
Diante da instabilidade e das oscilações no mercado internacional, que vêm impactando diretamente os produtores brasileiros, a cadeia produtiva do cacau se mobiliza em busca de soluções estruturais. É nesse contexto que será realizada a Imersão Cacau 500, uma série de encontros virtuais que reunirá especialistas de diversas áreas para discutir caminhos viáveis frente à crise dos preços do cacau.
A programação acontece entre os dias 24 de março e 16 de abril de 2026, com transmissões ao vivo, sempre das 19h às 20h. O evento funciona como um “esquenta” para o IV Encontro Nacional do Projeto Cacau 500, que será realizado em dezembro deste ano, em Ilhéus, no sul da Bahia — região historicamente marcada pela cacauicultura.
Crise de preços e busca por alternativas

Nos últimos anos, produtores têm enfrentado um cenário de forte volatilidade nos preços do cacau, aliado ao aumento dos custos de produção, escassez de mão de obra e desafios climáticos. Esse conjunto de fatores tem pressionado a rentabilidade no campo e exigido uma reestruturação do setor.
A Imersão surge como um espaço estratégico para discutir soluções que vão desde a verticalização da produção, agregando valor ao produto, até o uso de tecnologias, novas práticas agrícolas e modelos de negócio mais resilientes.
Programação aborda toda a cadeia produtiva

A abertura, no dia 24 de março, contará com o advogado Gianpaolo Zambiazi, que abordará a geração de valor no mercado de cacau, destacando aspectos jurídicos e financeiros relevantes para o agronegócio.
Ao longo das semanas, o evento reúne nomes de referência da área técnica, acadêmica e de mercado, tratando de temas essenciais para o enfrentamento da crise:
• Produtividade e eficiência: o engenheiro agrônomo Ivan Costa e Sousa apresenta estratégias para aumento da produção, enquanto especialistas discutem conservação de solos e manejo sustentável;
• Inovação e expansão: pesquisadores e técnicos analisam o avanço da cultura em áreas não tradicionais, como o estado de São Paulo;
• Sustentabilidade e sistemas agroflorestais: práticas que conciliam produção com preservação ambiental ganham destaque;
• Mercado e mão de obra: o consultor internacional Paulo Torres traz uma análise sobre o chamado “apagão de mão de obra” e os desafios do mercado global;
• Tecnologia e manejo: irrigação, fertirrigação e nutrição de plantas entram na pauta como ferramentas para aumento da eficiência;
• Aspectos legais: os entraves da legislação, especialmente relacionados ao sistema cabruca, também serão debatidos.
Verticalização como resposta à crise

Um dos pontos centrais da programação é a verticalização da produção, apresentada como alternativa concreta para reduzir a dependência do mercado de commodities. A experiência prática da Fazenda Alegria será compartilhada como exemplo de sucesso dentro do Projeto Cacau 500.
A proposta é incentivar produtores a avançarem na cadeia, investindo em beneficiamento e comercialização direta, aumentando a margem de lucro e reduzindo vulnerabilidades.
Expectativa para o encontro nacional
A Imersão também prepara o terreno para o grande encontro de dezembro, que deve reunir produtores, pesquisadores, investidores e instituições públicas e privadas em Ilhéus. A expectativa é consolidar propostas e fortalecer uma agenda estratégica para o futuro da cacauicultura brasileira.
Com uma programação abrangente e multidisciplinar, o evento reforça a importância da integração entre conhecimento técnico, inovação e mercado para enfrentar um dos momentos mais desafiadores do setor.

As inscrições estão abertas e podem ser realizadas pela plataforma oficial do projeto. https://imersao.cacau500.com.br/






