produzir chocolate de alta qualidade, com maior teor de cacau, menos açúcar e mais saúde para nossa população.

Estamos falando de geração de emprego no campo.
De fortalecimento da agricultura familiar.
De renda para pequenas propriedades.
De oportunidades para jovens nas regiões produtoras.

Estamos falando de uma nova economia baseada na floresta em pé.

Transformar o cacau em política de Estado significa:
• Crédito direcionado para sistemas agroflorestais.
• Seguro rural adequado ao cultivo sombreado.
• Pagamento por serviços ambientais.
• Incentivo à agroindustrialização local.
• Pesquisa, inovação e rastreabilidade.

Significa alinhar agricultura, meio ambiente, economia e saúde pública.

O mundo busca produtos sustentáveis.
O mundo exige cadeias livres de desmatamento.
O mundo quer carbono reduzido.

O Brasil pode liderar.

Mas liderança exige decisão política.

Não podemos tratar o cacau como cultura secundária.
Ele deve ser símbolo de uma nova etapa do desenvolvimento nacional: sustentável, inclusiva e soberana.

Da Mata Atlântica à Amazônia, do Nordeste ao Norte e ao Sudeste, o Brasil pode construir um corredor nacional do cacau agroflorestal.

Nós temos terra, temos ciência, temos produtores experientes, temos mercado interno e externo.

O que falta é elevar essa agenda ao nível de projeto nacional.

Se queremos proteger nossas florestas, fortalecer nossa economia e garantir saúde à nossa população, o caminho está diante de nós.

A floresta não é obstáculo ao progresso.
A floresta é o nosso maior ativo estratégico.

E o cacau pode ser o emblema dessa transformação.

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