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Geral

A formiga tem perna mais curta onde há mais floresta

por Pavel Dodonov para o Blog InfloresCiência

 

Esse texto fala sobre o artigo “Effects of Habitat Amount and Configuration on Ant Functional traits in a Neotropical Rainforest” (“Efeitos da Quantidade e Configuração de Habitat sobre Traçoes Funcionais de Formigas em uma Floresta Úmida Neotropical”), da autoria de Bianca Caitano e com participação do professor do IBIO Pavel Dodonov, o qual coorientou o trabalho que deu origem a essa pesquisa. O trabalho foi publicado em julho de 2026 na revista Sociobiology e pode ser acessado clicando aqui.

Tenho quase certeza de que você viu uma formiga hoje. E se não viu hoje, com certeza viu nos últimos dias. Talvez você nem tenha reparado nela, mas ela estava lá – talvez na praça onde você passeia com sua cachorrinha, ou no asfalto do seu ponto de ônibus, ou dentro da sua casa querendo comer a sua comida. Elas estão em muitos lugares, e são tão comuns que talvez nem prestemos mais atenção nelas.

Mas nem todas as formigas são iguais! Só na Bahia, estima-se que temos cerca de mil espécies de formigas, três mil no Brasil e 23 mil no mundo (cerca de 15 mil estão descritas)! E com esse enorme número de espécies, é de se esperar que elas também variem muito entre si – o que de fato acontece! Assim, por exemplo, em termos de tamanho, temos desde as minúsculas Carebara, com menos de 1 mm, e as um pouquinho maiores Solenopsis, com 1 a 4 mm, até a Formiga-Gigante-da-Mata-Atlântica, Dinoponera lucida, chegando a 3 cm de comprimento – uma verdadeira gigante entre as formigas!

As formigas também realizam diversas funções ecológicas, com grande importância, por exemplo, para a ciclagem de nutrientes nas florestas, processo pelo qual os nutrientes voltam ao solo e ficam disponíveis para as plantas. As famosas formigas-cortadeira, também chamadas de saúvas, pertencentes aos gêneros Atta Acromyrmex, fazem sua parte nesta ciclagem através de seus ninhos, ou formigueiros, que ficam no solo. Essas formigas-cortadeiras cortam pedaços de plantas, as levam para seus formigueiros, e se alimentam de fungos que crescem sobre as folhas. Assim, elas transportam material orgânico pelo solo e as galerias de seus ninhos também deixam o solo mais ventilado.

Mas outras espécies, por exemplo algumas do gênero Camponotus, instalam seus ninhos em qualquer cavidade no chão ou nas plantas, ou ainda constroem uma estrutura embaixo de folhas ou na extremidade de galhos. Essas formigas se alimentam de líquidos, inclusive néctar de flores e de secreções de pulgões e cochonilhas; e formigas arborícolas de diversos gêneros que se alimentam de líquidos, mas que são também oportunamente predadoras, também protegem a planta em que vivem de outros insetos.

Existem formigas predadoras, que se alimentam de outros insetos e até de animais maiores. Existem formigas que vivem em climas mais frios e outras que vivem em climas mais quentes. Existem formigas que conseguem fazer seus ninhos até mesmo dentro de um baú de madeira dentro de uma casa (como já aconteceu com o autor deste texto), enquanto outras só vivem em florestas bem preservadas. Enfim, acho que deu pra ter uma noção da diversidade de formigas e da diversidade de funções que elas desempenham, né?

Uma formiga da espécie Ectatomma tuberculatum carregando uma gota de néctar. Formigas desta espécie podem se associar com pulgões que secretam néctar, e assim essas formigas também os protegem. Foto por Paulo Robson de Souza, dispónível no iNaturalist.

Pois bem, nesse trabalho, um dos frutos da tese de doutorado de Bianca Caitano, nós investigamos como o desmatamento pode afetar essa diversidade de formas e tamanhos que as formigas têm. Afinal, o desmatamento é uma das principais ameaças à biodiversidade e aos processos ecológicos, e as formigas, como acabamos de ver, são um grupo extremamente importante!

Só que ao invés de ver como a diversidade de espécies de fomigas é afetada pelo desmatamento, decidimos ver como a morfologia delas muda. Em vinte fragmentos florestais distribuídos pelo Sul da Bahia, e que já foram e continuam sendo estudados em diversas pesquisas pela Rede SISBIOTA, foram amostradas formigas em ramos de arbustos e árvores e também formigas que ocorrem no solo e no folhiço; isso também fez parte da pesquisa de doutorado de Ícaro Menezes, um dos coautores do artigo. Então, em laboratório, as formigas foram identificadas – resultando em um total de 123 espécies, pertencentes a oito subfamílias. E depois das identificações, Bianca mediu, com o auxílio de um estereomicroscópio (que é como se fosse um microscópio, mas com um aumento menor, apropriado para ver pequenos invertebrados), algumas características de alguns indivíduos de cada espécie de formiga.

