Visita do Ministro Luiz Marinho à Biofábrica mobiliza FREAD e fortalece nova agenda para a cacauicultura
Encontro em Uruçuca deverá aproximar Ministério do Trabalho, Governo da Bahia, UFSB, CEPLAC, Biofábrica e municípios em torno da qualificação profissional, inovação, economia solidária e implantação de unidades demonstrativas de cacau.

A visita do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, à Biofábrica da Bahia, em Uruçuca, vem mobilizando o FREAD – Fórum Regional dos Secretários de Agricultura e Meio Ambiente, que articula secretários municipais, prefeitos, produtores e instituições em torno de uma nova agenda de desenvolvimento para a cacauicultura do Sul da Bahia.
A expectativa é aproveitar a presença do ministro para aproximar diferentes políticas públicas já existentes e construir uma ação integrada voltada especialmente à agricultura familiar, qualificação profissional, pesquisa, extensão rural, inovação tecnológica, organização produtiva e geração de renda.

Um dos principais pontos da agenda é o Programa Manuel Querino, do Ministério do Trabalho e Emprego, que já destinou recursos à Universidade Federal do Sul da Bahia – UFSB para a qualificação de 500 agricultores familiares, utilizando como uma das referências a metodologia do Cacau 500+ Sustentável.
A articulação contou com a participação de Magno Lavigne, então secretário nacional responsável pela área de qualificação, emprego e juventude no Ministério do Trabalho e Emprego, fortalecendo a aproximação entre o MTE e as instituições do território.
Qualificação precisa chegar à propriedade
Para o FREAD, a qualificação dos agricultores representa apenas uma das etapas de um processo maior. O objetivo agora é fazer com que o conhecimento adquirido se transforme em resultado prático dentro das propriedades, por meio da implantação de Unidades Demonstrativas e de Aprendizado nos municípios do Território Litoral Sul e, futuramente, em outras regiões produtoras de cacau.
Essas unidades poderão servir como espaços permanentes de capacitação, dias de campo, demonstração de tecnologias e intercâmbio entre agricultores, pesquisadores e técnicos.
Segundo Lucelmo Araújo, presidente do FREAD, a proposta é permitir que o agricultor veja a tecnologia funcionando na prática. “O produtor precisa entrar na roça, olhar o pé de cacau, conhecer o clone, acompanhar o manejo, entender a adubação e ver o resultado. Quando ele enxerga aquilo funcionando, a tecnologia deixa de ser teoria e passa a ser uma possibilidade concreta para sua própria propriedade.”
CEPLAC assume papel estratégico
Dentro dessa construção, ganha destaque especial a iniciativa da CEPLAC, que poderá assumir papel central na implantação e acompanhamento das unidades demonstrativas. A instituição reúne décadas de conhecimento acumulado em pesquisa, genética, manejo, extensão rural, sistemas agroflorestais e desenvolvimento tecnológico voltado à cacauicultura.
A proposta é colocar esse patrimônio científico cada vez mais próximo do agricultor. As unidades demonstrativas poderão apresentar, em condições reais de campo, novos clones, sistemas de manejo, técnicas de poda, adubação, controle fitossanitário, produtividade, qualidade e sustentabilidade.
Para Lucelmo Araújo, esse movimento também representa uma oportunidade de fortalecer o protagonismo da CEPLAC. “A CEPLAC possui uma história que se confunde com o desenvolvimento da região cacaueira. Precisamos colocar novamente esse conhecimento cada vez mais perto do produtor. As unidades demonstrativas podem representar uma nova fase da pesquisa, extensão e transferência de tecnologia para os municípios.”
Uma rede entre Ministério, UFSB, CEPLAC e municípios
A proposta defendida pelo FREAD é criar uma verdadeira rede institucional. O Ministério do Trabalho e Emprego, por meio do Programa Manuel Querino, contribui com a qualificação profissional. A UFSB participa com sua capacidade acadêmica, técnica e formativa. A CEPLAC incorpora pesquisa, extensão e tecnologia. A Biofábrica contribui com sua experiência e estrutura vinculada à produção de material vegetal. Os municípios, por intermédio das Secretarias de Agricultura, garantem capilaridade, mobilização dos agricultores e acompanhamento territorial.

