CEPLAC projeta novo ciclo para o cacau brasileiro com inovação, ciência e cooperação internacional
Em entrevista ao Cabruca Podcast, o diretor da CEPLAC, Thiago Guedes, apresentou a estratégia da instituição voltada para fortalecer a pesquisa, a inovação, a assistência técnica e a competitividade da cacauicultura brasileira.

A instituição que completará sete décadas de atuação, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura, apresentou a visão estratégica da atual gestão para preparar a CEPLAC para os desafios das próximas décadas e ampliar a contribuição da instituição para o desenvolvimento da cacauiculturaViana, que, em entrevista ao Cabruca Podcast, apresentou a visão estratégica da atual gestão para preparar a CEPLAC para os desafios das próximas décadas e ampliar a contribuição da instituição para o desenvolvimento da cacauicultura brasileira.
Natural de Itabuna, no Sul da Bahia, e engenheiro agrônomo formado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Thiago Guedes construiu sua trajetória profissional atuando junto aos produtores rurais, agricultores familiares, com passagens pelo Instituto Cabruca, Organização de Conservação de Terras OCT/Fundação Odebrecht, Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia e iniciativas voltadas aos sistemas agroflorestais, agroecologia e ao desenvolvimento rural sustentável.
Ao abordar a história da CEPLAC, o diretor destacou a contribuição da instituição para o desenvolvimento da cacauicultura e para a transformação socioeconômica do Sul da Bahia. Além dos avanços em pesquisa, melhoramento genético, fitossanidade e transferência de tecnologia, o órgão participou da formação de profissionais, da implantação de centros de pesquisa e do fortalecimento da infraestrutura regional, consolidando um patrimônio técnico-científico reconhecido nacional e internacionalmente.
“Nosso desafio é preservar esse legado e, ao mesmo tempo, preparar a CEPLAC para os próximos 30 anos, quando a instituição alcançará seu centenário”, afirma.
A modernização institucional é uma das prioridades da atual gestão. Entre os avanços recentes está a atualização do Decreto n.º 12.642/2025, que redefiniu as competências da CEPLAC, fortalecendo sua atuação em pesquisa, inovação, assistência técnica, extensão rural e desenvolvimento da cadeia produtiva do cacau. Também integra essa estratégia a proposta de recomposição do quadro técnico por meio da solicitação de autorização para realização de concurso público, considerada essencial para assegurar a renovação das capacidades institucionais e a continuidade do conhecimento acumulado ao longo de décadas.
Segundo Thiago Guedes, o futuro da cacauicultura brasileira passa necessariamente pela inovação. Nesse contexto, o Plano Inova Cacau 2030 que foi consolidado por mais de 70 instituições públicas e privadas do setor, em torno de uma estratégia nacional voltada à expansão sustentável da produção, ao aumento da produtividade, à adaptação às mudanças climáticas, ao fortalecimento da governança da cadeia produtiva, à ampliação da renda dos produtores e à agregação de valor ao cacau brasileiro.
A iniciativa busca posicionar o Brasil como um dos principais protagonistas da nova economia global do cacau, aproveitando o cenário de crescimento da demanda por amêndoas de qualidade, produtos de origem conhecida e sistemas produtivos ambientalmente sustentáveis.
Entre os principais desafios científicos está o enfrentamento da monilíase, considerada uma das maiores ameaças fitossanitárias da cacauicultura mundial. A CEPLAC coordena estudos com centenas de materiais genéticos em parceria com instituições nacionais e internacionais para identificar variedades mais resistentes à doença, além de desenvolver programas de melhoramento genético voltados ao aumento da produtividade, da qualidade e da resiliência das lavouras frente às mudanças climáticas.
A transformação digital também integra essa nova agenda institucional. Ferramentas de inteligência artificial (IA), plataformas digitais e novos canais de comunicação deverão ampliar o alcance da assistência técnica, facilitar a difusão do conhecimento científico e oferecer respostas mais rápidas aos desafios enfrentados pelos produtores.
Historicamente reconhecida por sua atuação na Bahia e no Pará, com a pauta da Mata Atlântica e Amazônia, a CEPLAC também vem fortalecendo sua presença em novas regiões produtoras, apoiando a expansão sustentável da cacauicultura em diferentes biomas e estados brasileiros. Essa estratégia busca ampliar a produção nacional por meio da conservação produtiva, da qualidade das amêndoas e da ampla conexão com os agricultores familiares, pequenos, médios e grandes produtores.
Outro eixo estratégico destacado pelo diretor é o fortalecimento do Sistema Cabruca, modelo agroflorestal característico da Mata Atlântica que concilia produção agrícola e conservação da biodiversidade. Para Thiago Guedes, trata-se de uma experiência brasileira de grande relevância internacional, capaz de contribuir para os debates sobre agricultura sustentável, adaptação climática e serviços ecossistêmicos.
Projetos apoiados por organismos internacionais vêm promovendo a recuperação de paisagens produtivas, o aumento da produtividade das áreas cultivadas, a conservação da biodiversidade e a geração de novas oportunidades econômicas para os produtores por meio da valorização dos serviços ambientais.
Segundo o diretor, a combinação entre ciência, sustentabilidade, rastreabilidade e inovação representa um diferencial competitivo para o cacau brasileiro diante das novas exigências dos mercados internacionais, que demandam produtos com origem conhecida, responsabilidade socioambiental e elevada qualidade.
Ao projetar o futuro da cadeia produtiva, Thiago Guedes entende que se deve promover uma agricultura cada vez mais competitiva, inovadora e sustentável, apoiada na pesquisa, no cooperativismo, na assistência técnica e na valorização da origem do cacau brasileiro.
“A gente combate pobreza com riqueza”, resume o diretor ao dimensionar que as políticas públicas são capazes de ampliar oportunidades para os produtores, estimular o empreendedorismo rural e criar perspectivas para que as novas gerações permaneçam no campo.
Para ele, o fortalecimento dacacauiculturaa depende da integração entre governo, universidades, centros de pesquisa, cooperativas, indústria do cacau ao chocolate, setor produtivo e agricultores. “Os grandes desafios da agricultura exigem atuação conjunta. A inovação nasce da cooperação.”
Ao completar 70 anos de história, a CEPLAC reafirma seu compromisso como instituição de Estado dedicada à pesquisa, à inovação, à assistência técnica e ao desenvolvimento sustentável da cacauicultura brasileira. Preparar o setor para os desafios das próximas décadas, ampliando sua competitividade e contribuindo para o desenvolvimento regional, é a missão que orienta esse novo ciclo institucional.