Quando se faz uma pesquisa científica, podemos querer medir o máximo de coisas possíveis para ver quais resultados obteremos com isso, mais ou menos como se estivéssemos colocando evidências em um balde e gerando conhecimento científico a partir disso. Em alguns casos isso funciona; em outros isso pode gerar evidências espúrias, que não representam a realidade, simplesmente por termos coletado uma quantidade muito grande de informações. Então, muitas vezes é mais interessante primeiro definirmos exatamente o que queremos medir, partindo de conhecimento prévio sobre o assunto, e só depois medirmos essas variáveis – como se estivéssemos apontando uma lanterna na direção que escolhemos previamente. E foi exatamente isso que foi feito nessa pesquisa!

Assim, demos ênfase em quatro características das formigas. A primeira foi o tamanho das suas antenas: formigas se orientam e se comunicam primariamente por sinais químicos, percebidos por suas antenas, de modo que ter antenas maiores pode ser vantajoso em ambientes com uma estrutura tridimensional mais complexa, tais como frequentemente ocorre nas bordas das florestas. A segunda foi o tamanho das mandíbulas: espécies predadoras normalmente têm mandíbulas maiores, e assim seria esperado que as maiores mandíbulas seriam observadas nas formigas em paisagens mais preservadas, com mais florestas e portanto mais presas para para essas formigas. Por outro lado, formigas que consomem alimentos líquidos, tais como o néctar produzido por algumas plantas e por alguns pulgões, usam uma outra estrutura, chamada clípeo – assim, era esperado que as formigas em locais com muitas plantas que produzem néctar, tais como as bordas das florestas, tivessem clípeos maiores. E finalmente, foi medido o tamanho das pernas das formigas (especificamente da parte da perna chamada de fêmur), esperando encontrar formigas maiores em paisagens mais desmatadas, já que essas paisagens costumam ser mais quentes, e formigas com pernas maiores são mais resistentes ao calor.

Esquema das características das formigas que foram avaliadas nesse estudo: escapo antenal em verde, clípeo em laranja, mandíbulas em roxo, e fêmur em rosa.

Portanto, resumindo, era esperado que em paisagens mais desmatadas as formigas tivessem pernas maiores, antenas maiores, clípeos maiores, e mandíbulas menores. E, em linhas gerais, foi exatamente isso que aconteceu!

Com relação ao desmatamento, existem várias formas de medi-lo. Neste estudo, duas medidas foram usadas: a quantidade de floresta remanescente e a quantidade de bordas entre florestas e ambientes antropizados, como pastagens e plantações. Em paisagens com mais bordas, e portanto mais sujeitas aos efeitos de borda, as formigas realmente tiveram pernas maiores, antenas maiores, e clípeos maiores – como era esperado. Já a relação com a quantidade de floresta foi mais complexo. Assim, em uma das regiões estudadas, o tamanho das mandíbulas variou pouco com a quantidade de floresta remanescente, mas na outra região foi maior em locais com menos floresta – exatamente o contrário do que era esperado! Isso pode se dever ao fato de que nessa região há muitas agroflorestas de cacau, as chamadas cabrucas, nas quais parece haver ainda muitas presas para as formigas predadores. O tamanho do clípeo, por sua vez, foi maior em locais com uma quantidade intermediária de floresta.

Assim, o estudo mostra que o desmatamento afeta sim as características das formigas em fragmentos florestais, favorecendo espécies com determinadas características – tais como pernas maiores e antenas maiores – em detrimento de outras. E também esse é um bom exemplo em que bom conhecimento sobre a história natural do grupo estudado resultou em boas perguntas científicas e respostas elegantes a elas.

Se quiser ler o artigo, clique aqui!

Sobre os autores

Bianca Caitano é Doutora e Mestra em Ecologia e Conservação da Biodiversidade pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Atualmente é coordenadora técnica na Reserva Biológica da Mata Escura dentro do acordo de cooperação técnica Vale S.A e ICMBio, desenvolvendo trabalhos de monitoramento com mamíferos e aves e também projetos de Educação Ambiental. Sua trajetória de pesquisa concentra-se em compreender os efeitos de distúrbios antrópicos sobre a biodiversidade, com ênfase em processos decorrentes de fragmentação, perda de habitat e efeitos do fogo em florestas tropicais úmidas.

