Valorização dos asininos impulsiona novas oportunidades para produtores e agroindústria
Especialista diz que divulgação de dados equivocados pode comprometer avanço da cadeia produtiva

A pecuária asinina vem ganhando espaço no Brasil como uma atividade com potencial para diversificar a produção agropecuária, gerar renda e impulsionar o desenvolvimento sustentável do semiárido nordestino. Com aplicações voltadas à produção de leite, carne, colágeno e material genético, a cadeia produtiva dos asininos começa a se consolidar como uma nova fronteira de oportunidades para produtores, pesquisadores e investidores.
O zootecnista e administrador agropecuário Alex Bastos destaca que o Brasil reúne condições favoráveis para o crescimento da atividade. Líder mundial na produção de diversas proteínas animais e reconhecido internacionalmente pela qualidade de seu sistema de inspeção sanitária, o país possui conhecimento técnico, estrutura regulatória e condições ambientais adequadas para o fortalecimento do setor.
Segundo Bastos, a evolução da cadeia produtiva também está associada ao avanço da pesquisa científica e das biotecnologias aplicadas à reprodução animal. Ferramentas modernas de melhoramento genético, conservação de linhagens e reprodução assistida ampliam as possibilidades de desenvolvimento sustentável dos rebanhos e contribuem para a valorização da espécie.
Historicamente fundamentais para a ocupação e o desenvolvimento econômico do Nordeste, os jumentos tiveram papel decisivo no transporte de pessoas, alimentos, água e mercadorias em regiões marcadas por desafios climáticos. Com a mecanização do campo e a modernização dos sistemas produtivos, os animais perderam gradativamente sua função tradicional, abrindo espaço para novas formas de aproveitamento econômico.
Nesse contexto, a estruturação da cadeia asinina surge como alternativa capaz de transformar um passivo histórico em ativo produtivo. Além de agregar valor aos animais, a atividade contribui para estimular investimentos, fortalecer a pesquisa agropecuária e ampliar oportunidades de geração de emprego e renda em municípios do semiárido.

Bastos observa que parte do debate público sobre a espécie ainda é marcada por informações equivocadas sobre o tamanho real do rebanho nacional. Para ele, a ausência de dados atualizados exige cautela nas análises e reforça a necessidade de ampliar estudos, levantamentos populacionais e mecanismos de rastreabilidade.
“O desenvolvimento da cadeia produtiva e a preservação da espécie caminham lado a lado. Quanto maior o valor econômico, científico e social atribuído aos asininos, maiores serão os estímulos para sua conservação, melhoramento genético e manejo adequado”, afirma. O aproveitamento de produtos derivados dos asininos é regulamentado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e segue as exigências previstas no Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa), incluindo critérios rigorosos de inspeção sanitária, rastreabilidade e bem-estar animal.
Para Alex Bastos, o futuro da atividade está diretamente ligado à integração entre ciência, inovação, empreendedorismo e políticas públicas. “A pecuária asinina tem potencial para ocupar um espaço relevante no agronegócio brasileiro, contribuindo para o desenvolvimento regional e para a construção de uma cadeia produtiva moderna, sustentável e competitiva”, conclui.






