
A presença histórica da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC) na Amazônia e os novos desafios para o desenvolvimento da cacauicultura brasileira estiveram no centro da apresentação realizada pela coordenadora-geral de Pesquisa e Inovação da instituição, Monaliza Sales, durante agenda institucional na região da Transamazônica, no Pará.
Em sua apresentação, Monaliza destacou que a atuação da CEPLAC na região remonta à década de 1970 e atravessou diferentes momentos da história da cacauicultura amazônica. Pesquisa, geração de tecnologias, assistência técnica, formação de pessoas e presença territorial fizeram parte desse processo.
“A CEPLAC tem uma história grande demais para ser tratada apenas como memória. Essa história precisa ser transformada em futuro”, afirmou.
A coordenadora ressaltou que, mesmo nos períodos de maiores dificuldades institucionais, a CEPLAC manteve sua presença na região, preservando unidades, equipes e vínculos construídos ao longo de décadas com produtores e comunidades.
Para Monaliza, essa permanência representa também um compromisso com o território. “Nós acompanhamos de perto a construção da cacauicultura da Transamazônica. Fizemos pesquisa, ciência, assistência técnica e extensão rural, formamos pessoas, geramos conhecimento e desenvolvemos tecnologias. E permanecemos aqui”, destacou.
Ciência conectada ao território
Durante a apresentação, a coordenadora defendeu uma atuação científica cada vez mais conectada às realidades locais e às demandas dos produtores. Segundo ela, os próximos passos da CEPLAC passam pelo fortalecimento da pesquisa e da inovação, pela valorização dos servidores e pesquisadores e pela ampliação das parcerias com universidades, instituições públicas, municípios, cooperativas e organizações de produtores.
A abordagem considera as particularidades da cacauicultura amazônica, marcada pela forte presença da agricultura familiar e por diferentes formas de organização social e produtiva.
Nesse contexto, a pesquisa deve contribuir para enfrentar desafios relacionados ao aumento sustentável da produtividade, materiais genéticos adaptados, manejo, sanidade vegetal, qualidade do cacau, sistemas agroflorestais, mudanças climáticas e agregação de valor.
“A ciência precisa chegar a quem está no território. Pesquisa e inovação fazem sentido quando conseguem produzir respostas para os problemas reais da cadeia e melhorar a vida das pessoas”, pontuou.
História como ponto de partida para o futuro
Ao recuperar a trajetória da instituição na Amazônia, Monaliza também resgatou uma mensagem histórica sobre a importância estratégica da CEPLAC para a região: as grandes decisões relacionadas à atividade cacaueira amazônica não podem ser construídas sem a participação de quem conhece e vivencia esse território.
A coordenadora destacou que o momento atual exige transformar o conhecimento acumulado pela instituição em novas entregas para a sociedade.
“Não estamos falando apenas do que a CEPLAC fez. Estamos falando do que ela ainda pode e precisa fazer. Temos conhecimento, pessoas, presença territorial e uma história construída junto aos produtores. É a partir dessa base que precisamos construir a CEPLAC do futuro”, concluiu.
A apresentação integra a missão institucional da CEPLAC na Transamazônica, com agendas voltadas à articulação com municípios, produtores, instituições de pesquisa e organizações locais, além de visitas técnicas e ações destinadas ao fortalecimento da cacauicultura e dos sistemas produtivos sustentáveis na Amazônia.






