
Por Paulo Peixinho, produtor de cacau

O mercado brasileiro de cacau enfrenta crescente debate sobre a formação dos preços pagos ao produtor. Mesmo com a Bolsa de Nova Iorque acima de US$ 6.000 por tonelada, agricultores relatam descontos próximos de 16% em relação à referência internacional. O fenômeno recoloca em discussão o papel do diferencial, a concentração industrial, as importações via drawback e a sustentabilidade econômica da produção nacional.
Um mercado que se tornou mais complexo
Durante décadas, a formação do preço do cacau no Brasil era relativamente direta. A Bolsa de Nova Iorque servia como principal referência, enquanto o câmbio ajustava o valor final. Atualmente, o diferencial passou a desempenhar papel cada vez mais relevante na formação dos preços.
Estrutura industrial sob observação
O debate ocorre em um contexto de elevada concentração industrial. A produção brasileira permanece abaixo da capacidade instalada de processamento, exigindo importações de amêndoas para abastecer a indústria nacional.
Drawback e importações
O regime de drawback permanece no centro das discussões. Enquanto a indústria o considera essencial para manter a competitividade das exportações, produtores argumentam que o aumento da oferta importada pode pressionar os preços domésticos.
O desafio da volatilidade
O agricultor brasileiro está exposto simultaneamente aos riscos climáticos, fitossanitários, cambiais, financeiros e aos diferenciais de mercado. A velocidade dessas mudanças dificulta o planejamento de longo prazo.
Sustentabilidade exige equilíbrio econômico
O cacau brasileiro é produzido predominantemente em sistemas agroflorestais reconhecidos internacionalmente. Entretanto, a preservação ambiental depende da viabilidade econômica das propriedades rurais e da remuneração adequada do produtor.
CONCLUSÃO
O desafio da cadeia brasileira não se limita ao aumento da produção. A questão central passa a ser a construção de mecanismos capazes de distribuir de forma mais equilibrada os riscos e benefícios entre produtores, processadores, preservando a competitividade e a sustentabilidade do setor.






