
Cleber Isaac Filho
O setor cacaueiro brasileiro vive um momento de grande tensão. Nos últimos meses, produtores na Bahia e em outros estados começaram a se movilizar de forma espontânea diante dos fortes impactos provocados pela importação crescente de cacau da África, muitas vezes aproveitando regimes fiscais como o drawback, que permitem a entrada de matéria-prima sem a devida tributação e sem os mesmos critérios que protegem a produção nacional.
Essa pressão externa tem tido efeitos dramáticos no mercado interno. Segundo relatos do setor, os preços pagos ao produtor chegaram a cair de valores historicamente altos para patamares muito baixos em questão de poucos dias, num movimento influenciado tanto pela maior oferta de cacau importado quanto pela retração da demanda industrial e pela queda das cotações no mercado global.
Em resposta ao agravamento da situação, a FAEB (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia) divulgou recentemente uma nota oficial anunciando a adoção de medidas legais para enfrentar o que tem sido denominado “cartel das moageiras” e as distorções geradas pelo atual regime de drawback aplicado à importação de cacau.

Paralelamente, foi criado o Movimento SOS Cacau, que agrega sindicatos rurais, a ANPC (Associação Nacional dos Produtores de Cacau), pequenas associações de produtores e outras entidades da base produtiva. Este movimento visa fortalecer a articulação dos produtores frente às ameaças ao mercado interno, exigir maior transparência e medidas efetivas do poder público, e dar voz aos agricultores que veem sua renda e futuro ameaçados.
Os produtores e o setor aguardam agora um pronunciamento oficial do Ministro da Agricultura, cuja atuação tem sido considerada, por muitos, omissa neste momento crítico. A expectativa é que o governo federal adote medidas concretas para proteger a cacauicultura nacional — seja por meio de ajustes no regime de importação, revisão de incentivos fiscais, maior fiscalização fitossanitária ou políticas públicas que garantam competição justa e sustentem preços mínimos dignos para quem produz.
O cenário é de mobilização e atenção: o setor está em ebulição não apenas por movimentos espontâneos nas bases, mas por uma articulação organizada que busca equilíbrio de mercado e justiça para o cacau brasileiro.
Veja a convocação da presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cacau, Vanuza Barroso