Pavel Dodonov é professor do Instituto de Biologia da UFBA, tendo feito seu Mestrado e Doutorado em Ecologia e Recursos Naturais na UFSCar (São Carlos, SP) e seu Pós-Doutorado em Ecologia e Conservação da Biodiversidade na UESC (Ilhéus, BA). Ministra disciplinas de Estatística para Biologia e de Ecologia em cursos de graduação e pós-graduação. Suas linhas de pesquisa abordam principalmente os impactos de ações antrópicas em ecossistemas naturais. Também desenvolve projetos de extensão em divulgação científica.

Ícaro Menezes é Mestre e Doutor em Ecologia Aplicada à Conservação da Biodiversidade pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Ilhéus, BA). Atua na área de pesquisa com Ecologia de Paisagens e Ornitofauna associada. Também atuou na área da educação, especificamente no ensino fundamental (6ª e 7ª série). Atualmente é Biólogo Ornitólogo Anilhador Sênior cadastrado no CEMAVE/ICMBio, especialista em Fauna pelo Senai Cimatec e Micro Empreendedor Individual (MEI), realizando cursos capacitativos, prestação de serviços na área de Meio Ambiente e Consultoria Ambiental.

Deborah Fariah é Doutora em Ecologia, Professora Plena da Universidade Estaudal de Santa Cruz (Ilhéus, BA) e coordenadora do Laboratório de Ecologia Aplicada à Conservação (LEAC). Sua pesquisa concentra-se em entender a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos na paisagem cacaueira, os impactos antrópicos e, mais recentemente, em como este relevante capital natural pode alavancar o desenvolvimento sustentável deste território.

Jacques Hubert Charles Delabie é graduado em biologia pelas Université Montpellier II e Université Paris XI (Paris-Sud), com Mestrado e Doutorado em entomologia pela Université Paris VI. Fez Pós-Doutorado em Entomologia na UFV (Viçosa, MG). Possui uma ”Habilitation à Diriger des Recherches, Sciences du Comportement” – Université Paris XIII (Paris Nord). Atualmente é Pesquisador em Tecnologia e Ciência Agrícola da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, Professor Pleno da Universidade Estadual de Santa Cruz, e orientador no Curso de Pós-Graduação em Zoologia da mesma universidade.

 

Esse texto fala sobre o artigo “Effects of Habitat Amount and Configuration on Ant Functional traits in a Neotropical Rainforest” (“Efeitos da Quantidade e Configuração de Habitat sobre Traçoes Funcionais de Formigas em uma Floresta Úmida Neotropical”), da autoria de Bianca Caitano e com participação do professor do IBIO Pavel Dodonov, o qual coorientou o trabalho que deu origem a essa pesquisa. O trabalho foi publicado em julho de 2026 na revista Sociobiology e pode ser acessado clicando aqui.

Tenho quase certeza de que você viu uma formiga hoje. E se não viu hoje, com certeza viu nos últimos dias. Talvez você nem tenha reparado nela, mas ela estava lá – talvez na praça onde você passeia com sua cachorrinha, ou no asfalto do seu ponto de ônibus, ou dentro da sua casa querendo comer a sua comida. Elas estão em muitos lugares, e são tão comuns que talvez nem prestemos mais atenção nelas.

Mas nem todas as formigas são iguais! Só na Bahia, estima-se que temos cerca de mil espécies de formigas, três mil no Brasil e 23 mil no mundo (cerca de 15 mil estão descritas)! E com esse enorme número de espécies, é de se esperar que elas também variem muito entre si – o que de fato acontece! Assim, por exemplo, em termos de tamanho, temos desde as minúsculas Carebara, com menos de 1 mm, e as um pouquinho maiores Solenopsis, com 1 a 4 mm, até a Formiga-Gigante-da-Mata-Atlântica, Dinoponera lucida, chegando a 3 cm de comprimento – uma verdadeira gigante entre as formigas!

As formigas também realizam diversas funções ecológicas, com grande importância, por exemplo, para a ciclagem de nutrientes nas florestas, processo pelo qual os nutrientes voltam ao solo e ficam disponíveis para as plantas. As famosas formigas-cortadeira, também chamadas de saúvas, pertencentes aos gêneros Atta Acromyrmex, fazem sua parte nesta ciclagem através de seus ninhos, ou formigueiros, que ficam no solo. Essas formigas-cortadeiras cortam pedaços de plantas, as levam para seus formigueiros, e se alimentam de fungos que crescem sobre as folhas. Assim, elas transportam material orgânico pelo solo e as galerias de seus ninhos também deixam o solo mais ventilado.

