Universidade Federal do Sul da Bahia leva conhecimentos à Expo Cacau

Uma equipe de docentes e discentes dos cursos do Centro de Formação em Ciências Agroflorestais (CFCAF) apresentou pesquisas e projetos que se ligam à cadeia produtiva do cacau na ExpoCacau 2026, no Centro de Convenções de Ilhéus. Desde a terça-feira (25), o time formado por professores e estudantes dos cursos de Engenharia Agrícola e Ambiental, Engenharia Florestal e Tecnólogo Superior em Produção de Cacau e Chocolate ocupa um estande no evento, mostrando a gama de pesquisas e projetos de extensão conectados ao principal cultivo regional.
A ExpoCacau é a maior feira agrícola e de negócios da cacauicultura. O evento registrou mais de 6 mil participantes, 60 expositores e R$ 240 milhões em negócios gerados na última edição. Com isso, a ExpoCacau vem se firmando como ponto de encontro da cadeia produtiva e um espaço de acesso a tecnologias, insumos e serviços para o produtor. O foco é conectar produtores, técnicos, especialistas, instituições financeiras, empresas e organizações do setor, disseminar novas tecnologias para cacau, fomentar negócios, e facilitar o acesso à inovação e conhecimento no setor. E a UFSB passa a fazer parte desse universo de instituições envolvidas com a produção cacauicultora.

Conforme a professora Jannaína Velasques, a participação da universidade atende a um convite da organização do Cocoa Action, feito durante o Simpósio Baiano em Tecnologias do Cacau e Chocolate (SIBATEC). O intuito é que a UFSB pudesse apresentar para a comunidade todos os cursos que têm uma interface com a cultura do cacau. “A ExpoCacau tem foco na cultura mesmo, agrícola, a campo, das amêndoas do cacau. Então, nós trouxemos aqui os cursos que a gente tem: Tecnólogo em Produção de Cacau e Chocolate, a Engenharia Agrícola, com essa interface da parte de mecanização, automação e inteligência artificial, e a parte de conservação e manejo da cabruca com a Engenharia Florestal “.
Variedade e inovação

A professora Jannaína conta que o estande apresentou diversos projetos que têm relação com a cultura do cacau. Os temas abrangem desde o estudo, manejo e fertilidade de solos, com um projeto que leva esse tema a escolas parceiras, poda, enxertia, melhoramento genético de cultivares, conservação de um banco de germoplasma, estudo e conservação de polinizadores com abelhas sem ferrão, até as pesquisas sobre sistemas agroflorestais e bioprospecção molecular.
E nesses projetos há novidades importantes, como a pesquisadora detalha: “os alunos estão expondo projetos de poda do cacaueiro, sobre como conduzir, porque cada variedade tem uma forma correta de ser podada. Nós temos projetos de propagação, nos quais testamos métodos de enxertia que saem do comum, feito a partir das hastes do cacaueiro. Estamos utilizando um enxerto hipocotiledonar e o cultivo in vitro do cacaueiro para a limpeza de viroses. Além disso, tem os trabalhos de bioprospecção para controle de pragas e doenças do cacau”.
É um leque de opções de técnicas que ajudam o cacauicultor a diversificar fontes de renda e a gerenciar as condições de produtividade. Como diz Jannaína: “Tudo brota do solo, né? Se você não tem um bom manejo do solo, não tem como ter uma boa produtividade. Então temos ali a exposição dos solos, a gente apresenta os polinizadores, com o projeto da professora Rosane, que está aqui tanto com as abelhas, as meliponas, que é uma forma de diversificar a propriedade rural. E mais ela tem também ali uma coleção de polinizadores do cacau que ela traz para os alunos dela apresentarem. Aqui a gente também apresenta a cabruca, o sistema de cultivo tradicional do sul da Bahia, com todos os produtos florestais não-madeireiros que podem gerar renda para o produtor rural: ervas medicinais, madeira, sementes, fibra”.

A equipe discente foi organizada para revezar os turnos de manhã e tarde, compreendendo equipes dos três cursos do CFCAF. A Engenharia Agrícola levou a empresa júnior do curso.
“Muitos dos nossos alunos saem da empresa junior e já são contratados por empresas que estão aqui. Nós temos alunos que já estão expondo com a DGI Agriculture, alunos que estão trabalhando para Netafim, uma empresa de irrigação do setor, por exemplo”, conta a professora Jannaína.
No final da quinta-feira, em retorno de agenda de trabalho em Brasília, o reitor da UFSB, professor Fabrício Berton Zanchi, visitou o estande e conheceu as apresentações levadas pela equipe do CFCAF à Expocacau 2026. Foi a oportunidade de conversar com docentes e estudantes e ver de perto o que a UFSB selecionou para mostrar no evento.
Na ocasião, o reitor também pôde conversar com Guilherme Salata, da Cocoa Action Brasil, instituição promotora do evento.
Diversas abordagens voltadas para o cacau

A professora Lyvia Rego, do curso de Engenharia Florestal, explica que os trabalhos sobre sistemas agroflorestais se trata de entender como consorciar outras espécies vegetais com o cacaueiro, com variações dentro de uma cabruca, para obter ganhos de produção e renda além das amêndoas. “Dentro da cabruca a gente tem inúmeros produtos madeireiros e não-madeireiros que têm valor comercial e que podem gerar renda para o produtor”, afirma.
Entre esses consórcios, a docente menciona as espécies pau-brasil, o mogno, o vinhático, o ipê-amarelo, que fornecem os produtos da madeira e geram renda.

Além disso, há inúmeros produtos não-madeireiros, como a caixinha de sapucaia, o jenipapo que é muito consumido aqui na região para licores, e a laranja d’água, que é uma espécie que está dentro da cabruca. Lyvia destaca outras espécies “Também temos o cajá, os cipós, que são transformados em artesanatos e que são muito utilizados aqui mesmo na região por vários artesãos e que podem agregar ainda mais valor, como por exemplo a planta chamada costela-de-adão, que é frequentemente utilizadas para paisagismo, ou seja, produzir um valor altamente agregado, podendo gerar renda. Então, a cabruca e os sistemas produtivos que são associados com o cacau são muito rentáveis, não só pelo cacau, mas pelos outros produtos, madeireiros e não madeireiros, que são encontrados nesse sistema de produção”.
Da exposição no SIBATEC, conta a professora Jannaína Velasques, os experimentos realizados com enxertia recebem atenção. “Um dos ganhadores do SIBATEC trabalhou testando amêndoas diferentes por causa do tamanho do cotilédone. Partindo do princípio que um cotilédone muito grande acaba demorando mais para germinar, o que a gente quer é garantir produtividade, mas num tempo menor para ir a campo. Uma muda de qualidade, mas com um tempo menor de viveiro”, detalha a pesquisadora e docente.
“Então ele testou clones diferentes para ver se existe uma diferença ou não de realizar essa enxertia, testou enxertos de amêndoas de tamanhos diversos também”.
A enxertia hipocotiledonar é procedimento comum na macieira e uma novidade no manejo do cacaueiro, diz Jannaína: “No cacau a gente está buscando isso como uma forma de diminuir a espessura da estaca necessária para o enxerto. Porque dessa forma a gente pode garantir uma replicação maior para salvar um banco de germoplasma”.
Outro trabalho apresentado na Expocacau 2026 é um estudo de bioprospecção para o desenvolvimento de um fungicida a partir de um produto natural que é a resina da amescla (veja a matéria na UFSB Ciência). A ideia é que se possa chegar a um fungicida sintético baseado na oleorresina da amescla, com efetividade sem os efeitos colaterais dos produtos mais comuns atualmente.






