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Carta Aberta aos Atores da Cadeia do Cacau e do Chocolate

Paulo Peixinho – Produtor de Cacau

 

O Brasil vive hoje um paradoxo preocupante. Tradicionalmente produtor e exportador de cacau, derivados e chocolates, o país tornou-se importador de amêndoas a partir de 1995. Na Bahia, principal região produtora, o sistema de comercialização do cacau encontra-se totalmente desregulado e, pela primeira vez na história, os preços pagos aos produtores brasileiros estão abaixo dos praticados na Costa do Marfim e em Gana.

 

Em outubro de 2025, o cacau em Nova Iorque era negociado a USD 6.192 por tonelada métrica, enquanto o produtor recebia R$ 520 por arroba. Noventa dias depois, o preço internacional caiu para USD 4.420, mas o valor pago ao produtor despencou para R$ 240 por arroba. Ainda que os preços em bolsa reflitam a dinâmica global de oferta e demanda, a magnitude dessa queda no mercado interno evidencia graves assimetrias estruturais.

 

O produtor de cacau tornou-se o elo passivo da cadeia. As indústrias têm acesso a instrumentos de hedge nas bolsas internacionais, incentivos fiscais para importação e crédito. Os produtores, não. Isso não é mercado livre — é assimetria. Não é parceria — é concentração de risco.

 

Sustentabilidade não pode ser seletiva. Sem sustentabilidade econômica, não há sustentabilidade ambiental nem social. Fragilizar a base produtiva nacional compromete o futuro de toda a cadeia do cacau e do chocolate. Não se trata de conspiração, mas de miopia econômica.

Os produtores de cacau não pedem favores. Pedem acesso a instrumentos de mercado, previsibilidade mínima, diálogo estruturado e respeito à lógica econômica. O fortalecimento da cadeia passa, necessariamente, pela criação de um espaço permanente e efetivo de diálogo entre produtores, indústria, governo e demais atores do complexo agroindustrial do cacau.

 

Esta carta é um convite objetivo à reflexão e à construção conjunta de soluções. Um setor forte só se sustenta com uma base produtiva forte

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