“Cada instituição precisa entrar com aquilo que sabe fazer melhor. O Ministério qualifica, a Universidade forma, a CEPLAC leva tecnologia, a Biofábrica contribui com sua estrutura e os municípios chegam diretamente ao produtor. É essa união que pode transformar a realidade da cacauicultura”, afirma Lucelmo.
Manuel Querino pode se conectar aos CESOLs
Outro ponto que começa a ganhar espaço nessa articulação é a possibilidade de aproximação entre o Programa Manuel Querino e os Centros Públicos de Economia Solidária – CESOL, iniciativa do Governo da Bahia desenvolvida por intermédio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte – SETRE.
A conexão permitiria ampliar o alcance das ações para além da qualificação técnica. Enquanto o Manuel Querino pode contribuir com a formação dos agricultores, os CESOLs possuem atuação direcionada à economia solidária, assistência técnica socioprodutiva, organização de empreendimentos, agregação de valor, comercialização e acesso a mercados.
Essa complementaridade pode criar uma verdadeira cadeia de oportunidades. O agricultor seria qualificado, teria acesso à tecnologia, poderia organizar melhor sua produção e, posteriormente, receber apoio para comercialização e agregação de valor.
“Nós precisamos pensar o agricultor do começo ao fim. Não basta ensinar a produzir mais. Ele precisa produzir melhor, se organizar, agregar valor e vender melhor. O Manuel Querino e os CESOLs podem se complementar dentro dessa estratégia”, avalia Lucelmo Araújo.
Governo Federal e Governo da Bahia na mesma agenda
Para o FREAD, essa convergência abre uma importante oportunidade de aproximação entre Governo Federal e Governo da Bahia. De um lado, o Ministério do Trabalho e Emprego com o Programa Manuel Querino. Do outro, o Governo da Bahia, por meio da SETRE e de sua experiência com os CESOLs e a economia solidária.
Entre eles, estão instituições como UFSB, CEPLAC, Biofábrica, municípios, associações, cooperativas e produtores rurais. “O que estamos propondo é um encontro de políticas públicas. Não queremos iniciativas isoladas. Queremos colocar União, Estado, universidades, instituições técnicas e municípios trabalhando na mesma direção”, ressalta o presidente do FREAD.
Biofábrica será palco da articulação
A visita à Biofábrica da Bahia deverá funcionar como momento estratégico para apresentar ao ministro Luiz Marinho o potencial dessa integração. A proposta é demonstrar que a região já possui instituições, conhecimento técnico, produtores, estrutura universitária e capacidade de mobilização.
O que se busca agora é integrar essas forças.
A expectativa do FREAD é de que o Ministério do Trabalho continue apoiando e ampliando essa articulação. “A presença do ministro Luiz Marinho é vista como um estender de mãos para a nossa região. Já existe uma iniciativa concreta do Ministério por meio do Programa Manuel Querino. Queremos aproveitar esse momento para fortalecer essa parceria e construir novos caminhos”, destaca Lucelmo Araújo.
FREAD mobiliza prefeitos e secretários
O FREAD também vem trabalhando na mobilização dos municípios do Território Litoral Sul.
Secretários municipais de Agricultura e prefeitos estão sendo convidados a participar da agenda e contribuir com a identificação de áreas, produtores e propriedades capazes de receber as unidades demonstrativas. Essa participação é considerada indispensável porque os municípios conhecem diretamente a realidade das comunidades rurais.
“O secretário de Agricultura sabe onde está o produtor, conhece as dificuldades e sabe onde uma unidade demonstrativa pode produzir maior impacto. Por isso os municípios precisam estar dentro dessa construção desde o início”, afirma Lucelmo.
Da pesquisa ao mercado
A proposta pode ser resumida em uma sequência simples: qualificação, tecnologia, produção, organização e mercado. O Programa Manuel Querino prepara o agricultor. A UFSB fortalece sua formação. A CEPLAC leva pesquisa, extensão e inovação. A Biofábrica contribui com material vegetal e apoio técnico. Os municípios garantem capilaridade.
Os CESOLs e a SETRE podem contribuir com organização produtiva, economia solidária e comercialização. O resultado pretendido é fazer com que o conhecimento se transforme efetivamente em produtividade, sustentabilidade e renda para as famílias agricultoras. “Esse é o caminho que queremos construir: pegar o conhecimento que já existe, colocar dentro da propriedade e fazer com que ele gere resultado na vida do agricultor”, conclui Lucelmo Araújo, presidente do FREAD.
A visita do ministro Luiz Marinho à Biofábrica poderá, assim, marcar um novo momento de convergência institucional para a cacauicultura. Mais do que apresentar projetos isolados, o FREAD pretende colocar na mesma mesa Ministério do Trabalho e Emprego, Governo da Bahia, SETRE, UFSB, CEPLAC, Biofábrica, CESOLs, municípios e produtores, construindo uma agenda integrada capaz de acompanhar o agricultor da qualificação à produção e da produção ao mercado. Uma rede de conhecimento, tecnologia e oportunidades tendo o agricultor e a cacauicultura como centro dessa transformação.






