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A realidade e a ficção do cacau no Sul da Bahia

“Melhor ser rica, bonita e saudável do que pobre, feia e doente.”

Adágio judaico

 

 

Por Paulo Peixinho

Paulo Peixinho

A região cacaueira sul-baiana já foi rica e já foi pobre. E hoje?

O que tem nos faltado?

Aqui temos todos os recursos: terras, florestas, saberes, instituições de ensino e infraestrutura. Temos tradição, reputação e história. Temos também estórias, cultura e reconhecimento internacional.

Então, o que nos falta?

A pergunta para o leitor é pessoal e intransferível. Um convite à reflexão.

A região cacaueira, talvez nestes últimos cem anos (1926–2026), tenha escrito sua história e muitas estórias ao sabor do vaivém das cotações internacionais.

Uma sugestão: comunicar o valor do cacau e de seus produtos, seus sinais distintivos e sua história.

E, talvez, o que mais importe seja contar a história de cada árvore de cacau, de cada roça e de cada origem.

Isso só será possível se o cacauicultor estiver presente, participando, sentindo e arriscando a própria pele.

Porque a história real é sempre mais viva, mais autêntica e mais facilmente percebida pelo consumidor do que a estória inventada por ficcionistas e acadêmicos.

Não nos faltam histórias para contar. Talvez nos falte aprender a transformar nossa própria realidade em valor.

Menos ficção e mais realidade.

Os adágios judaicos são úteis à reflexão, não por serem judeus, mas porque pertencem a uma tradição que preserva sua história há milênios.

Um deles nos lembra:

“Não existe nada mais pesado que um bolso vazio.”

Afinal, tradição, reputação, história e reconhecimento internacional não bastam se não produzirem prosperidade para quem vive da terra.

Se nada fizermos, o futuro da região cacaueira poderá ser o de uma próspera nova região da cafeicultura.

 

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