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Campanha promove o trabalho decente na cadeia produtiva do cacau

Lançada na ExpoCacau 2026, iniciativa da OIT e do CocoaAction busca mobilizar produtores, trabalhadores, cooperativas, empresas e comunidades em torno de uma cacauicultura mais justa, segura e sustentável

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o CocoaAction Brasil lançaram nesta terça-feira (25), durante a abertura da ExpoCacau 2026, em Ilhéus (BA), a campanha “Valorizar quem cultiva o cacau é promover o trabalho decente”.

A campanha busca ampliar a conscientização sobre a importância do trabalho decente para o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva do cacau, colocando no centro do debate as pessoas que cultivam, colhem e contribuem para a produção do fruto.

O lançamento da campanha foi realizado pelo oficial de Projeto da OIT, Erik Ferraz, o diretor do CocoaAction Brasil, Pedro Ronca, e a auditora-fiscal do Trabalho e chefe da Secretaria de Inspeção do Trabalho do MTE na Bahia, Lidiane Barros, que reforçaram a importância do diálogo e colaboração entre setor público e privado para avançar em questões prioritárias para a cacauicultura, como aumento da produtividade, assistência técnica e capacitação.

“Valorizar quem cultiva o cacau é promover o trabalho decente. E promover o trabalho decente é construir o futuro da cadeia do cacau. Este lançamento representa, portanto, mais do que uma campanha de comunicação. É um convite à ação. É um chamado para que todos os atores da cadeia assumam sua responsabilidade na construção de uma cadeia de cacau mais justa, sustentável e promotora de trabalho decente.”, disse Ferraz.

Uma cadeia estratégica para o Brasil

Segundo dados da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), o Brasil é o sexto maior produtor mundial de cacau e o único país que reúne todas as etapas da cadeia, da amêndoa ao chocolate. A atividade envolve mais de 93 mil produtores e produtoras e gera aproximadamente 300 mil empregos diretos, concentrados principalmente na Bahia e no Pará.

Apesar de sua importância econômica e social, a cadeia ainda enfrenta desafios. Municípios produtores registram índices de desenvolvimento humano baixos ou médios e forte dependência de programas de transferência de renda. Estudos conduzidos pela OIT também identificaram riscos de trabalho infantil e de trabalho em condições análogas à escravidão em elos da cadeia.

“É um convite à ação. É um chamado para que todos os atores da cadeia assumam sua responsabilidade na construção de uma cadeia de cacau mais justa, sustentável e promotora de trabalho decente.”, disse Ferraz.

Quatro eixos para promover o trabalho decente

Por isso, a iniciativa tem como público-alvo principal produtores, produtoras, trabalhadores, famílias, sindicatos e cooperativas das regiões produtoras de Ilhéus e dos territórios do CIAPRA, na Bahia, e de Medicilândia, no Pará. A iniciativa está está organizada em quatro eixos inter-relacionados:

  • Segurança e saúde no trabalho, com foco na prevenção de acidentes, e no uso adequado dos equipamentos de proteção.
  • Sucessão rural e a proteção à infância, incentivando a permanência dos jovens na escola e sua futura participação e liderança no campo, sem trabalho infantil.
  • Formalização, a segurança contratual e a proteção social, com informações sobre direitos, deveres e, também, esclarecendo dúvidas e mitos que muitas vezes dificultam a formalização.
  • O mercado do cacau traduzido, para ajudar produtores e produtoras a compreender melhor questões como preço, certificação e valor agregado.

A campanha é multicanal e conta com podcast, vídeos, e conteúdo para as redes socais que podem ser compartilhados com a hashtag #CacauComTrabalhoDecente. Todo material estão disponíveis para download gratuitamente em www.cacaucomtrabalhodecente.com.br

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