
O Fórum Regional dos Secretários de Agricultura do Sul da Bahia (FREAD) encaminhou convite oficial à Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), solicitando apoio institucional e a participação da instituição no 4º Encontro Nacional do Projeto Cacau 500 e Feira da Agricultura Familiar, que será realizado entre os dias 10 e 13 de dezembro de 2026, no Centro de Convenções de Ilhéus.
O documento, assinado pelo presidente do FREAD e secretário municipal de Agricultura de Coaraci, Lucelmo Araújo, foi encaminhado à vice-diretora da CEPLAC, Monaliza Lopes da Silva Sales, e propõe que o encontro seja o principal fórum nacional para discutir estratégias de prevenção e enfrentamento da monilíase do cacaueiro, doença considerada uma das maiores ameaças fitossanitárias à produção de cacau.
A proposta, no entanto, vai além da discussão sobre a doença. O evento pretende construir uma agenda permanente para o fortalecimento da cacauicultura brasileira, reunindo governos, pesquisadores, universidades, produtores, cooperativas, instituições de pesquisa, setor produtivo e representantes de mais de quinze estados brasileiros.
MUNICÍPIOS TERÃO PARTICIPAÇÃO ESPECIAL

Uma das principais novidades desta edição será a expressiva participação dos municípios. Caravanas de diversas cidades da Bahia e de outros estados produtores de cacau já estão sendo organizadas para levar secretários municipais de Agricultura, técnicos, agricultores familiares, cooperativas, associações e lideranças rurais ao encontro.
Os municípios serão protagonistas do debate por representarem a principal porta de entrada das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural.
“É preciso compreender que as políticas públicas acontecem nos municípios. É nas Secretarias Municipais de Agricultura que o produtor recebe orientação, assistência técnica, participa de capacitações e acessa programas governamentais. Se queremos uma cacauicultura preparada para o futuro, precisamos fortalecer quem está na linha de frente junto aos agricultores”, afirma Lucelmo Araújo.
Para o dirigente, a prevenção da monilíase depende da integração entre União, estados e municípios, garantindo que a informação técnica e as ações de defesa agropecuária cheguem rapidamente às propriedades rurais.
RENOVAÇÃO COMEÇA PELA AGRICULTURA FAMILIAR
O FREAD também defende que a renovação da cacauicultura brasileira passa, necessariamente, pela agricultura familiar, responsável pela ampla maioria das propriedades produtoras de cacau.
“É na agricultura familiar que a renovação da cacauicultura vai acontecer. São milhares de pequenos produtores que sustentam essa cadeia produtiva e que precisam de políticas públicas capazes de aumentar a produtividade, melhorar a renda e garantir sustentabilidade para suas propriedades”
Segundo Lucelmo Araújo, esse processo depende diretamente do fortalecimento da pesquisa, da assistência técnica e da extensão rural: “precisamos proteger a pesquisa e fazer com que o conhecimento chegue ao campo. A assistência técnica e a extensão rural precisam voltar a ser a grande alavanca do desenvolvimento, como foram no passado. É dessa forma que vamos aumentar a produtividade, renovar as lavouras, promover a verticalização da produção e gerar mais renda para milhares de famílias.”
PRODUTIVIDADE, INOVAÇÃO E AGREGAÇÃO DE VALOR

Durante o Encontro Cacau+500 também serão debatidos temas considerados estratégicos para o futuro da cadeia produtiva, como o desenvolvimento de novos clones resistentes, materiais genéticos de alta produtividade, renovação das lavouras, manejo do cacaueiro, protocolos de prevenção à monilíase, Banco de Germoplasma da CEPLAC, pesquisa científica, assistência técnica e extensão rural.
Para o FREAD, o Brasil precisa construir uma política permanente para a cacauicultura baseada no aumento da produtividade, na inovação, na agregação de valor e na verticalização da produção: “não basta produzir mais. Precisamos produzir melhor, industrializar mais, agregar valor ao cacau brasileiro, fortalecer as cooperativas, incentivar a agroindústria e ampliar a renda das famílias rurais. Esse é o caminho para tornar a cacauicultura mais competitiva e sustentável.”
CEPLAC TERÁ PAPEL ESTRATÉGICO

No convite oficial, o FREAD solicita que a CEPLAC participe da programação com pesquisadores e especialistas que possam apresentar experiências desenvolvidas na Bahia, Pará, Rondônia, Amazonas e Espírito Santo, contribuindo para a construção de uma estratégia nacional de prevenção e enfrentamento da monilíase.
A entidade também pede apoio da instituição para mobilizar pesquisadores, técnicos, cooperativas, associações e representantes da cadeia produtiva em todo o país, ampliando a participação no encontro.
UM PACTO PELO FUTURO DA CACAUICULTURA

Ao defender uma mobilização nacional em torno da prevenção da monilíase, o FREAD propõe uma reflexão mais ampla sobre o futuro da cacauicultura brasileira. Para a entidade, proteger as lavouras significa, ao mesmo tempo, investir em pesquisa, inovação, renovação dos plantios, assistência técnica, extensão rural e valorização da agricultura familiar.
O 4º Encontro Nacional do Projeto Cacau 500 pretende consolidar esse compromisso, reunindo governos, instituições de pesquisa, universidades, produtores, cooperativas e municípios para construir uma agenda permanente de fortalecimento da cadeia produtiva.

Para Lucelmo Araújo, o momento exige planejamento, cooperação e visão de longo prazo: “Não podemos esperar que os problemas aconteçam para agir. O Brasil tem conhecimento técnico, instituições respeitadas e produtores comprometidos. Precisamos integrar esses esforços e fortalecer quem está mais próximo do agricultor: os municípios. É nas cidades que as políticas públicas chegam ao campo, transformando pesquisa em tecnologia, tecnologia em produtividade e produtividade em renda.”
Ele conclui afirmando que o desafio vai além do enfrentamento da monilíase: “Estamos discutindo o futuro da cacauicultura brasileira. Queremos uma cadeia produtiva mais moderna, mais sustentável e mais competitiva, capaz de gerar oportunidades para milhares de famílias. Quando fortalecemos a pesquisa, a assistência técnica, a extensão rural e as Secretarias Municipais de Agricultura, fortalecemos o produtor. E quando fortalecemos o produtor, fortalecemos toda a economia do cacau.”






