A hora da maturidade e da Independência da Cacauicultura

Antonio Maia
Desde os pioneiros que adentraram a Mata Atlântica inóspita, cheia de desafios e armadilhas, e em simbiose com ela construíram uma riqueza alimentar e econômica que até transformou alguns em verdadeiros “coronéis do cacau”, até a geração seguinte, que compreendeu que toda essa riqueza gerada pouco valeria sem visão estratégica dentro do jogo financeiro internacional, a história da cacauicultura sempre foi marcada por luta, inteligência e organização.
Foi essa compreensão que levou à criação de estruturas fundamentais para proteger e fortalecer o setor, como o ICB, a CEPLAC, a COPERCACAU e a ITAISA, tendo em Inácio Tosta Filho um dos seus maiores mentores e formuladores estratégicos.
Dentro dessa trajetória histórica, talvez poucas iniciativas tenham sido tão importantes quanto a criação da ANPC, concebida como instrumento de defesa da cacauicultura brasileira, da organização do produtor e da construção de mecanismos de maior independência para o futuro da cacauicultura nacional.
Por isso, entendo que o momento atual é decisivo para reflexão. Precisamos continuar construindo caminhos que nos conduzam à solução dos problemas do nosso setor, que lentamente começa a conquistar avanços importantes, fruto desse trabalho coletivo que já produziu resultados concretos, como a legislação que ampliou o percentual mínimo de cacau no chocolate e as medidas que passaram a questionar e revisar importações que impactam diretamente o produtor brasileiro.
Vivemos um período político e eleitoral importante em nossa história. Porém, diante disso, precisamos compreender o que é principal e permanente: se devemos priorizar posições político-partidárias e eleitorais, ou se devemos manter o foco maior na defesa estratégica do cacau, da produção, da organização do produtor e da construção de uma cacauicultura brasileira mais independente, forte e soberana para as futuras gerações.
A história mostra que os períodos de maior força da cacauicultura coincidiram exatamente com os momentos em que o setor conseguiu pensar coletivamente, organizar seus produtores e construir instituições capazes de defender seus interesses permanentes acima das disputas passageiras.
Talvez tenha chegado novamente a hora da maturidade.
Maturidade para compreender que governos passam, eleições passam — mas a cacauicultura permanece.
E permanecerá principalmente se houver união, organização, inteligência estratégica e consciência histórica para construir um verdadeiro projeto de independência da cacauicultura brasileira.
Porque, no final, os povos e os setores produtivos que sobreviveram ao tempo não foram os que mais dividiram suas forças, mas os que conseguiram manter o foco e transformar consciência coletiva em projeto de futuro.






