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Vem aí uma nova alta dos preços do cacau ?

Cléber Isaac Filho

 

Os principais índices globais de commodities realizarão seu rebalanceamento anual em janeiro, e o cacau passará a integrar suas carteiras com maior peso. Esse ajuste obrigará os fundos passivos vinculados ao BCOM e ao S&P GSCI a executar compras técnicas estimadas em aproximadamente 40 mil contratos futuros — um montante que corresponde a cerca de 40% do interesse aberto total do mercado.

Em um mercado estruturalmente pequeno, raso e altamente sensível a fluxos, como é o caso do cacau, a entrada súbita desse volume não discricionário tende para gerar um deslocamento significativo de preços, ampliando a pressão compradora independentemente dos fundamentos de curto prazo.

Diante disso, a probabilidade de movimentos altistas nas próximas semanas é elevada, sobretudo se operadores anteciparem o fluxo passivo e iniciarem posições antes da data oficial de rolagem dos índices, amplificando o efeito técnico sobre as cotações.

Além do impacto imediato na formação de preços, esse tipo de fluxo passivo costuma gerar um efeito cascata no mercado físico e na cadeia de suprimentos. Exportadores, processadores e traders proprietários ajustam suas posições para evitar ficar vendidos diante de um choque de demanda financeira, o que pode reduzir a oferta disponível no curto prazo e ampliar a volatilidade. Em ambientes assim, qualquer notícia climática, sanitária ou logística tende a ser superprecificada, pois o mercado já estará tensionado pela entrada dos fundos, criando um cenário ideal para squeezes e movimentos abruptos de alta.

Cleber Isaac Filho é hoteleiro, ambientalista, empreendedor e coordenador do Programa Economia Verde

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