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Com valorização nos preços, viveiros de cacau têm até 100% de alta na demanda e Brasil pode ter expansão da área

Mercado se ajusta, mas ainda assim setor tem a expectativa de um futuro promissor para o cultivo de cacau no país

 

O mercado do cacau se ajusta após a expressiva valorização registrada com suporte na preocupação com a oferta global do produto. Em um mês as cotações da commodity registraram queda de 38% na Bolsa em Nova York, mas será que o bom momento trouxe benefícios ao produtor brasileiro?

Segundo dados coletados a pedido do Notícias Agrícolas, em algumas regiões a procura por mudas de cacau e variedade para plantio teve aumento de 100% em importantes polos produtores. O relatório foi levantado por  Eunice Gutzeit – vice-presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC). “Podemos observar um aumento significativo na demanda por mudas de cacau, com aumento médio de até 100%. No entanto, é importante ressaltar que cada bioma produtor está regiando de maneira diferente devido às suas particularidades”, afirma.

Dividindo o cenário atual entre alguns estados produtores, a vice-presidente explica que no Pará – maior estado produtor de cacau do Brasil, a variedade predominante é a híbrida, que possui uma genética que foi desenvolvida desde o início da cacauicultura no estado, por volta de 1975. No caso do Pará, que tem mercado consolidado, os preços não alteraram a rotina do produtor.

“Normalmente o período de compra dessas sementes fica aberto de 1º de janeiro até o final de março, mas esse ano foi estendido até o final de abril. Após o encerramento das inscrições, a demanda ficou em média a do ano anterior, ou seja, 14 milhões de sementes híbridas”, afirma.

Já no Espírito Santo, o setor observou acréscimo significativo na demanda por mudas de cacau clonal, o que trouxe até mesmo dificuldade para o suprir a necessidade dentro o prazo necessário.

Scampini, presidente da associação ACAU e também viveirista, os novos plantios de cacau no estado já estavam acontecendo. “Mas agora estamos observando um aumento significativo nessas plantações”, informou à Eunice e posteriormente ao Notícias Agrícolas. De acordo com a porta-voz, há pelo menos oito anos os plantios eram restritos ao Norte de Linhares, mas também se observa uma expansão do cultivo para 40 municípios, graças ao estímulo à agricultura familiar e oportunidades de verticalização.

“Com o apoio da ACAU, SEBRAE, IFES, SENAR, INCAPER, CEPLAC e prefeituras, surgiram novas marcas e pequenos negócios que se fortaleceram. Agora, com a melhoria nos preços do cacau e os produtores capitalizados, eles estão investindo mais na lavoura, seja por meio de novos plantios ou na aquisição de insumos para as plantações existentes. Como viveirista de cacau, Kellen afirma ter vendido cerca de 40.000 mudas no ano passado e espera vender mais 40.000 para 2024”, afirma.


A avaliação envolve análise físico química e sensorial do cacau, além do sabor na forma de chocolate (foto Ana Lee)

O mercado também observa um aumento exponencial em outras regiões até então não tradicionais, como por exemplo o oeste da Bahia, Cerrado e estados como Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais, Tocantins e Rondônia que cada vez mais volta a apostar no cultivo de cacau. É importante ressaltar que o cacau vem sendo utilizado como uma importante ferramenta de sustentabilidade para recuperação de áreas degradadas Brasil afora.

Adilson Reis, do Mercado do Cacau, afirma que é estimado um crescimento em mais de 100.000 hecatares nas áreas de plantio nos próximos anos. Esse incetivo acontece também por parte das empresas multinacionais que acreditam no cacau como uma ferramenta de plantio sustentável.

No Oeste da Bahia, A BioBrasil Mudas  é a maior empresa de produção de mudas de alta tecnologias no mundo e até 2027 estará produzindo 10 milhões de mudas ano. Hoje já está pronta para produzir 2.000.000 de mudas

“Também tivemos a oportunidade de conversar com o Professor Dario Anhert, geneticista de cacau e ex-professor da UESC, que está realizando um trabalho científico em parceria com a Mondelez Internacional, CIC e UESC. Eles estão implantando experimentos em diferentes biomas para testar novos materiais genéticos e validar sua adaptação às mudanças climáticas e características do solo em cada região. O professor está otimista com os resultados que podem ser alcançados por meio do uso de novas tecnologias e materiais genéticos de alta produtividade e resistência a doenças”, complementa Eunice.

Até 2030

A expectativa é que até 2030 o Brasil esteja produzindo aproximadamente 400.000 toneladas, atendendo assim o mercado interno, mas também visando a exportação e reconquistando seu espaço no mercado internacional.

“Além disso, temos o plano Inova Cacau, que está prestes a ser implementado, com ações que beneficiarão os principais biomas produtores. No entanto, é crucial que estruturemos o setor com políticas públicas adequadas e um planejamento consistente, a fim de atender às diferentes demandas de cada região. Isso inclui a coleta de dados para o setor, a fim de embasar as decisões relacionadas ao incentivo ao aumento da área de plantio, levando em consideração a oferta e o comportamento do mercado consumidor. Dessa forma, evitaremos um eventual excesso de produção no futuro e a defasagem nos preços, especialmente diante da entrada de grandes empresas com alta tecnologia e agricultura de precisão, o que pode prejudicar a competitividade dos pequenos e médios produtores”, complementa.

(do Notícias Agricolas)

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