O setor cacaueiro brasileiro vive uma crise profunda e preocupante desde novembro do ano passado. O alerta foi feito por Paulo Gonçalves, presidente da Espírito Cacau, em entrevista a mídia capixaba; que embasa esta análise publicada pelo site Cacau & Chocolate.
Segundo Gonçalves, “a entrada desordenada de amêndoas africanas no mercado brasileiro tem pressionado fortemente os preços internos. Além da volatilidade da bolsa internacional, as indústrias estariam pagando abaixo da cotação, aplicando deságio sobre o cacau nacional — o que reduz drasticamente a rentabilidade do produtor”.

O problema se agrava porque o custo de produção no Brasil é significativamente mais elevado. O produtor brasileiro arca com carga tributária alta, encargos trabalhistas (como férias, 13º salário e FGTS), além de custos com energia, água tratada, insumos e exigências ambientais rigorosas.
Em contrapartida, o cacau importado chega, muitas vezes, sem comprovação de qualidade, rastreabilidade sanitária ou garantias claras sobre as condições de produção e trabalho. Há ainda diferenças estruturais importantes: no Brasil, há controle de fermentação, secagem adequada e boas práticas agrícolas; em parte da África, segundo o empresário, o processo é mais precário e com menor infraestrutura.
Paulo Gonçalves também chama atenção para o impacto ambiental indireto da crise. “Em regiões como o sul da Bahia e Linhares (ES), o cultivo do cacau em sistema cabruca contribui historicamente para a preservação da Mata Atlântica. O desestímulo à produção pode comprometer esse equilíbrio entre economia e conservação florestal”, diz o empresário.

O recado é direto: se não houver medidas urgentes para equilibrar essa disputa, produtores e meeiros podem abandonar a atividade, gerando consequências econômicas e ambientais para toda a cadeia. “A crise do cacau, portanto, não é apenas uma questão de preço. Trata-se de competitividade, sustentabilidade e soberania produtiva — um debate que precisa ganhar prioridade nacional”, finaliza Paulo Gonçalves.
Fotos: Revista Fatos e Notícias e divulgação






