CEPLAC e IICA lançam Projeto “Cacau Brasil Agrofloresta” que visa transformar lavoura em ativo climático
Iniciativa de cooperação internacional com o IICA e financiamento do Fundo Verde para o Clima (GCF) vai implantar 12,5 mil hectares de sistemas sustentáveis e beneficiar quase 70 mil produtores rurais

O chocolate que chega ao consumidor final está prestes a carregar uma pegada ambiental ainda mais limpa e valiosa. No próximo dia 25 de maio, o município de Ilhéus, no sul da Bahia, sedia o lançamento oficial do Projeto “Cacau Brasil Agrofloresta”. Trata-se de um robusto programa de cooperação técnica internacional comandado pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) que pretende consolidar a cacauicultura como uma das principais ferramentas da sociobioeconomia nacional no enfrentamento às mudanças climáticas.
Fruto de um acordo de governança da CEPLAC (vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA) com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), a iniciativa conta com um combustível financeiro de peso: US$ 30,96 milhões (cerca de R$ 155 milhões na cotação atual). A maior fatia deste montante, US$ 23,14 milhões, vem diretamente do Fundo Verde para o Clima (GCF, na sigla em inglês), que é o maior fundo climático do mundo que possui o objetivo de apoiar os países em desenvolvimento no aumento e na concretização de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) rumo a trajetórias de baixas emissões e resiliência climática. O projeto conta com a contrapartida de US$ 7,81 milhões de cofinanciamento.

Ciência e floresta de mãos dadas
O foco central da estratégia sob coordenação da CEPLAC é impulsionar os Sistemas Agroflorestais (SAFs), modelo produtivo que consorcia a cultura do cacau com árvores nativas, frutíferas e outras espécies florestais. Ao longo dos próximos 48 meses de execução do projeto, o objetivo é implantar e consolidar 12.500 hectares sob esse manejo sustentável, divididos estrategicamente entre os dois maiores estados produtores do país: Bahia e Pará.
A meta ambiental é audaciosa e conversa diretamente com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil nas metas de redução de emissões (NDCs), nas diretrizes do Plano Inova Cacau 2030 e do Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono). Os organizadores projetam uma redução de 5,18 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente (tCO₂eq), alcançada por meio do sequestro de carbono nas florestas plantadas e na recuperação produtiva de solos degradados.

“O cacau agroflorestal representa uma solução concreta e escalável. Conseguimos integrar a conservação de biomas vitais à geração de renda real no campo”, destaca o escopo institucional da iniciativa.
Impacto na base produtiva e na agricultura familiar
Para além dos números de balanço de carbono, o projeto se destaca pelo forte sotaque social e territorial. A operação foca na inclusão produtiva da agricultura familiar e no fortalecimento de cooperativas regionais. Estima-se que 69 mil produtores rurais sejam beneficiados diretamente pelas ações de capacitação, assistência técnica e facilitação de acesso a linhas de crédito verde. Indiretamente, o impacto deve alcançar mais de 397 mil pessoas nas comunidades locais.
A engenharia financeira da iniciativa traz uma particularidade administrativa relevante: a execução orçamentária e financeira ficará sob a responsabilidade direta do IICA, que tem em essência o objetivo de promover ações estratégicas para impulsionar o crescimento sustentável, melhorar a resiliência dos territórios, fortalecer a agricultura e a vida rural, ampliando a estrutura de execução do projeto.
Liderança institucional e governança

O evento de lançamento, que ocorrerá no período da manhã na sede da CEPLAC na Bahia, carrega um forte simbolismo político e técnico. Mesmo sem a presença confirmada do ministro da pasta, a agenda reúne a alta governança da agricultura e do clima, incluindo secretários e diretores do MAPA, lideranças do Governo do Estado da Bahia, comitivas do IICA e representantes internacionais do fundo doador.
Para a CEPLAC, o projeto marca um momento de consolidação de sua histórica expertise em pesquisa na agricultura. “Este projeto valida décadas de pesquisa da CEPLAC e nos coloca na vanguarda da transição climática global. Estamos provando na prática que é possível produzir de forma altamente rentável enquanto restauramos biomas degradados e fixamos o homem no campo com dignidade, é conservar e produzir”, afirma Thiago Guedes, diretor do órgão.
A rota geográfica do investimento já está traçada. Na Bahia, as ações vão se concentrar no tradicional território litoral sul e baixo sul, contemplando 13 municípios chaves, como Ilhéus, Itabuna, Uruçuca, Una, Camacan, Canavieiras, Buerarema e Ibirapitanga. No Pará, o foco se volta para a pujante Transamazônica e regiões de expansão sustentável, cobrindo municípios como Altamira, Medicilândia, Brasil Novo, Uruará e Novo Progresso, criando um cinturão verde de proteção e produção que interliga a Mata Atlântica e a Amazônia.
(Fotos Divulgação)






