
A Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC) realiza uma agenda técnica com a Biofábrica da Bahia para estruturar o início da multiplicação, em campo, de novos clones de cacaueiro. O objetivo é preparar matrizes de clones em final de processos de avaliação, para que haja disponibilidade de propágulos das novas variedades quando lançadas e recomendadas para o cultivo.
Estes clones, especificamente, derivam de um amplo processo de seleção recorrente, com a associação de diferentes genes de resistência a doenças, para a ampliação de seu nível e durabilidade, e de seleção para produtividade, e caracteres de interesse. Cento e cinquenta (150) deles estão em avaliação, em 29 locais, com dados de produção e doenças tomados desde 2021, e noventa e seis (96) estão em avaliação em 37 locais, com dados tomados desde 2022.
A agenda com a Biofábrica busca aproximar o trabalho de melhoramento genético da produção de mudas e da realidade das propriedades rurais. Para Valdemir, presidente da Biofábrica da Bahia, essa aproximação pode contribuir para que o conhecimento produzido pela pesquisa percorra, com os cuidados necessários, o caminho até o produtor.
“O trabalho conjunto é importante para ampliar as possibilidades de acesso a mudas de qualidade”, afirma Valdemir.
“Nosso propósito é fazer com que os resultados da ciência cheguem ao campo com segurança. Antes de recomendar um novo clone, precisamos conhecer seu comportamento nas condições reais de produção, ouvir as equipes técnicas e reunir evidências consistentes. A agenda com a Biofábrica é um passo para organizar esse trabalho e construir soluções úteis aos produtores”, afirma o diretor da CEPLAC, Thiago Guedes Viana.
Avaliação em diferentes ambientes
O Sul da Bahia é o ponto de partida da geração e seleção de novos genótipos e dos ensaios de avaliação de clones. A iniciativa prevê articulação técnica, entre outras, com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), a Embrapa e a Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), reunindo competências para planejar experimentos, avaliar o desempenho destes novos clones em diferentes ambientes e analisar os resultados. Essa atuação em rede da CEPLAC com as instituições, fortalece a agenda científica voltada à inovação na cacauicultura brasileira.
A proposta é avançar, em etapas posteriores, para outras regiões produtoras e áreas de expansão da cacauicultura, incluindo ambientes não tradicionais de cultivo, como o Oeste da Bahia. Cada região apresenta condições próprias de clima, solo e manejo, capazes de influenciar o desenvolvimento e o desempenho dos clones.
Por isso, a avaliação em diferentes localidades não significa presumir que um mesmo material será adequado a todas elas. Os ensaios deverão ajudar a identificar quais clones têm potencial em cada ambiente, quais exigem estudos adicionais e quais práticas de manejo podem ser necessárias. Esse conhecimento é fundamental para orientar recomendações responsáveis e conectadas às condições reais enfrentadas pelos produtores.
A participação das instituições no processo poderá ampliar a capacidade de observação e análise, ampliando o papel da CEPLAC na condução do programa de melhoramento genético e na avaliação dos materiais desenvolvidos pela instituição.
Bancos de germoplasma: a origem de novas possibilidades
O desenvolvimento de novos clones está ligado a um patrimônio científico mantido pela CEPLAC: seus Bancos Ativos de Germoplasma (BAGs). Essas coleções vivas conservam a diversidade genética do cacaueiro e oferecem aos pesquisadores materiais com características de interesse para o melhoramento, como produtividade, resistência a doenças, qualidade e adaptação a diferentes ambientes.
O germoplasma conservado pela instituição está distribuído em coleções na Bahia, em Rondônia e no Pará. A conservação, a caracterização e a avaliação dessa diversidade ampliam as possibilidades de pesquisa para a cacauicultura brasileira.
“Os Bancos Ativos de Germoplasma são a base do melhoramento genético. Conservar essa diversidade é indispensável, mas também precisamos estudá-la e utilizá-la de forma responsável. Cada acesso pode reunir características valiosas para enfrentar problemas atuais e preparar a cacauicultura para condições futuras”, destaca José Luis Pires, pesquisador e coordenador do programa de melhoramento genético da CEPLAC.
Os BAGs são patrimônio científico e institucional da CEPLAC e permanecem sob sua responsabilidade. Sua manutenção exige cuidado contínuo: as plantas vivas dependem de manejo, acompanhamento fitossanitário, identificação adequada, equipes qualificadas, infraestrutura e recursos orçamentários regulares.
“Validar materiais em campo e fortalecer os Bancos Ativos de Germoplasma são partes de um mesmo compromisso. Precisamos conservar a diversidade genética sob responsabilidade da CEPLAC, ampliar o conhecimento sobre ela e transformar esse patrimônio em tecnologias que respondam às necessidades dos produtores nas diferentes regiões do país”, completa Thiago Guedes.
A agenda técnica marca o início da organização do processo de validação. A implantação dos ensaios, seu acompanhamento e a análise dos resultados deverão orientar os próximos passos para recomendação e lançamento de novos materiais.
Fotos: Ascom-Biofábrica da Bahia






