
Na noite de 11 de janeiro, o Brasil foi premiado no universo do cinema internacional. Um reconhecimento que gera orgulho — e que, para mim, vai além da celebração pontual. É muito maior. Parabéns a Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho e a toda a equipe do filme O Agente Secreto.
Continuarei assistindo e admirando filmes e atores/atrizes brilhantes de outros países, mas sigo com os brasileiros com ênfase e orgulho. Isso não está em discussão. Penso que há algo que se transforma quando o reconhecimento vem de fora e recai sobre produções nacionais feitas com excelência e consistência: o olhar sobre nós mesmos amadurece, e tudo se fortalece.
Prestigiar o Brasil não é um gesto de fechamento ao mundo — muito pelo contrário. É compreender que iniciativas brasileiras dialogam com o globo. É um exercício de leitura crítica. É saber reconhecer quando excelência, método e intenção estão alinhados — e quando isso se traduz em valor cultural e simbólico.
Esse mesmo movimento aconteceu, de forma igualmente relevante, no universo do chocolate brasileiro ao longo do mês de dezembro.
Durante a última edição do Academy of Chocolate Awards, em Londres, marcas brasileiras bean to bar tiveram um desempenho elogiável. Mais do que medalhas, o que se destacou foi um recorte claro de maturidade: técnica de produção apurada, inovação, escolhas conscientes, identidade bem construída e consistência sensorial.

O chocolate brasileiro, aos poucos, deixa de ocupar apenas o lugar da promessa para se posicionar como um produto capaz de dialogar com critérios internacionais exigentes — sem perder sua singularidade e muito menos diminuir a força de sua brasilidade.
Assim como no cinema, esse reconhecimento não acontece por acaso. Ele é fruto de investimento, de decisões estratégicas, de domínio técnico, de leitura de mercado e, sobretudo, de profissionais que compreendem que excelência não é um evento isolado, mas um processo contínuo.

Premiações internacionais não devem ser lidas como ponto de chegada. Elas são indicadores. Revelam onde há alinhamento com padrões globais, onde existe coerência entre discurso e prática e onde o produto sustenta, na experiência, aquilo que comunica. São, naturalmente, um recorte do que se faz de excelente em chocolate, mas demonstram que o conjunto pode ser bem representado lá fora — e aqui dentro também.
Nos próximos dias, farei uma análise detalhada dos números da última edição do Academy of Chocolate London, atualizando também a curva de evolução do Brasil ao longo das edições do concurso. Observar esse movimento de forma histórica e comparativa é fundamental para compreender onde avançamos, onde ainda existem potencialidades não plenamente alcançadas e quais decisões estratégicas se impõem para o futuro.
Esse tipo de leitura exige mais do que entusiasmo. Exige método, repertório, escuta e capacidade de interpretação sensorial, cultural e mercadológica.
É nesse cruzamento — entre dados, experiência, território e narrativa — que se constrói valor de longo prazo.
E hoje, um VIVA AO BRASIL de profissionais que fazem seu trabalho nos orgulhar — no cinema, no chocolate e em todas as áreas onde a excelência é levada a sério.







