
Se hoje um pequeno produtor de cacau não souber identificar uma praga ou doença em sua fazenda, provavelmente levará algum tempo até ser atendido por um técnico. A depender do problema, esta demora pode significar prejuízo. Essa lacuna entre o produtor e o extensionista não é exclusiva do setor cacaueiro, mas se agrava em áreas mais remotas — como boa parte da região produtora do sul da Bahia.
Foi pensando em ajudar esses pequenos produtores que um grupo de pesquisadores de diversas instituições do sul da Bahia, do Peru e da Holanda desenvolveu um aplicativo baseado em inteligência artificial (IA) capaz de fornecer um diagnóstico preliminar de doenças, pragas e deficiências nutricionais comuns na lavoura do cacau.

Batizado de App do Cacau, o aplicativo funciona por meio do WhatsApp, com linguagem simples e acessível, adaptada ao público rural. O produtor envia mensagens de texto, áudio ou imagens da lavoura e recebe, em poucos instantes, um diagnóstico preliminar e de forma totalmente gratuita. Basta iniciar uma conversa com o agente artificial para ter acesso à ferramenta.
O aplicativo não substitui o trabalho do agrônomo ou técnico agrícola, mas pode ajudar a identificar problemas que exigem a presença de um profissional qualificado, agilizando esse encaminhamento. Um exemplo é a monilíase, doença fúngica cuja chegada ao Brasil está sendo monitorada de perto pelo setor, dado seu potencial de causar um impacto à cacauicultura semelhante ao provocado pela vassoura-de-bruxa nos anos 1980.

O App do Cacau foi treinado para reconhecer os sintomas da monilíase em diferentes estágios de infestação, podendo se tornar uma ferramenta importante para que o produtor busque ajuda assim que identificar os primeiros sinais da doença.

A equipe do aplicativo, liderada pela Dra. Deborah Faria da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), já planeja a inserção de outras funções em breve, como estimativa de safra e diagnostico de outros problemas da lavoura.

O desenvolvimento do App do Cacau foi financiado pelo Instituto Arapyaú, com gestão do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul) e coordenação técnica da UESC.

Para acessar entre em www.appdocacau.org ou pelo whatsapp: 73 98433140
EXPOCACAU
O lançamento da primeira versão do App do Cacau ocorreu no primeiro dia da ExpoCacau 2026, evento que reúne produtores, pesquisadores, empresas, instituições públicas, profissionais e lideranças da cadeia produtiva do cacau. Realizada pelo CocoaAction Brasil, a feira tem entre seus objetivos estimular o diálogo, a inovação e a adoção de tecnologias capazes de ampliar a eficiência e a sustentabilidade da cacauicultura.
Durante a abertura, o diretor do CocoaAction Brasil, Pedro Ronca, destacou a importância da parceria com instituições de ensino e pesquisa, entre elas a Uesc e a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Segundo ele, a Uesc ocupa posição de destaque na produção científica relacionada ao cacau, contribuindo para o desenvolvimento de conhecimentos e tecnologias voltados ao setor.
A programação incluiu ainda o lançamento da campanha Trabalho Decente no Cacau, promovida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), CocoaAction Brasil, Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (SIT/MTE) e parceiros.
O evento contou também com mais de 15 palestras técnicas sobre manejo, inovação e mercado, realizadas no 8º Fórum Anual do Cacau e na Arena do Conhecimento, espaço dedicado ao intercâmbio de experiências e conhecimentos.
Para Erik Ferraz, oficial de projetos da OIT Brasil, a escolha da ExpoCacau para o lançamento da campanha está relacionada à capacidade de mobilização do evento. A expectativa da organização é de que cerca de 7 mil pessoas visitem a feira ao longo dos três dias.
Ao participar da ExpoCacau e apresentar o App do Cacau, a Uesc reafirma seu papel na produção e na aplicação do conhecimento científico em benefício da sociedade, aproximando pesquisa, inovação, tecnologia e produção rural e contribuindo para o fortalecimento da cacauicultura no Sul da Bahia.