Mas outras espécies, por exemplo algumas do gênero Camponotus, instalam seus ninhos em qualquer cavidade no chão ou nas plantas, ou ainda constroem uma estrutura embaixo de folhas ou na extremidade de galhos. Essas formigas se alimentam de líquidos, inclusive néctar de flores e de secreções de pulgões e cochonilhas; e formigas arborícolas de diversos gêneros que se alimentam de líquidos, mas que são também oportunamente predadoras, também protegem a planta em que vivem de outros insetos.

Existem formigas predadoras, que se alimentam de outros insetos e até de animais maiores. Existem formigas que vivem em climas mais frios e outras que vivem em climas mais quentes. Existem formigas que conseguem fazer seus ninhos até mesmo dentro de um baú de madeira dentro de uma casa (como já aconteceu com o autor deste texto), enquanto outras só vivem em florestas bem preservadas. Enfim, acho que deu pra ter uma noção da diversidade de formigas e da diversidade de funções que elas desempenham, né?

Uma formiga da espécie Ectatomma tuberculatum carregando uma gota de néctar. Formigas desta espécie podem se associar com pulgões que secretam néctar, e assim essas formigas também os protegem. Foto por Paulo Robson de Souza, dispónível no iNaturalist.

Pois bem, nesse trabalho, um dos frutos da tese de doutorado de Bianca Caitano, nós investigamos como o desmatamento pode afetar essa diversidade de formas e tamanhos que as formigas têm. Afinal, o desmatamento é uma das principais ameaças à biodiversidade e aos processos ecológicos, e as formigas, como acabamos de ver, são um grupo extremamente importante!

Só que ao invés de ver como a diversidade de espécies de fomigas é afetada pelo desmatamento, decidimos ver como a morfologia delas muda. Em vinte fragmentos florestais distribuídos pelo Sul da Bahia, e que já foram e continuam sendo estudados em diversas pesquisas pela Rede SISBIOTA, foram amostradas formigas em ramos de arbustos e árvores e também formigas que ocorrem no solo e no folhiço; isso também fez parte da pesquisa de doutorado de Ícaro Menezes, um dos coautores do artigo. Então, em laboratório, as formigas foram identificadas – resultando em um total de 123 espécies, pertencentes a oito subfamílias. E depois das identificações, Bianca mediu, com o auxílio de um estereomicroscópio (que é como se fosse um microscópio, mas com um aumento menor, apropriado para ver pequenos invertebrados), algumas características de alguns indivíduos de cada espécie de formiga.

Quando se faz uma pesquisa científica, podemos querer medir o máximo de coisas possíveis para ver quais resultados obteremos com isso, mais ou menos como se estivéssemos colocando evidências em um balde e gerando conhecimento científico a partir disso. Em alguns casos isso funciona; em outros isso pode gerar evidências espúrias, que não representam a realidade, simplesmente por termos coletado uma quantidade muito grande de informações. Então, muitas vezes é mais interessante primeiro definirmos exatamente o que queremos medir, partindo de conhecimento prévio sobre o assunto, e só depois medirmos essas variáveis – como se estivéssemos apontando uma lanterna na direção que escolhemos previamente. E foi exatamente isso que foi feito nessa pesquisa!

Assim, demos ênfase em quatro características das formigas. A primeira foi o tamanho das suas antenas: formigas se orientam e se comunicam primariamente por sinais químicos, percebidos por suas antenas, de modo que ter antenas maiores pode ser vantajoso em ambientes com uma estrutura tridimensional mais complexa, tais como frequentemente ocorre nas bordas das florestas. A segunda foi o tamanho das mandíbulas: espécies predadoras normalmente têm mandíbulas maiores, e assim seria esperado que as maiores mandíbulas seriam observadas nas formigas em paisagens mais preservadas, com mais florestas e portanto mais presas para para essas formigas. Por outro lado, formigas que consomem alimentos líquidos, tais como o néctar produzido por algumas plantas e por alguns pulgões, usam uma outra estrutura, chamada clípeo – assim, era esperado que as formigas em locais com muitas plantas que produzem néctar, tais como as bordas das florestas, tivessem clípeos maiores. E finalmente, foi medido o tamanho das pernas das formigas (especificamente da parte da perna chamada de fêmur), esperando encontrar formigas maiores em paisagens mais desmatadas, já que essas paisagens costumam ser mais quentes, e formigas com pernas maiores são mais resistentes ao calor.

