
Com o plano já pronto, instituições vão integrar dados de produção e clima para gerar a previsão da safra; agenda também tratou da multiplicação de novas mudas na Biofábrica da Bahia
A Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), reuniu nesta semana órgãos federais e estaduais para alinhar a execução do Plano de Trabalho do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) e Monitoramento de Safra do Cacau 2027. O objetivo é dar mais precisão, transparência e segurança estratégica à cadeia produtiva do cacau.
Participaram representantes da Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), da Casa Civil do Governo da Bahia, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Embrapa.
Entre as etapas do acordo, está a definição do desenho operacional que, conforme previsto no plano, integrará dados estatísticos, assistência técnica e monitoramento climatológico, viabilizando a construção de um modelo de monitoramento capaz de atender às necessidades da cacauicultura baiana.
Para o diretor da CEPLAC, Thiago Guedes Viana, a união de esforços é o caminho para entregar resultados concretos à sociedade e aos produtores. “A gente quer entregar uma previsão de safra para a sociedade brasileira, para o agricultor e para o setor do cacau (…) um resultado do governo federal e da parceria com o governo do estado da Bahia para o desenvolvimento do cacau da Bahia e do Brasil”, destacou Viana.

O secretário da Agricultura da Bahia, Vivaldo Gois, afirmou que o avanço da cacauicultura deve vir do ganho de produtividade, e não da expansão de área, e valorizou a participação de técnicos e pesquisadores na construção da previsão de safra.
“Essa importante participação dos técnicos, estudiosos e professores é fundamental. Queremos superar as dificuldades não pelo aumento de área, mas sim pelo ganho de produtividade, e só com tecnologia e estudo é possível fazer isso. A Seagri, ao lado da CEPLAC, da SDR e de todas as entidades, segue firme para melhorar as condições de produção de quem gera riqueza no campo”.

Por sua vez, a secretária de Desenvolvimento Rural da Bahia, Elisabete Costa, destacou que o encontro dá sequência aos alinhamentos pactuados em Brasília. “Esta reunião é um desdobramento das agendas firmadas entre o governo estadual e o MAPA para fortalecer a estimativa de safra. A partir de agora, mantemos uma agenda de trabalho constante para encontrar o melhor formato e seguir fortalecendo a cultura do cacau na Bahia, beneficiando os produtores”, disse.
O diretor-presidente da CAR, Jeandro Ribeiro, explicou que a previsão contará com trabalho de campo em cerca de duas mil propriedades. “Estamos definindo a metodologia para iniciar a previsão de safra de cacau, reunindo atores importantes como Conab, IBGE e o Governo do Estado. Em breve iremos com as equipes para o campo, onde duas mil propriedades serão assistidas por essa ação, para trazer fidelidade na informação e alavancar ainda mais a cacauicultura na Bahia.”
Já o assessor especial da Casa Civil da Bahia, Lanns Almeida, frisou que as instituições fazem uma discussão aprofundada sobre a estruturação da previsão de safra. O objetivo, segundo ele, é que “o pequeno, médio e grande agricultor tenha esse número muito mais bem aferido”.
Uma reunião no próximo dia 10 dará continuidade aos alinhamentos iniciais para definir quais bases de dados e ferramentas serão incorporadas à execução do plano, como a modelagem climatológica do Inmet e os levantamentos de campo da Conab e do IBGE.
Novas mudas na Biofábrica e o próximo passo
A comitiva, formada pelos participantes da reunião, também visitou a Biofábrica da Bahia, onde foi recebida pelo diretor da unidade, Valdemir José dos Santos (Val).
Foi definida a estratégia para transferir novos materiais genéticos de cacau, desenvolvidos nas estações experimentais da CEPLAC, para multiplicação na unidade. A meta é iniciar ainda em 2027 a propagação em larga escala das variedades de alta produtividade e tolerância a pragas, para que a pesquisa chegue com agilidade aos cacauicultores baianos.
A reunião do dia 10 é o próximo passo para fechar o cronograma de execução e definir o que cada órgão entregará na previsão da safra 2027. Em paralelo, a parceria com a Biofábrica busca levar as novas variedades às lavouras o mais rápido possível.
Ao reunir pesquisa, estatística e extensão rural em torno da previsão de safra e da multiplicação de novas variedades, a CEPLAC reafirma seu papel de articuladora de iniciativas que transformam conhecimento em ganho de produtividade para a cacauicultura da Bahia e do Brasil.






