CEPLAC e UFOB ampliam parceria para impulsionar pesquisa e cultivo sustentável de cacau no Cerrado
Acordo terá duração de cinco anos e prevê pesquisas em Barreiras (BA), formação de estudantes e geração de conhecimento para orientar a expansão sustentável da cacauicultura em novas fronteiras agrícolas

A Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), e a Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) ampliaram a cooperação institucional para fortalecer a pesquisa, a inovação e a formação de profissionais voltadas à cacauicultura no Cerrado. O Acordo de Cooperação Técnica (ACT) nº 35/2026 foi assinado pelo diretor da CEPLAC, Thiago Guedes Viana, e pelo reitor da UFOB, Jacques Antônio de Miranda.
Com vigência de 60 meses, contados a partir da publicação do extrato no Diário Oficial da União, o acordo concentra esforços na avaliação de cultivares de cacau mantidas em sistema agroflorestal no município de Barreiras, no oeste baiano. A iniciativa busca produzir informações científicas que apoiem a adaptação da cultura às condições do Cerrado, o aperfeiçoamento das práticas de manejo e a implantação de sistemas produtivos ambientalmente sustentáveis.
A parceria amplia a presença da CEPLAC em uma região estratégica e conecta sua experiência de quase sete décadas em pesquisa e desenvolvimento para a cacauicultura à capacidade científica e formativa da UFOB. A iniciativa busca gerar conhecimento aplicado para orientar, com responsabilidade técnica e ambiental, a adaptação do cacau a novas fronteiras agrícolas, criando oportunidades de diversificação, renda e desenvolvimento sustentável para o oeste da Bahia, segundo o diretor da CEPLAC, Thiago Guedes Viana.
O trabalho permitirá acompanhar, ao longo das diferentes estações do ano, aspectos como foliação, floração, frutificação e crescimento das plantas. Também serão avaliados parâmetros fisiológicos e bioquímicos associados ao desempenho e à resposta das cultivares a fatores de estresse, como altas temperaturas, radiação solar intensa e menor disponibilidade de água. Entre as análises previstas estão pigmentos fotossintéticos, açúcares solúveis, área foliar, teor de clorofila e atividade de enzimas antioxidantes.
As equipes da CEPLAC e da UFOB também vão monitorar a ocorrência de doenças. Quando forem identificados sintomas, amostras vegetais poderão ser coletadas para análises moleculares, morfológicas e patológicas, com a finalidade de identificar agentes causais e subsidiar a emissão de laudos fitopatológicos.
Para o reitor da UFOB, Jacques Antônio de Miranda, a cooperação reforça a contribuição da universidade para o desenvolvimento regional. A parceria com a CEPLAC fortalece a integração entre ensino, pesquisa, extensão e inovação e cria um ambiente privilegiado para a formação dos estudantes. Ao investigar o comportamento do cacaueiro nas condições do Cerrado, a UFOB contribui para produzir respostas científicas a desafios concretos do território e para construir alternativas sustentáveis de desenvolvimento para o oeste da Bahia.

Ciência, formação e resultados para o setor produtivo
O plano de trabalho prevê a participação de estudantes de graduação e pós-graduação em atividades de campo, laboratório, organização e análise de dados, interpretação de resultados e divulgação científica. A experiência deverá estimular a iniciação científica, qualificar recursos humanos nas áreas de Ciências Agrárias e Ambientais e aproximar a formação acadêmica das demandas do setor produtivo.
Entre as entregas programadas estão a definição de protocolos de campo e laboratório, a realização de campanhas periódicas de monitoramento, a organização de bancos de dados fenológicos, fisiológicos e bioquímicos, a integração dessas informações com dados climáticos, a elaboração de relatórios técnicos e a submissão de artigos científicos. O plano também estabelece a apresentação dos resultados em eventos e a capacitação de estudantes.
A execução será compartilhada pelas duas instituições. A CEPLAC contribuirá com apoio técnico e científico, planejamento experimental, definição de protocolos, acompanhamento das avaliações e interpretação dos resultados. A UFOB ficará à frente de atividades de campo e laboratório, coleta e organização dos dados e mobilização de docentes e estudantes. Conforme a disponibilidade e as normas internas de cada instituição, a parceria permitirá ainda o uso compartilhado, orientado e não oneroso de áreas experimentais, laboratórios, equipamentos, acervos e outras estruturas.
O ACT não prevê transferência de recursos financeiros nem doação de bens entre os participantes. Cada instituição será responsável pelas despesas relacionadas às atividades que lhe cabem. Os resultados obtidos poderão beneficiar pesquisadores, estudantes, técnicos, agricultores familiares, produtores de cacau, comunidades locais e demais atores vinculados aos sistemas agroflorestais e ao desenvolvimento regional.
Além de apoiar a diversificação agrícola do oeste baiano, a cooperação está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, especialmente os relacionados à agricultura sustentável, à produção responsável, à ação climática e à conservação da vida terrestre.
(Fotos Divulgação Ceplac)






