
Por Paulo Peixinho, cacauicultor
A Região Cacaueira aprendeu a contar a si mesma pela literatura. Nos livros ficaram seus coronéis, trabalhadores, amores, conflitos, riquezas e perdas. A memória deu alma ao território.
Mas nenhuma região vive apenas de lembranças.
O cacau de hoje exige outro olhar: produção, custo, produtividade, preço, mercado. Exige números capazes de dialogar com aquilo que a memória conserva.
Na era das redes sociais, essa distinção tornou-se ainda mais delicada. O vivido, o lembrado e o narrado se misturam com facilidade, até que uma versão repetida muitas vezes adquira aparência de fato.
A própria crise da vassoura-de-bruxa ensina isso. Foi uma ruptura profunda, mas sua história não cabe em uma única causa. Houve doença, mercado, endividamento, estrutura produtiva e mudanças econômicas.
Talvez seja esse o desafio da Região Cacaueira: preservar a força de sua memória sem perder de vista os fatos.

A literatura ajuda a compreender o passado; os dados orientam o presente.
Passados os dias de eleição, quando tantas vezes a ficção se confunde com a realidade, é hora de voltar aos fatos. Os produtores precisam compreender a realidade da cacauicultura e cobrar de seus representantes políticas, ações e resultados concretos.
O próximo passo é transformar conhecimento em ação.






