WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia
DestaquesGeral

Um crime que chocou o Brasil: quase três anos após o assassinato de Joel Berbert de Castro, família clama por justiça

Um dos maiores defensores da Mata Atlântica no sul da Bahia foi morto de forma brutal dentro da própria reserva ambiental. Quase três anos depois, o Tribunal do Júri ainda não foi marcado. O Brasil assistiu, perplexo, ao assassinato de um homem que dedicou a vida à preservação da natureza.

No dia 24 de outubro de 2023, o engenheiro ambiental Joel Berbert, pesquisador, produtor de chocolate de origem e um dos responsáveis pela proteção da Reserva Particular do Patrimônio Natural Serra do Teimoso, no município de Jussari (BA), foi morto de forma extremamente violenta dentro da própria fazenda.

O crime repercutiu nacionalmente pela brutalidade, pela trajetória da vítima e pelo simbolismo de atingir um dos mais importantes guardiões da Mata Atlântica brasileira.

Quase três anos se passaram.

O tempo avançou.

A dor da família permanece.

E a Justiça ainda não deu uma resposta definitiva.

Enquanto a Reserva Serra do Teimoso continua sendo um patrimônio da biodiversidade brasileira, a família de Joel convive diariamente com outra realidade: a da espera.

Espera pela data do Tribunal do Júri.

Espera para que a sociedade conheça todos os fatos em julgamento público.

Espera para que o Estado cumpra sua missão constitucional de fazer justiça.

Joel Berbert não era apenas um produtor rural.

Era engenheiro ambiental formado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), empresário, pesquisador e referência na conservação da Mata Atlântica.

Ao lado da família, transformou a Fazenda Teimoso em um exemplo de produção sustentável, agregando valor ao cacau por meio da fabricação de chocolate de origem, manteiga de cacau, manteiga de cupuaçu e nibs, demonstrando que preservar a floresta também significa gerar emprego, renda e desenvolvimento.

Seu trabalho deu continuidade ao legado iniciado por seu pai, o engenheiro agrônomo Henrique Berbert, idealizador da Reserva Serra do Teimoso, criada em 1997 e reconhecida como um dos mais importantes remanescentes de Mata Atlântica do país.

Mas toda essa história foi interrompida de maneira cruel.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Joel foi surpreendido enquanto trabalhava na fábrica da propriedade. A acusação relata que ele foi morto com extrema violência, em um crime que provocou profunda comoção entre familiares, amigos, pesquisadores, produtores rurais e ambientalistas de diversas regiões do Brasil.

Na audiência de instrução, realizada em 3 de outubro de 2024, foram ouvidas testemunhas, entre elas sua mãe, Lucélia de Melo Berbert, que relatou os momentos que antecederam a tragédia.

Na mesma data, os réus obtiveram liberdade por decisão judicial.

Desde então, segundo a família, o processo aguarda a designação da sessão do Tribunal do Júri.

Quase três anos depois, permanece a pergunta que mobiliza todos aqueles que conheceram Joel e seu trabalho:

Até quando a família Berbert terá de esperar por Justiça?

Porque Joel Berbert não defendia apenas uma fazenda.

Defendia a ciência.

Defendia a biodiversidade.

Defendia a Mata Atlântica.

Defendia um patrimônio que pertence a todos os brasileiros.

E sua memória exige que este crime não seja esquecido.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Botão Voltar ao topo