
A Cooperativa Agrícola de Pau Brasil-COOAP é um dos destaques da 16ª Feira Baiana da Agricultura Familiar e Economia Solidária, realizada em Salvador,, com o lançamento de sua marca de chocolate. O evento marca um momento especial na vida da cooperativa, fundada em 1992, com o objetivo de transformar a cultura individualista então predominante na região cacaueira, nos tempos áureos do cacau, período em que ninguém imaginava a derrocada que atingiria a lavoura.
O Chocolate Pau Brasil chega está sendo comercializado em cinco versões: Chocolate 56%, Chocolate 70%, Chocolate 100%, Nibs 100% e Nibs 100% caramelizado. Está sendo lançado também o o Mel Pau Brasil, com mel de abelha, mel com favo e favo puro.

Um dos fundadores da COOAP, Miguel Archanjo da Rocha Filho, já falecido, um visionário, enxergou a necessidade de organizar a produção agrícola local, articular assistência técnica e buscar caminhos para tornar a agropecuária regional superavitária. Entretanto, com a crise da vassoura-de-bruxa, a falta de transversalidade e o apagão tecnológico, tornou-se impossível consolidar a cooperação como prioridade no município.
Miguel Archanjo, que foi presidente do Instituto Nacional do Café, trouxe sua experiência e capacidade de articulação para impulsionar o desenvolvimento econômico local. Conhecido como “seu Miguel do caroço”, faleceu sem ver plenamente realizados os sonhos que perseguiu.
Nesta nova fase a gestão da COOAP passou pela presidente do jovem João Paulo Reges “JP”, oriundo da agricultura familiar. João Paulo sempre obteve sua renda da agricultura familiar, técnico em agroecologia pelo CEEP Milton Santos a gestão de JP teve um marco significativo na entidade.

A partir dos anos 2000, jovens entusiastas, junto ao próprio Miguel Archanjo, criaram o Instituto Baiano de Desenvolvimento Ambiental e Socioprodutivo – ECOBAHIA. Fundado na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), o Instituto reunia jovens sonhadores, militantes, estudantes, profissionais liberais, servidores públicos, agricultores familiares, assentados da reforma agrária e, sobretudo, povos indígenas.
A ideia era construir uma entidade capaz de prestar assistência técnica e extensão rural às comunidades representadas na gênese da instituição. A primeira parceria institucional foi firmada com a Cooperativa de Trabalhadores do Estado da Bahia (COOTEBA), no programa do biodiesel.
Em 2007, veio o primeiro convênio no âmbito do Programa Vida Melhor, com o projeto “Cacau para Sempre” da CAR, beneficiando diversas famílias com apoio à produção de cacau de qualidade. Nesse período, desenvolveu-se um modelo experimental de recuperação de cacau baseado em sistemas agroflorestais.

Com o avanço das ações produtivas, tornou-se necessária a ampliação para projetos de assistência técnica em parceria com o Governo do Estado. A chamada pública de ATER Agroecologia marcou o início de uma profunda transformação: a identificação dos agricultores, o início da comercialização institucional e a urgente necessidade de um instrumento coletivo de comercialização. Assim, o grupo que fundou o ECOBAHIA decidiu reestruturar a Cooperativa Agrícola de Pau Brasil (COOAP).
Em parceria com a SDR, iniciou-se o Projeto de Aliança Produtiva, focado na qualidade da amêndoa, transformação e comercialização, plantando as bases do conceito de cacau de qualidade que, em pouco tempo, evoluiu para cacau de origem.
O Aliança Produtiva colocou agricultores familiares, por meio da COOAP, frente a frente com empresas de chocolate, numa relação onde as indústrias compreenderiam os desafios da produção, enquanto a cooperativa compreenderia os desafios do mercado, da qualidade e da oferta contínua de amêndoas. A matéria-prima, prioritariamente proveniente de cooperados e famílias atendidas pela rede de ATER — ECOBAHIA, COOAP e Instituto Cabruca — está diretamente ligada à Teia dos Povos.
Hoje, a COOAP é dirigida por Eliomar Melo (Xixa), Diretor -Presidente; Gabriel Almeida, Diretor Financeiro; e Victor Uallas, Diretor de Projetos, jovens formados na Escola Milton Santos de Cacau e Chocolate. A trajetória deles simboliza não apenas a transformação de suas próprias vidas, mas das comunidades com as quais se relacionam.

APOIO DO GOVERNO DO ESTADO
A verticalização da produção agrícola familiar e a agregação de valor têm permitido difundir saberes tradicionais e fortalecer o bem viver, ancorado na economia solidária e na luta dos povos. Segundo Eliomar Melo, a COOAP mudou sua vida: “nasci em Pau Brasil, na parte alta da cidade, e precisei tomar uma decisão muito cedo: ou estudava para vencer, ou seria vencido. Escolhi vencer, e hoje estamos aqui, na XVI FEBAFES, lançando o chocolate que leva o nome da minha cidade. É uma marca que representa muita luta e superação”.
De acordo com Eliomar, “as políticas públicas do Governo da Bahia, desde 2007 até hoje, nos proporcionram esse avanço. Sou estudante de escola pública, tornei-me técnico em agropecuária pela EMARC-Uruçuca, atuei na ATER pública com a COOTEBA, em Seguida com a Economia Solidária junto ao CESOL Litoral Sul e depois com o ECOBAHIA. Percebi que precisava me especializar e fui estudar no CEEP do Cacau e Chocolate Milton Santos, no Assentamento Terra Vista, em Arataca”.
“Hoje dirijo uma instituição que oferta ATER pública em parceria com a Bahiater. Somos um case de sucesso coletivo, fruto da sensibilidade de governos que dão oportunidade a entidades compostas pela diversidade dos povos da mata e da floresta, de acampamentos, assentamentos, aldeias e agricultores familiares. Não formamos mais exércitos de mão de obra: somos produtores em nossas próprias áreas, com conhecimento científico e inovação tecnológica que transforma sonhos em realidade. A realidade está aqui: venham experimentar o Chocolate Pau Brasil”, finaliza o dirigente.






