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O Dia da União dos Cacauicultores

Paulo Peixinho
paulo@cacaupeixinho.com

´Paulo Peixinho

Três décadas após a chegada da Vassoura-de-Bruxa, da primeira importação de cacau, do fechamento de indústrias processadoras nacionais, exportadoras e cooperativas de cacau, e do insucesso do plano governamental de controle da doença, o povo do cacau foi às ruas.

Um movimento que reivindicava algo básico: interlocução com o governo.

O governador da Bahia Jerónimo Rodrigues recebeu, em reunião aberta, representantes dos produtores de cacau para ouvir seus reclamos.

O negócio do cacau tem características inerentes. Trata-se de uma commodity agrícola cíclica, de alta volatilidade dos preços do cacau e do dólar, e de elevado risco. Por isso mesmo, é amplamente reconhecida a necessidade da ação do governo como participante da cadeia, exercendo o papel de mediador dos conflitos naturais de um setor dessa natureza.

Que o dia 4 de fevereiro seja histórico. Será mesmo? Ouvi de muitos participantes que as demandas apresentadas pelos produtores foram acolhidas para análise e que foi criado um grupo de trabalho.

Essa reunião pode representar o primeiro passo de uma longa caminhada de mil léguas que o setor do cacau precisa percorrer para, enfim, chegar ao século XXI.

Meu objetivo neste texto é convidar os líderes do cacau e toda a comunidade cacaueira à reflexão.

Para isso , é necessário um autoenfrentamento para reconhecer a realidade — sem o pensamento mágico de que a solução será imediatista.

Cada um de nós, precisa perguntar se efetivamente estamos plantando a semente de união, de associação, de cooperação e diálogo, deixando de lado o individualismo, a soberba e a vaidade?

Essa nova postura — como atores de uma cadeia de valor em que todos os elos são fundamentais — exige novos comportamentos.

Se o produtor precisa da processadora, a processadora necessita do produtor, assim como os chocolateiros.

Assim como o recente boom de preços (2023/5) causou prejuízos aos chocolateiros. O que era esperado, o retorno tem causado mais prejuízo ao agricultor devido ao deságio, neste momento de retorno.

A pauta de mudanças é grande e desafiadora, além do apresentado pelo grupo ao governo sugiro:

1) Criação de um Conselho de Autoregulação na comercialização de cacau e derivados e uma Câmara Arbitral – um espaço virtual, com a reuniões semanais.

2) Revisão e operacionalização de penhor agrícola.

3) criação de instrumentos de gestão de risco (Hedge) para todos produtores

4) Criação de um órgão de dados estatísticos com registro de recebimentos de cacau, exportação, moagens, para evitar assimetria das informações.

5) Controle das informações pelos municípios produtores do volume de produção.

Desejo e espero que os resultados dessa reunião marquem o início de uma nova ordem para a cacauicultura baiana: a construção de um novo período em que, unidos, possamos alcançar resultados pessoais e coletivos.

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