Esquema das características das formigas que foram avaliadas nesse estudo: escapo antenal em verde, clípeo em laranja, mandíbulas em roxo, e fêmur em rosa.

Portanto, resumindo, era esperado que em paisagens mais desmatadas as formigas tivessem pernas maiores, antenas maiores, clípeos maiores, e mandíbulas menores. E, em linhas gerais, foi exatamente isso que aconteceu!

Com relação ao desmatamento, existem várias formas de medi-lo. Neste estudo, duas medidas foram usadas: a quantidade de floresta remanescente e a quantidade de bordas entre florestas e ambientes antropizados, como pastagens e plantações. Em paisagens com mais bordas, e portanto mais sujeitas aos efeitos de borda, as formigas realmente tiveram pernas maiores, antenas maiores, e clípeos maiores – como era esperado. Já a relação com a quantidade de floresta foi mais complexo. Assim, em uma das regiões estudadas, o tamanho das mandíbulas variou pouco com a quantidade de floresta remanescente, mas na outra região foi maior em locais com menos floresta – exatamente o contrário do que era esperado! Isso pode se dever ao fato de que nessa região há muitas agroflorestas de cacau, as chamadas cabrucas, nas quais parece haver ainda muitas presas para as formigas predadores. O tamanho do clípeo, por sua vez, foi maior em locais com uma quantidade intermediária de floresta.

Assim, o estudo mostra que o desmatamento afeta sim as características das formigas em fragmentos florestais, favorecendo espécies com determinadas características – tais como pernas maiores e antenas maiores – em detrimento de outras. E também esse é um bom exemplo em que bom conhecimento sobre a história natural do grupo estudado resultou em boas perguntas científicas e respostas elegantes a elas.

Se quiser ler o artigo, clique aqui!

Sobre os autores

Bianca Caitano é Doutora e Mestra em Ecologia e Conservação da Biodiversidade pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Atualmente é coordenadora técnica na Reserva Biológica da Mata Escura dentro do acordo de cooperação técnica Vale S.A e ICMBio, desenvolvendo trabalhos de monitoramento com mamíferos e aves e também projetos de Educação Ambiental. Sua trajetória de pesquisa concentra-se em compreender os efeitos de distúrbios antrópicos sobre a biodiversidade, com ênfase em processos decorrentes de fragmentação, perda de habitat e efeitos do fogo em florestas tropicais úmidas.

Pavel Dodonov é professor do Instituto de Biologia da UFBA, tendo feito seu Mestrado e Doutorado em Ecologia e Recursos Naturais na UFSCar (São Carlos, SP) e seu Pós-Doutorado em Ecologia e Conservação da Biodiversidade na UESC (Ilhéus, BA). Ministra disciplinas de Estatística para Biologia e de Ecologia em cursos de graduação e pós-graduação. Suas linhas de pesquisa abordam principalmente os impactos de ações antrópicas em ecossistemas naturais. Também desenvolve projetos de extensão em divulgação científica.

Ícaro Menezes é Mestre e Doutor em Ecologia Aplicada à Conservação da Biodiversidade pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Ilhéus, BA). Atua na área de pesquisa com Ecologia de Paisagens e Ornitofauna associada. Também atuou na área da educação, especificamente no ensino fundamental (6ª e 7ª série). Atualmente é Biólogo Ornitólogo Anilhador Sênior cadastrado no CEMAVE/ICMBio, especialista em Fauna pelo Senai Cimatec e Micro Empreendedor Individual (MEI), realizando cursos capacitativos, prestação de serviços na área de Meio Ambiente e Consultoria Ambiental.

Deborah Faria é Doutora em Ecologia, Professora Plena da Universidade Estaudal de Santa Cruz (Ilhéus, BA) e coordenadora do Laboratório de Ecologia Aplicada à Conservação (LEAC). Sua pesquisa concentra-se em entender a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos na paisagem cacaueira, os impactos antrópicos e, mais recentemente, em como este relevante capital natural pode alavancar o desenvolvimento sustentável deste território.

Jacques Hubert Charles Delabie é graduado em biologia pelas Université Montpellier II e Université Paris XI (Paris-Sud), com Mestrado e Doutorado em entomologia pela Université Paris VI. Fez Pós-Doutorado em Entomologia na UFV (Viçosa, MG). Possui uma ”Habilitation à Diriger des Recherches, Sciences du Comportement” – Université Paris XIII (Paris Nord). Atualmente é Pesquisador em Tecnologia e Ciência Agrícola da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, Professor Pleno da Universidade Estadual de Santa Cruz, e orientador no Curso de Pós-Graduação em Zoologia da mesma universidade.

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