
A justiça social e o desenvolvimento sustentável ganharam voz no novo episódio do Cabruca Podcast com a participação de Cida Oliva, atual coordenadora do Projeto Parceiros da Mata, desenvolvido pelo Governo da Bahia, através da CAR e SDR. Além disso, Cida possui uma trajetória de vida inspiradora, marcada por décadas de defesa da agricultura familiar, com atuação direta na transformação do rural baiano.
A Trajetória de Luta e o Despertar no Campo
Inicialmente, a história de Cida Oliva começou muito antes dos gabinetes governamentais. Sendo filha de uma costureira e de um caminhoneiro, ela descobriu a sua verdadeira vocação social atuando na Comissão Pastoral da Terra (CPT). Contudo, foi na organização não governamental Terra Viva que ela consolidou a sua base profissional ao longo de dez anos. Consequentemente, esse período funcionou como uma grande escola de vida sobre sistemas produtivos resilientes e sustentabilidade. Ademais, essa profunda vivência no terceiro setor abriu os seus olhos para as injustiças do machismo estrutural e para a força da equidade de gênero.

Experiência Plural e a Chegada à Gestão Pública
Posteriormente, Cida expandiu os seus horizontes ao assumir a coordenação de uma agência de cooperação internacional. Dessa forma, ela teve a oportunidade de levar a pauta da agricultura familiar brasileira para discussões muito além das nossas fronteiras.
Em seguida, ela também conheceu a realidade do setor privado atuando em uma fundação empresarial. Portanto, essa bagagem plural permitiu que ela compreendesse o desenvolvimento rural sob todas as óticas sociais e econômicas possíveis. Atualmente, ela aplica essa vasta experiência no setor público para desenhar e executar políticas que realmente beneficiam as populações mais vulneráveis.
O Projeto Parceiros da Mata e a Inclusão Social

Hoje, a coordenação do Projeto Parceiros da Mata representa a materialização prática de todos os ideais de Cida Oliva. A iniciativa do Governo do Estado foca fortemente na inclusão socioprodutiva e na melhoria contínua da infraestrutura rural.
Por isso, o planejamento do projeto estabelece prioridades claras para corrigir as nossas enormes desigualdades históricas:
- Força Feminina: O programa destina obrigatoriamente 50% de todo o seu orçamento de investimento para o desenvolvimento das mulheres rurais.
- Juventude no Campo: Os jovens compõem 30% do público-alvo para garantir a sucessão e a inovação agrícola.
- Alcance Regional: A ação atenderá 88 mil famílias distribuídas em 77 municípios do corredor central da Mata Atlântica.
- Dignidade Básica: O projeto estrutural levará água tratada e tratamento de esgoto para milhares de lares esquecidos.
Conservação Produtiva e a Resistência Climática

A nossa região cacaueira já sente diretamente os duros impactos do aquecimento global. A grave seca de 2015, que fez jorrar água salgada nas torneiras de Itabuna, ilustra perfeitamente essa triste urgência climática. Sendo assim, o projeto aposta fortemente na agroecologia e na “conservação produtiva” para mitigar esses graves efeitos.
O tradicional sistema Cabruca é o modelo perfeito dessa rica sustentabilidade regional:
- Os povos originários criaram clareiras produtivas na mata em vez de desmatar todo o território.
- A união entre a floresta nativa e o cultivo do cacau garante o equilíbrio ambiental e econômico das famílias.
- A assistência técnica (ATER) valoriza ativamente esse conhecimento empírico e introduz inovações para aumentar a produtividade geral.
“Sou filha de caminhoneiro e de uma costureira, e nunca imaginei estar aqui. […] As mulheres, os jovens, os agricultores e agricultoras precisam sentir que é possível. A gente vence os desafios que a sociedade impõe’, destaca Cida Oliva, no Cabruca apresentado por Rézia Lopes.
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