WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia
DestaquesGeral

CEPLAC fortalece parcerias em São Paulo para ampliar a inovação e a competitividade do cacau brasileiro

Agenda institucional articula a presença da CEPLAC no estado, cooperação científica e governança para integrar produção, pesquisa e indústria

Durante décadas, falar de cacau no Brasil era falar da Bahia. Depois, do Pará. Em São Paulo, a cultura sempre teve presença mais discreta, concentrada em pesquisas e áreas experimentais. É nos laboratórios e institutos paulistas, porém, que uma parte relevante do conhecimento sobre a cadeia vem sendo produzida. E foi em busca dessa produção que a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), órgão do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), esteve na capital paulista nos dias 7 e 8 de outubro.

A comitiva foi chefiada pelo diretor da CEPLAC, Thiago Guedes Viana, e incluiu o pesquisador e assessor especial da diretoria Ivan Crespo e o pesquisador João Mangabeira. É Mangabeira quem assume o papel de ponto focal da CEPLAC no estado. O objetivo da viagem era ampliar parcerias em pesquisa e inovação e encaminhar a instalação de uma unidade da comissão no prédio da Superintendência de Agricultura e Pecuária em São Paulo (SFA-SP), com um servidor dedicado a acompanhar as ações locais.

O movimento tem origem em demanda paulista. A superintendência, comandada por Estanislau Steck, e instituições que já tocam projetos com cacau no estado queriam uma interlocução mais próxima com a CEPLAC. A agenda reuniu a própria SFA-SP, a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (FUNDEPAG), o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), o Instituto Biológico (IB), a Fundação Solidaridad e a Associação Bean to Bar do Brasil.

Base de trabalho na superintendência

A ideia é que a estrutura da SFA-SP sirva de endereço para acompanhar projetos e facilitar o diálogo com pesquisadores, produtores e empresas. Para Steck, o arranjo responde a uma necessidade concreta.

“A aproximação com a CEPLAC responde a uma demanda das instituições e dos atores da cadeia do cacau em São Paulo. Queremos oferecer uma base de trabalho na superintendência e fortalecer a articulação entre o governo federal e os parceiros paulistas, para transformar o potencial identificado no estado em projetos consistentes e oportunidades para os produtores”, afirmou o superintendente.

Na FUNDEPAG, a pauta incluiu apresentações institucionais, discussão de modelos de cooperação e a identificação de oportunidades ligadas ao Centro de Ciência para o Desenvolvimento Cacau 360° (CCD Cacau). No Instituto Biológico, a comitiva conheceu a estrutura de laboratórios e foi a campo ver um plantio experimental de cacau. As conversas incluíram possibilidades de pesquisa conjunta e os próximos passos da cooperação.

Para Ana Eugênia, diretora do Instituto Biológico, a cooperação com o órgão federal amplia a capacidade da instituição de gerar soluções para a cacauicultura paulista. “A parceria com a CEPLAC fortalece nossa capacidade de desenvolver soluções e inovações para a cacauicultura paulista. A integração entre as equipes abre oportunidades para pesquisas em sanidade vegetal, controle biológico e bioinsumos, contribuindo para um manejo mais eficiente e sustentável. Queremos transformar essa cooperação em resultados que atendam às demandas dos produtores e apoiem o desenvolvimento da cadeia do cacau em São Paulo”, afirmou.

Segundo Adriana Verdi, diretora executiva da FUNDEPAG e pesquisadora do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura paulista, o desafio é dar forma ao que hoje é intenção. “A FUNDEPAG pode contribuir para transformar essa aproximação em projetos com objetivos claros, governança e condições de execução. O fortalecimento da parceria com a CEPLAC amplia as possibilidades de conectar o conhecimento científico às necessidades dos produtores e das empresas, mobilizando competências e recursos para o desenvolvimento da cadeia”, avaliou.

Verticalização e governança

Na visão de Thiago Guedes, a aproximação com São Paulo precisa combinar tecnologia, agregação de valor e organização do setor. O diretor da CEPLAC defende que o produtor tenha papel maior nas etapas posteriores à colheita e propõe criar uma instância de governança estadual.

“Estamos aproximando a experiência da CEPLAC das competências de São Paulo para fortalecer a competitividade da cacauicultura brasileira. Queremos avançar no fortalecimento da inovação, da pesquisa com as instituições parceiras, na verticalização da produção, com maior participação dos produtores no beneficiamento, na transformação e na comercialização, aliando conservação produtiva e desenvolvimento de bioinsumos. Também propomos fortalecer a governança do cacau no estado, com um grupo de trabalho específico para articular as ações e construir uma agenda comum, que possa evoluir, por exemplo, para uma Câmara Setorial do Cacau de São Paulo”, disse.

A proposta é reunir os elos da cadeia para definir prioridades, organizar demandas e acompanhar iniciativas. O desenho ainda precisa ser discutido com parceiros estaduais, instituições de pesquisa e representantes de produtores e da indústria. Cabe a Mangabeira, como ponto focal, dar continuidade ao diálogo e levar as demandas paulistas às equipes técnicas da CEPLAC.

O peso do Cacau 360°

O projeto mais robusto da agenda é o CCD Cacau 360°, liderado pelo ITAL e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A Ceplac integra a rede de parceiros. Coordenado pelo pesquisador Valdecir Luccas, o centro reúne mais de 90 pesquisadores, especialistas e técnicos, com atuação que vai dos sistemas de cultivo ao desenvolvimento de produtos.

As pesquisas estão organizadas em cinco frentes: produtividade em áreas não convencionais, melhoria dos processos de fermentação, aproveitamento integral do fruto, desenvolvimento de alimentos com compostos bioativos e controle de contaminantes. A lógica é aproximar o que o campo precisa das exigências de qualidade, segurança e inovação da indústria e do consumidor.

“O Cacau 360° trabalha de forma integrada, desde a adaptação dos sistemas de cultivo até a qualidade do chocolate e o aproveitamento dos coprodutos. Fortalecer a cooperação com a CEPLAC permite aproximar essas pesquisas da experiência em campo e ampliar as possibilidades de aplicação dos resultados em diferentes regiões produtoras”, afirmou Luccas.

A rede do projeto vai além das instituições presentes na agenda. Inclui o Instituto Agronômico (IAC), a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), a Unicamp, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP (CENA/USP) e a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) além de empresas do setor.

Alinhamento com o Inova Cacau 2030

A cooperação converge com as diretrizes do Plano Inova Cacau 2030, que busca associar produtividade, sustentabilidade e melhores condições de vida e trabalho na cadeia. Para a CEPLAC, a presença em São Paulo permite ampliar a pesquisa em rede e a transferência de tecnologia, apoiar o desenvolvimento de novas áreas de cultivo com validação científica e, ao mesmo tempo, fortalecer as regiões tradicionais de produção.

O teste, como quase sempre nesse tipo de articulação, virá depois da foto. A expectativa do órgão é que o conhecimento gerado pelas instituições paulistas chegue à lavoura, ao processamento e à comercialização, com mais valor agregado e renda para quem planta.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Botão Voltar ao topo